Exercícios de Dilatação Linear com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Revise a teoria: resumo de Dilatação linear.

Questões desta lista

Questão 1

AFA 2026

Duas barras lineares, A e B, de coeficientes de dilatação αA e αB, respectivamente, ambas de comprimento inicial igual a L0, são dispostas vertical e paralelamente. Desse modo, ficam separadas por uma distância horizontal também igual a L0, conforme a figura a seguir.

Duas barras verticais paralelas A e B, de comprimento L0, separadas por uma distância horizontal também igual a L0, sobre uma base plana.

Eleva-se, então, a temperatura das duas barras em ∆θ. Nesse momento, é fixada sobre as barras, nos pontos 1 e 2, uma plataforma, formando um plano inclinado, sobre o qual um bloco de dimensões desprezíveis é abandonado, a partir do repouso, no ponto 1, como ilustra a figura seguinte.

Desenho esquemático de duas barras verticais paralelas apoiadas em uma base, conectadas por uma plataforma inclinada nos pontos 1 e 2, com distância L0 entre elas.

Entre o bloco e a superfície da plataforma, os coeficientes de atrito, estático e cinético são iguais a μ. Considere que a temperatura das barras permaneça constante durante todo movimento do bloco e que no local a aceleração da gravidade seja igual a g. Nessas condições, a velocidade do bloco ao passar pelo ponto 2, vale:

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: C

Após o aquecimento, cada barra sofre uma dilatação linear dada por ΔL = L0αΔθ, em que L0 é o comprimento inicial, α é o coeficiente de dilatação linear do material e Δθ é a variação de temperatura. Como as barras têm coeficientes diferentes, suas extremidades superiores apresentam deslocamentos verticais distintos. A diferença entre essas dilatações corresponde à altura que o ponto 1 se eleva em relação ao ponto 2, formando a inclinação da plataforma:

\[h = ΔL_{A} – ΔL_{B} = L_{0} \alpha_{A} Δθ – L_{0} \alpha_{B} Δθ = L_{0} Δθ \left(\alpha_{A} – \alpha_{B}\right)\]

Portanto, a altura vertical entre os pontos 1 e 2 é h = L0Δθ(αA − αB). O bloco parte do repouso no ponto 1 e se desloca até o ponto 2 descendo essa altura. Seja d a distância percorrida sobre a plataforma e β o ângulo de inclinação da plataforma em relação à horizontal. Pela relação trigonométrica no triângulo formado, a projeção horizontal do deslocamento é L0:

\[cosβ = \frac{L_{0}}{d}\]

Isolando a distância percorrida, obtém-se:

\[d = \frac{L_{0}}{cosβ}\]

Agora aplicamos o teorema trabalho–energia. O trabalho realizado pela força de atrito é igual à variação da energia potencial gravitacional somada à variação da energia cinética. Como o bloco parte do repouso, sua energia cinética inicial é nula, e sua energia cinética final é mv2/2. Além disso, o módulo da força de atrito cinético é μN, com N = mg cosβ para o bloco sobre o plano inclinado. Assim, o trabalho do atrito ao longo da distância d é −μmg cosβd, pois o atrito atua em sentido oposto ao movimento:

\[\tau_{\text{Fat}} = ΔE_{\text{pot}} + ΔE_{\text{cin}}\] \[- \mu \cancel{m} gcosβd = – \cancel{m} gh + \frac{\cancel{m} v^{2}}{2}\]

Substituindo nessa expressão a relação d = L0/cosβ, o fator cosβ do atrito é cancelado. Em seguida, substitui-se também a altura h obtida pela diferença entre as dilatações das barras. A massa aparece em todos os termos e pode ser cancelada:

\[- μg \cancel{cosβ} \cdot \frac{L_{0}}{\cancel{cosβ}} = – gL_{0} Δθ \left(\alpha_{A} – \alpha_{B}\right) + \frac{v^{2}}{2}\] \[- 2 μgL_{0} = – 2 gL_{0} Δθ \left(\alpha_{A} – \alpha_{B}\right) + v^{2}\]

Reorganizando a última igualdade para deixar v2 isolado, o termo associado à energia potencial fornece a parcela positiva proporcional à diferença entre os coeficientes de dilatação, enquanto o atrito reduz a velocidade final. Portanto:

\[v = \left\{2 gL_{0} \left[Δθ \left(\alpha_{A} – \alpha_{B}\right) – \mu\right]\right\}^{1 / 2}\]

Logo, a velocidade do bloco ao passar pelo ponto 2 é

alternativa c) (2g L0(∆θ(αA−αB)−μ))1 / 2.

Questão 2

UEA 2025

Pontes geralmente são construídas com segmentos que, dentre várias outras funções, servem para impedir que dilatações térmicas danifiquem suas estruturas. A figura a seguir destaca como se dá a junção dos segmentos de uma ponte.

Considere que o comprimento de um desses segmentos da ponte varie linearmente em função da temperatura, conforme descrito no gráfico.

Com base nos dados apresentados no gráfico, conclui-se que, dada uma variação de temperatura de 20°C, o segmento da ponte dilatará em

Ver resposta e resolução da questão 2

Resposta: D

Para resolver este problema, devemos analisar o comportamento da variação do comprimento do segmento da ponte em relação às mudanças de temperatura, conforme indicado pela relação linear apresentada no gráfico. O fenômeno físico envolvido é a dilatação térmica linear, onde o aumento da temperatura provoca um incremento nas dimensões do material.

A partir da análise dos dados fornecidos pelo gráfico, podemos identificar os valores correspondentes para dois estados térmicos específicos. Ao observarmos o ponto inicial de temperatura em 0°C, verificamos que o comprimento do segmento é de 100 m. Em seguida, ao considerarmos a temperatura de 20°C, o gráfico indica que o novo comprimento atingido pelo segmento é de 100,05 m.

A dilatação térmica, representada pela variação do comprimento, é obtida por meio da diferença entre o comprimento final e o comprimento inicial. Realizando esse cálculo de subtração entre os valores encontrados, chegamos ao resultado de

\[\text{0},\text{05 m}\]

Para que possamos comparar esse valor com as alternativas propostas no enunciado, é necessário realizar a conversão da unidade de metros para centímetros. Sabendo que um metro equivale a 100 centímetros, multiplicamos o valor obtido por essa constante, resultando em

\[\text{5 cm}\]

Portanto, ao passar por uma variação térmica de 20°C, o segmento da ponte sofre uma expansão física de 5 cm, o que valida a alternativa D como a resposta correta para o problema proposto.

Questão 3

FAMERP 2025

Ao se aquecer, em 200 ºC, uma esfera de tungstênio, seu volume aumentou 0,27% em relação ao volume inicial.

Nesse mesmo aquecimento, o diâmetro dessa esfera aumentou, em relação ao diâmetro inicial,

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: B

O aumento de volume informado é relativo ao volume inicial da esfera:

\[ΔV = V_{0} \cdot \gamma \cdot ΔT\]

Nessa relação, \(ΔV\) é a variação de volume, \(V_{0}\) é o volume inicial, \(\gamma\) é o coeficiente de dilatação volumétrica e \(ΔT\) é a variação de temperatura. Como o volume aumentou 0,27% e a temperatura aumentou 200 ºC, isolamos o coeficiente volumétrico:

\[\gamma = \frac{ΔV}{V_{0} \cdot ΔT} = \frac{0.27 \% \cancel{V}}{\cancel{V} \cdot 200^{\circ} \text{C}} = \frac{0.27}{100 \cdot 200^{\circ} \text{C}}\]

O volume inicial aparece tanto no numerador quanto no denominador e, por isso, é cancelado. Além disso, 0,27% corresponde a 0,27 dividido por 100. Assim, obtemos:

\[\gamma = 13.5 \cdot \left(10^{- 6}\right)^{\circ} C^{- 1 }\]

Para um sólido isotrópico, isto é, um sólido que se dilata igualmente em todas as direções, o coeficiente de dilatação volumétrica é igual ao triplo do coeficiente de dilatação linear. Como o diâmetro é uma dimensão linear, devemos utilizar o coeficiente linear \(\alpha\), dado por:

\[\alpha = \frac{\gamma}{3} = \frac{13.5 \cdot 10^{- 6} ^{\circ} C^{- 1}}{3}\]

Dividir o coeficiente volumétrico por 3 fornece o coeficiente de dilatação linear:

\[\alpha = 4.5 \cdot 10^{- 6} ^{\circ} C^{- 1}\]

A variação do diâmetro obedece à lei da dilatação linear. Nessa expressão, \(\Delta D\) representa o aumento do diâmetro e \(D_{0}\) representa seu valor inicial:

\[\Delta D = D_{0} \cdot \alpha \cdot \Delta T\]

Substituindo o coeficiente linear e a variação de temperatura, temos:

\[\Delta D = D \cdot 4.5 \cdot 10^{- 6} ^{\circ} C^{- 1} \cdot 200^{\circ} \text{C}\]

Para determinar o aumento percentual do diâmetro, dividimos a variação do diâmetro pelo diâmetro inicial. As unidades de temperatura se cancelam, restando uma razão adimensional:

\[\frac{\Delta D}{D} = 9 \cdot 10^{- 4} = 0.09 \%\]

Portanto, o diâmetro da esfera aumentou 0,09% em relação ao diâmetro inicial. A alternativa correta é b).

Questão 4

PUC PR 2024

Considere uma barra longa obtida pela soldagem de outras duas barras menores de mesmas secções retas, feitas com dois materiais homogêneos, A e B, sendo que o comprimento da barra feita com o material A é maior do que o comprimento da feita com o material B. A barra longa é apoiada sobre uma cunha exatamente no ponto de junção dos diferentes materiais, conforme mostra a figura a seguir, e fica em equilíbrio nesta posição. A aceleração gravitacional é g e todo o conjunto se encontra a uma mesma temperatura T0.

Esquema de uma barra horizontal composta por dois segmentos: à esquerda, o material A em cinza escuro; à direita, o material B em cinza claro, apoiada sobre uma cunha.

A respeito do descrito, analise as afirmativas a seguir.

I. Metade da massa da barra longa é devida ao material A, e a outra metade ao material B.

II. O material B é mais denso do que o material A.

III. Se o material A possuir maior coeficiente de dilatação térmica que o material B e se considerarmos que o ponto de junção dos materiais continua sempre sobre a cunha, um aumento na temperatura da barra longa fará com que ela gire no sentido anti-horário.

É(são) CORRETA(S) apenas a(s) afirmativa(s):

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: A

A análise das proposições exige a compreensão de conceitos fundamentais de mecânica estática, como o equilíbrio de rotação (torque) e as propriedades termofísicas dos materiais. Vamos examinar cada item detalhadamente.

Quanto à primeira afirmação, ela é incorreta. O enunciado estabelece que o comprimento da seção composta pelo material A é superior ao comprimento da seção do material B. Como ambos os materiais possuem a mesma seção reta, a massa de cada segmento depende diretamente de seu volume e densidade. No entanto, mesmo sem considerar a densidade, o fato de o material A ocupar uma extensão maior da barra impede que sua massa seja igual à do material B apenas por divisão geométrica simples; se tentássemos encontrar o ponto de massa equivalente à metade da massa total, esse ponto não coincidiria com a junção dos materiais, e a distribuição de massa seria assimétrica em relação ao comprimento total.

Em relação à segunda afirmação, ela é verdadeira. Para que a barra permaneça em equilíbrio sobre a cunha posicionada exatamente na junção, o somatório dos torques (ou momentos) em relação ao ponto de apoio deve ser nulo. O torque produzido pelo peso de cada segmento é o produto da força peso pela distância entre o centro de massa desse segmento e o ponto de apoio. Como os materiais possuem seções transversais idênticas, a força peso é proporcional à densidade e ao comprimento. Para que o equilíbrio ocorra com braços de alavanca diferentes — sendo o braço do material A maior que o do material B —, o torque gerado pelo material A deve ser compensado pelo torque do material B. Isso implica que o segmento mais curto (B) deve exercer um torque equivalente ao segmento mais longo (A). Para que um objeto menor gere um torque comparável a um objeto maior, ele deve possuir uma força peso significativamente superior, o que só é possível se o material B for consideravelmente mais denso que o material A.

Por fim, a terceira afirmação também é verdadeira. O fenômeno da dilatação térmica altera o comprimento dos materiais conforme a temperatura aumenta, seguindo a relação de que a variação do comprimento depende do comprimento inicial, do coeficiente de dilatação linear e da variação de temperatura. Se o material A possui um coeficiente de dilatação maior e já detém o maior comprimento inicial, ele sofrerá uma expansão linear muito mais expressiva que o material B. Ao aumentar a temperatura, o centro de massa do material A se deslocará para mais longe do ponto de apoio (a cunha) de forma mais acentuada do que o centro de massa do material B. Esse aumento no braço de alavanca do lado A incrementa o torque gerado por esse segmento, desequilibrando o sistema e provocando uma rotação no sentido anti-horário, que é o sentido de inclinação para o lado de maior comprimento.

Conclui-se, portanto, que as afirmações II e III estão corretas, pois respeitam as leis do equilíbrio de momentos e os princípios da termodinâmica aplicados à dilatação linear.

Questão 5

ITA 2024

Um professor montou um experimento com dois pêndulos simples, com fios de mesmo comprimento. Os pêndulos se mantiveram perfeitamente síncronos, cada qual com período de 2s, em um dia cuja temperatura local era de 10°C. Num outro dia, passados alguns minutos, notou-se que os pêndulos perdiam a sincronicidade. O professor associou tal fenômeno á variação de temperatura local, já que o termômetro do laboratório marcava 30°C naquele dia e que o coeficiente de dilatação térmica dos fios era de a1 = 2×10−5∘ C−1 e a2 = 7×10−5∘ C−1.

Assinale a alternativa que contém a melhor estimativa do intervalo de tempo entre o início do movimento e o instante em que os pêndulos apresentaram uma defasagem de meio ciclo pela primeira vez.

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: B

Para um pêndulo simples, o período de oscilação é determinado pelo comprimento do fio e pela aceleração da gravidade. Como os dois pêndulos tinham o mesmo comprimento inicialmente, eles apresentavam o mesmo período e permaneciam sincronizados. O período inicial, correspondente à temperatura de 10 °C, era:

\[T_{0} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{0}}{g}} = 2 \text{s}\]

Quando a temperatura aumenta de 10 °C para 30 °C, a variação de temperatura é de 20 °C. Os fios sofrem dilatação térmica, mas como possuem coeficientes de dilatação diferentes, seus comprimentos aumentam em proporções diferentes. Consequentemente, os períodos dos pêndulos também passam a ser diferentes.

Para pequenas variações de comprimento, utiliza-se a aproximação segundo a qual o período aumenta aproximadamente à metade da variação relativa do comprimento. Assim, para o primeiro pêndulo, cujo fio tem coeficiente de dilatação α1, obtém-se:

\[T_{1} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{1}}{g}} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{0} \left(1 + \alpha_{1} Δθ\right)}{g}} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{0}}{g}} \sqrt{1 + \alpha_{1} Δθ} \approx 2 \left(1 + \frac{1}{2} \alpha_{1} Δθ\right) = 2 + \alpha_{1} Δθ\]

De modo análogo, para o segundo pêndulo, com coeficiente de dilatação α2, o período após o aquecimento é:

\[T_{2} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{2}}{g}} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{0} \left(1 + \alpha_{2} Δθ\right)}{g}} = 2 \pi \sqrt{\frac{L_{0}}{g}} \sqrt{1 + \alpha_{2} Δθ} \approx 2 \left(1 + \frac{1}{2} \alpha_{2} Δθ\right) = 2 + \alpha_{2} Δθ\]

A diferença entre os períodos resulta exclusivamente da diferença entre os coeficientes de dilatação. Substituindo os valores fornecidos, com α1 = 2 × 10−5 °C−1, α2 = 7 × 10−5 °C−1 e Δθ = 20 °C, temos:

\[ΔT = 2 + \alpha_{2} Δθ – \left(2 + \alpha_{1} Δθ\right) = \left(\alpha_{2} – \alpha_{1}\right) Δθ = \left(7 \cdot 10^{- 5} – 2 \cdot 10^{- 5}\right) \cdot 20 = 10^{- 3 }\]

Portanto, a diferença entre os períodos é de aproximadamente 10−3 s. Isso significa que, a cada oscilação, um dos pêndulos adianta-se em relação ao outro por esse intervalo de tempo. Inicialmente, a diferença acumulada é nula, mas ela cresce progressivamente a cada ciclo.

Para que ocorra uma defasagem de meio ciclo, é necessário que a diferença acumulada entre os movimentos seja igual à metade do período inicial. Como o período é de 2 s, meio ciclo corresponde a 1 s:

\[2 \text{s} – 10^{- 3} \text{s}\]

Assim, a defasagem acumulada aumenta em 10−3 s por ciclo. O número de ciclos necessário para acumular 1 s é determinado por:

\[\Delta t – 1 \text{s}\]

Como cada ciclo dura aproximadamente 2 s, o tempo total correspondente a essa defasagem é:

\[\Delta t = 2000 \text{s} \cong 33 \text{min}\]

Logo, o intervalo de tempo estimado entre o início do movimento e a primeira defasagem de meio ciclo é de aproximadamente 33 minutos. Portanto, a alternativa correta é b) 33 min.

Questão 6

Escola Naval 2024

Uma barra fina de alumínio, de massa m = 0,10 kg, foi apoiada na posição horizontal entre duas paredes verticais. Em um dia de inverno, na condição de equilíbrio térmico com a temperatura ambiente (aproximadamente 15°C), a barra possui comprimento L e fica no limite de deslizar verticalmente pelas paredes. Em um dia típico de verão, condição de equilíbrio térmico (aproximadamente 35°C), é possível notar que a barra está mais rígida, devido ao aumento da força F exercida pelas paredes nas extremidades da barra, cuja área da seção reta é igual a A. Em engenharia, a razão F/A é denominada “tensão”, e é calculada por meio da expressão F / A = Y(ΔL / L), onde Y é o módulo de Young do material (em unidades de Pa). Assinale a opção que apresenta ao valor mais próximo da razão F/A em pascal, exercida pelas paredes sobre as extremidades da barra de alumínio que é responsável, exclusivamente, pelo impedimento da dilatação da barra.

Dados: YAℓ = 7,0×1010 Pa; aAℓ = coeficiente de dilatação linear do Alumínio = 2,4×10−5∘ C−1, e considere desprezível a variação da área da seção reta da barra para essa variação de temperatura.

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: D

A tensão solicitada é a tensão adicional produzida exclusivamente pela restrição à dilatação térmica da barra. Portanto, não é necessário utilizar a massa da barra nem a condição de limite de deslizamento: essas informações estão relacionadas às forças de contato necessárias para sustentá-la, mas a questão pede apenas a parcela associada ao impedimento da dilatação quando a temperatura aumenta.

A variação de temperatura entre o inverno e o verão é dada pela diferença entre as temperaturas de equilíbrio térmico:

Δθ = 35 °C − 15 °C = 20 °C

Se a barra estivesse livre, sua dilatação linear seria ΔL = LαAlΔθ. Como as paredes impedem essa dilatação, essa deformação térmica é a deformação que aparece na expressão da tensão. Assim, substitui-se a razão ΔL/L pela deformação térmica αAlΔθ. A própria razão L/L se cancela:

Utilizando a equação dada, chegamos a:

\[\frac{F}{A} = Y_{A \mathcal{l}} \frac{ΔL}{L} = Y_{A \mathcal{l}} \frac{\cancel{L} \alpha_{\text{Al}} Δθ}{L} = Y_{A \mathcal{l}} \alpha_{A \mathcal{l}} Δθ\]

Nessa expressão, YAl é o módulo de Young do alumínio, αAl é o coeficiente de dilatação linear do alumínio e Δθ é a variação de temperatura. Como o coeficiente de dilatação é dado em °C−1, a unidade de temperatura pode ser expressa em graus Celsius nessa multiplicação. O produto final terá unidade de pascal, pois o módulo de Young já é fornecido em pascal.

Substituindo os valores fornecidos, YAl = 7,0 × 1010 Pa, αAl = 2,4 × 10−5 °C−1 e Δθ = 35 − 15, obtém-se:

\[\frac{F}{A} = 7 \cdot 10^{10} \cdot 2.4 \cdot 10^{- 5} \cdot \left(35 – 15\right)\]

Numericamente, 7,0 × 2,4 × 20 = 336 e, combinando as potências de dez, 1010 × 10−5 = 105. Portanto, o resultado é aproximadamente 336 × 105 Pa, que pode ser escrito como 3,36 × 107 Pa e arredondado para dois algarismos significativos:

\[\frac{F}{A} \cong 3.4 \cdot 10^{7} \text{Pa}\]

Logo, a razão entre a força de restrição e a área da seção reta é aproximadamente 3,4 × 107 Pa. Portanto, a alternativa correta é d).

Questão 7

UFRGS 2023

Sejam dois bastões, A e B, feitos de metais diferentes. Seus coeficientes de dilatação térmica linear são tais que o coeficiente de A vale o dobro do coeficiente de B. Inicialmente, A e B têm o mesmo comprimento.

Após sofrerem, simultaneamente, o mesmo aumento de temperatura, a razão entre o novo comprimento de A e o novo comprimento de B será

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: E

A dilatação térmica linear de um bastão é descrita pela relação

\[L = L_{0} \left(1 + \alpha \Delta \theta\right)\]

Nessa expressão, \(L\) representa o comprimento final do bastão, \(L_{0}\) é o comprimento inicial, \(\alpha\) é o coeficiente de dilatação térmica linear do material e \(\Delta \theta\) é a mesma variação de temperatura sofrida pelos dois bastões.

Como os bastões tinham inicialmente o mesmo comprimento, podemos representar esse comprimento inicial por \(L_{0}\) para ambos. Além disso, o coeficiente de dilatação de A é o dobro do coeficiente de B, portanto \(\alpha_{A}\) pode ser substituído por \(2 \alpha_{B}\). Assim, a razão entre os comprimentos finais é

\[\frac{L_{A}}{L_{B}} = \frac{\cancel{L_{0}} \left(1 + \alpha_{A} Δθ\right)}{\cancel{L_{0}} \left(1 + \alpha_{B} Δθ\right)} = \frac{1 + 2 \alpha_{B} Δθ}{1 + \alpha_{B} Δθ}\]

O fator \(L_{0}\) aparece tanto no numerador quanto no denominador porque os comprimentos iniciais são iguais. Por isso, ele pode ser cancelado. Em seguida, a relação \(\alpha_{A} = 2 \alpha_{B}\) é utilizada no numerador.

Como \(\alpha_{B}\) e \(\Delta \theta\) são números positivos não nulos, podemos ilustrar a razão atribuindo, por exemplo, os valores \(\alpha_{B} = \Delta \theta = 1\). Nesse caso, obtemos

\[\frac{L_{A}}{L_{B}} = \frac{1 + 2}{1 + 1} = 1.5\]

Esse valor é maior que 1 e menor que 2. De modo geral, como o bastão A possui maior coeficiente de dilatação e ambos sofrem o mesmo aumento de temperatura, A se dilata mais que B. Entretanto, a razão não chega a 2, pois os dois comprimentos finais ainda contêm o mesmo comprimento inicial e o termo correspondente à dilatação de B no denominador.

Portanto, a razão entre o novo comprimento de A e o novo comprimento de B é maior que 1 e menor que 2. A alternativa correta é e).

Questão 8

UFPR 2023

Na(s) questão(ões), as medições são feitas por um referencial inercial. O módulo da aceleração gravitacional é representado por g. Onde for necessário, use g = 10 m/s2 para o módulo da aceleração gravitacional.

Uma barra metálica retilínea tem um comprimento inicial L0, a uma temperatura T0. O material do qual a barra é feita tem um coeficiente de dilatação linear térmico de valor α = 5×10−6°C−1. Considerando as informações apresentadas, assinale a alternativa que apresenta corretamente o valor da variação de temperatura ΔT necessária para que essa barra apresente uma variação ΔL em seu comprimento igual a 0,2% de seu comprimento inicial.

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: B

Para a dilatação linear de uma barra, utiliza-se a relação entre a variação de comprimento, o comprimento inicial, o coeficiente de dilatação linear e a variação de temperatura:

\[\Delta = L_{0} αΔT\]

Nessa expressão, a variação de comprimento é proporcional ao comprimento inicial da barra, ao coeficiente de dilatação linear do material e à variação de temperatura. Como a questão informa que a variação de comprimento corresponde a 0,2% do comprimento inicial, convertemos essa porcentagem para a forma decimal:

0,2% = 0,002 = 2 × 10−3

Assim, a variação de comprimento pode ser representada por 2 × 10−3 do comprimento inicial. Substituindo esse valor e o coeficiente α = 5 × 10−6 °C−1 na relação da dilatação linear, obtemos:

\[2 \cdot 10^{- 3} \cancel{L_{0}} = \cancel{L_{0}} \cdot 5 \cdot 10^{- 6} \cdot ΔT\]

O comprimento inicial aparece multiplicando os dois lados da igualdade. Por isso, ele pode ser cancelado, desde que seja diferente de zero. Restam, então, apenas a fração relativa de dilatação, o coeficiente de dilatação e a variação de temperatura. Isolando ΔT, dividimos 2 × 10−3 por 5 × 10−6. A divisão das potências de dez resulta em 103, e 2 dividido por 5 corresponde a 0,4, produzindo 400.

\[ΔT = 400^{\circ} \text{C}\]

Logo, a variação de temperatura necessária é de 400 °C. Portanto, a alternativa correta é b) ΔT = 400∘ C.

Questão 9

UFGD 2023

Em um laboratório de alta tecnologia, um cientista desenvolveu resistores cujos valores de resistência elétrica são descritos por funções matemáticas que dependem, única e exclusivamente, da temperatura T ambiente (em Kelvin). A figura a seguir mostra um circuito elétrico que possui três desses resistores e uma fonte de corrente contínua.

Circuito elétrico com uma fonte de tensão de 55V em série com um resistor A, que por sua vez está conectado em paralelo a dois resistores B.

Nesse circuito elétrico, os valores dos resistores A e B são obtidos, respectivamente, pelas expressões RA(T) = T2 e RB(T) = T. Desprezando-se quaisquer efeitos de supercondutividade e semicondutividade a baixas temperaturas, qual o valor correto da temperatura ambiente, quando a corrente elétrica que passa em cada resistor associado em paralelo é de 1 A?

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: A

Como os dois resistores B estão associados em paralelo e a corrente em cada um deles é de 1 A, a corrente total que atravessa o trecho em paralelo é a soma das correntes dos dois ramos:

\[I = i + i\] \[I = 1 + 1\] \[I = 2 \text{A}\]

Portanto, a corrente total fornecida pela fonte é 2 A. A resistência equivalente do circuito é formada pela resistência do resistor A, que está em série com a associação em paralelo dos dois resistores B. Para dois resistores de mesmo valor \(R_{B}\) em paralelo, a resistência equivalente é \(\frac{R_{B}}{2}\).

Aplicando a lei de Ohm-Pouillet, que relaciona a tensão total \(U\), a resistência equivalente \(R_{\text{eq}}\) e a corrente total \(I\), utiliza-se \(U = R_{\text{eq}} I\). De acordo com o circuito, a tensão da fonte é 55 V. Como \(R_{A} = T^{2}\) e \(R_{B} = T\), a relação entre a tensão, a temperatura e a corrente é:

\[\begin{array}{l}U = R_{\text{eq}} I \\ U = \left(R_{A} + \frac{R_{B}}{2}\right) I \\ U = \left(T^{2} + \frac{T}{2}\right) I \\ 55 = \left(\frac{2 T^{2} + T}{\bcancel{2}}\right) \bcancel{2}\end{array}\] \[\begin{array}{l}2 T^{2} + T – 55 = 0 \\ T = \frac{- 1 \pm \sqrt{1^{2} – 4 \left(2\right) \left(- 55\right)}}{2 \cdot 2} = \frac{- 1 \pm \sqrt{441}}{4} \\ T = \frac{- 1 \pm 21}{4}\end{array}\] \[< \begin{matrix}T_{1} = \frac{- 1 + 21}{4} \Rightarrow \boxed{T_{1} = 5 \text{K}} \\ T_{2} = \frac{- 1 – 21}{4} \Rightarrow T_{2} = – 5.5 \text{K} \left(\right. absurdo !!!)\end{matrix}\]

A equação do segundo grau fornece duas raízes matemáticas. Entretanto, a temperatura absoluta é expressa em kelvin e, portanto, não pode assumir valor negativo. Assim, a raiz −5,5 K é fisicamente inadmissível, restando T = 5,0 K.

Logo, a temperatura ambiente correta é 5,0 K, correspondente à alternativa a.

Questão 10

UFGD 2023

Na construção da ferrovia de 1.284 km, que ligará Maracaju-MS, principal produtor de grãos de Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá-PR, serão utilizados trilhos de 6 metros de comprimento (à temperatura de 20 °C). Para que a dilatação desses trilhos não danifique a ferrovia em dias quentes, é necessário que os trilhos sejam montados com uma certa distância entre eles. Considerando-se que a temperatura máxima atingida pelos trilhos, no dia mais quente já registrado, seja de 60 °C, e que, nessa temperatura, os trilhos encostem um no outro, quantos trilhos de aço, cujo coeficiente de dilatação linear é 1,25×10−5(∘ C)−1, são necessários para construir os dois carris paralelos dessa ferrovia?

Ver resposta e resolução da questão 10

Resposta: C

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Física]

O problema envolve a dilatação linear dos trilhos. Quando a temperatura aumenta, o comprimento do trilho também aumenta. Essa variação é calculada por meio da expressão do comprimento final:

\[L = L_{0} \left(1 + \alpha \Delta T\right)\]

Nessa relação, L é o comprimento do trilho após o aquecimento, L0 é o comprimento inicial, α é o coeficiente de dilatação linear do aço e ΔT é a variação de temperatura. Como os trilhos têm inicialmente 6 m e a temperatura varia de 20 °C para 60 °C, a variação térmica é de 40 °C. Assim:

\[L = 6 \left[1 + 1.25 \times 10^{- 5} \left(60 – 20\right)\right]\]

O termo entre parênteses representa o fator pelo qual o comprimento inicial deve ser multiplicado para considerar a dilatação. Efetuando essa substituição, obtém-se:

\[L = 6.003 \text{m}\]

Portanto, quando a temperatura atingir 60 °C, cada trilho poderá atingir o comprimento máximo de 6,003 m. A distância de 1.284 km corresponde a 1.284.000 m. Como existem dois carris paralelos, o comprimento total de trilhos necessário é o dobro dessa distância. Se N representa a quantidade total de trilhos, então:

\[NL = 2 D\]

Isolando N, divide-se o comprimento total dos dois carris pelo comprimento máximo de cada trilho:

\[N = \frac{2 D}{L} = \frac{2 \times 1.284 . 000}{6.003}\]

O resultado é:

\[N = 427.786\]

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Matemática]

Também é possível determinar primeiro quanto cada trilho se dilata para cada aumento de 1 °C. Multiplica-se o coeficiente de dilatação linear pelo comprimento inicial do trilho:

\[1.25 \times 10^{- 5} \cdot 6 \text{m} = 7.5 \times 10^{- 5}\]

Isso significa que, para cada aumento de 1 °C, o trilho aumenta seu comprimento em 7,5 × 10−5 m. Como o aumento total de temperatura é de 40 °C, a dilatação máxima de cada trilho é:

\[\left(60 – 20\right) \cdot 7.5 \times 10^{- 5} = 0.003 \text{m}\]

Assim, o aumento de comprimento de cada trilho é de 0,003 m. Somando essa dilatação ao comprimento inicial de 6 m, cada trilho poderá chegar a 6,003 m.

Como a ferrovia possui dois carris paralelos, a quantidade de trilhos é calculada multiplicando por 2 o comprimento da ferrovia e dividindo pelo comprimento máximo de cada trilho:

\[\text{2}\times \frac{1284.000 \text{m}}{6.003 \text{m}} \simeq 427.786\]

Logo, são necessários 427.786 trilhos de aço para construir os dois carris paralelos. Portanto, a alternativa correta é a c).

Curso do professor Bruno Fernandes

Vai fazer Medicina na Souza Marques?

Preparação focada na prova da Souza Marques.

Conhecer o curso