Exercícios de Vasos Comunicantes com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Questões desta lista

Questão 1

UECE 2026

Um tubo em formato de U, com extremidades abertas e de seção reta uniforme, encontra-se parcialmente preenchido com um líquido de densidade d. Nesta situação, os níveis do líquido de densidade d são iguais em ambos os ramos de U (nível primitivo). Derrama-se lentamente, no ramo da direita, um segundo líquido de densidade d’ < d, que não se mistura com o primeiro, e espera-se o equilíbrio. Nessa situação, observa-se que a superfície horizontal livre do segundo líquido de densidade d’ encontra-se a uma distância vertical Y acima da superfície horizontal livre do líquido de densidade d presente no ramo oposto. Sabendo que os líquidos são incompressíveis e que a superfície livre do líquido de densidade d no ramo esquerdo elevou-se a uma altura H, em relação ao seu nível primitivo, a razão d’/d é

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: B

Para determinar a razão entre as densidades, aplica-se o princípio de Stevin, que relaciona a diferença de pressão em um líquido em equilíbrio à densidade do líquido, à aceleração da gravidade e à diferença de altura entre os pontos considerados.

1. Deslocamento do líquido de densidade d

Inicialmente, o líquido de densidade d apresenta o mesmo nível nos dois ramos do tubo. Esse é o nível primitivo.

Após a introdução lenta do líquido de densidade d’ no ramo direito, o líquido original é deslocado. Como o tubo possui seção reta uniforme e os líquidos são incompressíveis, o volume que sobe no ramo esquerdo é igual ao volume que desce no ramo direito. Portanto:

• no ramo esquerdo, o líquido de densidade d sobe uma altura H em relação ao nível primitivo;
• no ramo direito, o líquido de densidade d desce também uma altura H em relação ao nível primitivo.

Assim, a diferença de nível entre as superfícies do líquido de densidade d nos dois ramos é a soma dos dois deslocamentos:

desnível total = H + H = 2H

Logo, a interface entre os dois líquidos no ramo direito está 2H abaixo da superfície livre do líquido de densidade d no ramo esquerdo.

2. Altura da coluna do líquido de densidade d’

O enunciado informa que a superfície livre do líquido de densidade d’ está a uma distância vertical Y acima da superfície livre do líquido de densidade d no ramo esquerdo.

Como a interface no ramo direito está 2H abaixo dessa superfície livre no ramo esquerdo, a altura da coluna do líquido de densidade d’ é composta pelo desnível 2H mais a distância adicional Y. Portanto:

a altura da coluna de densidade d’ é 2H + Y.

3. Aplicação do princípio de Stevin

Consideremos a pressão em um mesmo nível horizontal, passando pela interface entre os líquidos no ramo direito. Como o sistema está em equilíbrio, a pressão calculada por meio do líquido de densidade d, no ramo esquerdo, deve ser igual à pressão calculada por meio do líquido de densidade d’, no ramo direito:

No ramo esquerdo, a coluna de líquido de densidade d acima desse nível tem altura 2H. No ramo direito, a coluna de líquido de densidade d’ tem altura 2H + Y. Por isso, as pressões hidrostáticas são expressas por:

\[P_{\text{esquerda}} = P_{\text{direita}}\]

Essa igualdade indica que as pressões no mesmo nível horizontal são iguais:

\[d \cdot g \left(2 \text{H}\right) = d^{'} \cdot g \left(2 \text{H} + Y\right)\]

Nessa expressão, d e d’ são as densidades dos líquidos, g é a aceleração da gravidade e os termos entre parênteses representam as alturas das respectivas colunas de líquido.

4. Isolamento da razão entre as densidades

Como a aceleração da gravidade é a mesma para os dois líquidos, o fator g pode ser cancelado nos dois lados da igualdade:

\[d \cdot \cancel{g} \left(2 \text{H}\right) = d^{'} \cdot \cancel{g} \left(2 \text{H} + Y\right)\]

Depois do cancelamento de g, obtém-se uma relação entre as densidades e as alturas das colunas. Isolando a razão d’/d, resulta:

\[\frac{d^{'}}{d} = \frac{2 \text{H}}{2 \text{H} + Y}\]

Portanto, a razão entre as densidades é 2H/(2H + Y). Assim, a alternativa correta é b) 2H/(2H+Y).

Questão 2

EFOMM 2026

Utilize o valor g = 10 m/s2 para a aceleração da gravidade, a menos que seja determinado o contrário em alguma questão.

Dois líquidos A e B, respectivamente com densidades ρA e ρB, PB, estão em repouso no tubo em forma de U, de seção transversal uniforme e muito pequena, representado na imagem. 

Desenho de um tubo em U com seção transversal uniforme contendo dois líquidos: fluido A na base e parte do fluido B no ramo direito. Medidas x e L indicadas.

Ambos os líquidos possuem o mesmo volume, que é igual ao volume da base do tubo, cujo comprimento vale L. O comprimento x, que mede a posição do contato entre os dois líquidos a partir da extremidade esquerda, vale: 

Ver resposta e resolução da questão 2

Resposta: B

Análise dos volumes e das alturas

Como o tubo tem seção transversal uniforme, podemos representar por S a área dessa seção. O volume de um líquido em um trecho do tubo é dado pelo produto entre a área da seção transversal e o comprimento ocupado. Como o enunciado informa que o volume de cada líquido é igual ao volume da base, cujo comprimento é L, temos:

\[V = S \cdot L\]

O líquido A ocupa a parte esquerda do tubo e também o trecho da base compreendido entre a extremidade esquerda e o ponto de contato, cuja posição é x. Portanto, o comprimento total ocupado por A é a soma da altura de sua coluna vertical, hA, com o trecho horizontal de comprimento x. Como esse comprimento total deve ser igual a L, segue que:

\[h_{A} + x = L\]

Isolando a altura da coluna de A, obtemos:

\[h_{A} = L – x\]

O líquido B ocupa o trecho restante da base, de comprimento L − x, além da coluna vertical da direita, de altura hB. Assim, o comprimento total ocupado por B também é L:

\[h_{B} + L – x = L\]

Subtraindo L − x dos dois lados, encontramos:

\[h_{B} = x\]

Portanto, as alturas das colunas verticais são hA = L − x e hB = x.

Equilíbrio hidrostático

Como os líquidos estão em repouso, a pressão em um mesmo ponto do fluido deve ser a mesma quando calculada por qualquer um dos lados do tubo. Consideramos o ponto de contato entre os líquidos, localizado no fundo do tubo e no mesmo nível horizontal.

A pressão nesse ponto pode ser calculada somando a pressão atmosférica à pressão exercida pela coluna de líquido acima dele. Assim, pelo lado de A, a pressão é determinada pela coluna de altura hA; pelo lado de B, pela coluna de altura hB:

\[P_{\text{atm}} + P_{h \left(A\right)} = Patm + P_{h \left(B\right)}\] \[P_{\text{atm}} + \rho_{A} \cdot g \cdot h_{A} = P_{\text{atm}} + \rho_{B} \cdot g \cdot h_{B}\]

Nessas expressões, Patm é a pressão atmosférica, ρA e ρB são as densidades dos líquidos, g é a aceleração da gravidade e hA e hB são as alturas das respectivas colunas.

A pressão atmosférica aparece nos dois lados porque as duas extremidades superiores do tubo estão submetidas à atmosfera. Como ela é igual nos dois lados, pode ser cancelada. O mesmo ocorre com g, que também é um fator comum:

\[\cancel{P_{\text{atm}}} + \rho_{A} \cdot \cancel{g} \cdot h_{A} = \cancel{P_{\text{atm}}} + \rho_{B} \cdot \cancel{g} \cdot h_{B}\] \(\rho_{A} \cdot h_{A} = \rho_{B} \cdot h_{B}\)  

Essa relação mostra que, no equilíbrio, o produto densidade vezes altura deve ser o mesmo para as duas colunas. Portanto, um líquido mais denso precisa formar uma coluna de menor altura, enquanto um líquido menos denso forma uma coluna mais alta.

Substituindo as alturas obtidas a partir da análise geométrica do tubo, isto é, hA = L − x e hB = x, temos:

\[\rho_{A} \cdot h_{A} = \rho_{B} \cdot h_{B}\] \[\rho_{A} \cdot \left(L – x\right) = \rho_{B} \cdot x\]

Aplicando a propriedade distributiva no lado esquerdo, a expressão fica:

\[\begin{array}{l}\rho_{A} \cdot \left(L – x\right) = \rho_{B} \cdot x \\ \rho_{A} \cdot L – \rho_{A} \cdot x = \rho_{B} \cdot x \\ \rho_{A} \cdot L = \rho_{A} \cdot x + \rho_{B} \cdot x\end{array}\] \[\rho_{A} \cdot L = \left(\rho_{A} + \rho_{B}\right) \cdot x x = \frac{\rho_{A}}{\rho_{A} + \rho_{B}} \cdot L\]

Logo, a posição do contato medida a partir da extremidade esquerda é:

\[x = \frac{\rho_{A}}{\rho_{A} + \rho_{B}} \cdot L\]

Essa expressão corresponde à alternativa b). Portanto, o gabarito é B.

Questão 3

EEAR 2025

Um tubo em U, aberto em ambos os ramos, contém água, e está perfeitamente em equilíbrio hidrostático, como mostrado na figura (A). Um dos ramos deste tubo é completamente preenchido por óleo até atingir uma altura H, em relação ao nível inicial, o que provocou uma alteração no outro lado do tubo, fazendo com que a água suba a uma altura h em relação ao nível inicial, atingindo novamente o equilíbrio hidrostático, conforme pode ser observado na figura (B). Qual a expressão que descreve corretamente a relação entre H e h? 

Diagrama de vasos comunicantes em dois quadros. (A) Tubo em U com água. (B) Lado esquerdo preenchido com óleo até altura H e lado direito com água até altura h.

Adote: a densidade da água igual a 1 g/cm3 e a densidade do óleo igual a 0,8 g/cm3. 

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: B

Em equilíbrio hidrostático, dois pontos situados na mesma altura e pertencentes ao mesmo líquido em comunicação apresentam a mesma pressão. Por isso, podemos comparar as pressões nos pontos X e Y, localizados no mesmo nível dentro da água:

Diagrama de vasos comunicantes em formato de U com dois tubos verticais conectados na base. O tubo à esquerda tem altura H e nível h no ponto X. O tubo à direita tem altura h no ponto Y. Ambos estã...

A pressão no ponto X é formada pela pressão atmosférica, pela pressão exercida pela coluna de óleo de altura H + h e pela aceleração da gravidade. A altura da coluna de óleo é H + h porque o óleo é colocado até uma altura H acima do nível inicial, enquanto a interface entre o óleo e a água desce uma distância h em relação a esse nível.

No ponto Y, a pressão é formada pela pressão atmosférica e pela coluna de água de altura 2h. Isso ocorre porque, enquanto a água sobe h em um ramo, ela desce h no outro, mantendo o volume de água constante; portanto, a diferença vertical entre os níveis da água é h + h = 2h.

Igualando as pressões dos pontos X e Y, obtemos:

\[p_{X} = p_{Y}\] \[\cancel{p_{\text{atm}}} + d_{o} \cancel{g} \left(H + h\right) = \cancel{p_{\text{atm}}} + d_{a} \cancel{g} 2 \text{h}\] \[0.8 \cdot \left(H + h\right) = 1 \cdot 2 \text{h}\] \[0.8 \text{H} + 0.8 \text{h} = 2 \text{h}\] \[0.8 \text{H} = 1.2 \text{h}\] \[H = 1.5 \text{h}\]

Nessas expressões, do representa a densidade do óleo e da representa a densidade da água. Como a densidade do óleo é 0,8 g/cm3 e a da água é 1 g/cm3, a pressão atmosférica e o fator g aparecem nos dois lados da igualdade e podem ser cancelados. Após a distribuição e a reorganização dos termos, obtém-se a relação entre as alturas.

Portanto, a altura da coluna de óleo deve ser 1,5 vez a altura h alcançada pela água:

Alternativa b) H = 1,5 h.

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