Exercícios de Potencial elétrico com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Revise a teoria: resumo de Potencial Elétrico e resumo de Condutor eletrizado.

Questões desta lista

Questão 1

UFPR 2026

Dispõem-se de dois capacitores, de capacitâncias c1 e c2, respectivamente. O primeiro é submetido a uma tensão ΔV1 e o segundo, a uma tensão ΔV2. Sabendo que c1 = 3c2 e ΔV1 = 2ΔV2, determine a razão U2 / U1 entre as energias U2 e U1 armazenadas por cada capacitor. 

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: E

A energia elétrica armazenada em um capacitor depende da capacitância e do quadrado da diferença de potencial aplicada. Essa relação é expressa por

\[U = \frac{C \cdot \left(ΔV\right)^{2}}{2}\]

Nessa expressão, U representa a energia armazenada, medida em joules; C é a capacitância, medida em farads; e\(\left(ΔV\right)\)é a diferença de potencial entre as armaduras do capacitor, medida em volts. Como a tensão aparece elevada ao quadrado, uma alteração na tensão produz uma alteração quadrática na energia.

Aplicando essa expressão aos dois capacitores, a razão entre as energias é obtida dividindo-se a energia do capacitor 2 pela energia do capacitor 1:

\[\frac{U_{2}}{U_{1}} = \frac{\frac{C_{2} \cdot \left(ΔV_{2}\right)^{2}}{\cancel{2}}}{\frac{C_{1} \cdot \left(ΔV_{1}\right)^{2}}{\cancel{2}}}\] \[\frac{U_{2}}{U_{1}} = \frac{C_{2} \cdot \left(ΔV_{2}\right)^{2}}{C_{1} \cdot \left(ΔV_{1}\right)^{2}} \rightarrow_{ΔV_{1} = 2 ΔV_{2}}^{C_{1} = 3 C_{2}}\] \[\frac{U_{2}}{U_{1}} = \frac{C_{2} \cdot \left(ΔV_{2}\right)^{2}}{3 C_{2} \cdot \left(2 ΔV_{2}\right)^{2}} = \frac{\cancel{C_{2}} \cdot \cancel{\left(ΔV_{2}\right)^{2}}}{12 \cancel{C_{2}} \cdot \cancel{\left(ΔV_{2}\right)^{2}}} \frac{U_{2}}{U_{1}} = \frac{1}{12}\]

Na primeira passagem, os fatores\(2\)presentes no denominador de cada energia se cancelam, pois aparecem tanto no numerador quanto no denominador da razão. Em seguida, utilizam-se as relações fornecidas no enunciado:\(C_{1} = 3 C_{2}\)e\(ΔV_{1} = 2 ΔV_{2}\). Assim, o denominador contém o fator 3 proveniente da capacitância e o fator\(2^{2} = 4\)proveniente do quadrado da tensão. O produto desses fatores é\(3 \cdot 4 = 12\).

Portanto, a energia armazenada no segundo capacitor corresponde a um doze avos da energia armazenada no primeiro. Logo, a alternativa correta é e), pois

\[\frac{U_{2}}{U_{1}} = \frac{1}{12}\]

Questão 2

UECE 2026

Dispositivos de aceleração linear (linacs) aumentam a energia cinética de partículas carregadas, fazendo-as atravessar sucessivos “gaps” onde existe uma diferença de potencial elétrica. Em cada gap, uma partícula de carga q recebe um acréscimo em sua energia elétrica de  q∆Vk, onde ∆Vk é a diferença de potencial entre as placas do k-ésimo gap. Sendo assim, considere uma partícula de massa m e carga q, inicialmente em repouso, que atravessa N gaps idênticos em um linac. Além disso, suponha que os gaps foram projetados de modo que as diferenças de potencial ∆Vk tenham um ajuste geométrico, ou seja, ∆Vk = ∆vrk-1 para k = 1, 2, …, N, com r > 0. Nessa última relação, ∆V representa um acréscimo constante no potencial. Ademais, medindo-se a velocidade da partícula imediatamente após o N-ésimo gap, obtém-se U. Com base nesses dados, a razão carga/massa q/m da partícula vale

Nota: Admita que não há perdas por radiação nem por colisões e que as velocidades permanecem em regime não relativístico durante todo o processo.

Ver resposta e resolução da questão 2

Resposta: B

Esta questão é resolvida pelo Teorema do Trabalho–Energia Cinética, segundo o qual o trabalho resultante realizado sobre uma partícula é igual à variação de sua energia cinética. Como o enunciado informa que não existem perdas por radiação nem por colisões, o trabalho realizado pelos campos elétricos nos gaps é integralmente convertido em energia cinética da partícula.

Em cada gap, a partícula de carga q atravessa uma diferença de potencial ΔVk. Conforme informado no enunciado, o trabalho associado a esse gap é o produto da carga pela diferença de potencial. Portanto, considerando os N gaps, o trabalho total é a soma dos trabalhos individuais:

\[W = \sum_{k = 1}^{N} q \cdot ΔV_{k} = q \sum_{k = 1}^{N} ΔV_{k}\]

O fator q é constante para todos os gaps e, por isso, pode ser colocado em evidência. A soma que permanece corresponde à soma das diferenças de potencial aplicadas nos gaps.

O enunciado estabelece que essas diferenças de potencial formam uma progressão geométrica, cujo primeiro termo é ΔV e cuja razão é r. Assim, o k-ésimo termo é:

\[ΔV_{k} = ΔV \cdot r^{k – 1}\]

Isso significa que, para k igual a 1, obtém-se o primeiro termo ΔV, pois r0 é igual a 1. A soma dos N termos dessa progressão geométrica, para r diferente de 1, é:

\[S_{N} = ΔV \cdot \left(\frac{r^{N} – 1}{r – 1}\right)\]

Substituindo essa soma na expressão do trabalho total, resulta:

\[W = q \cdot S_{N}\] \[W = q \cdot ΔV \cdot \left(\frac{r^{N} – 1}{r – 1}\right)\]

A expressão anterior representa o trabalho total realizado pela ação elétrica ao longo dos N gaps. O fator entre parênteses contabiliza o efeito da progressão geométrica dos potenciais, enquanto qΔV representa a escala de energia associada ao primeiro gap.

Agora, analisemos a variação da energia cinética. A partícula parte do repouso, portanto sua velocidade inicial é zero e sua energia cinética inicial também é nula. Após atravessar o último gap, sua velocidade é U. Logo:

\[ΔK = K_{\text{final}} – K_{\text{inicial}} = \frac{1}{2} mU^{2} – 0\] \[ΔK = \frac{1}{2} mU^{2}\]

Nessa expressão, m é a massa da partícula e U é sua velocidade final. A hipótese de regime não relativístico permite utilizar a expressão usual da energia cinética, igual a metade do produto da massa pelo quadrado da velocidade.

Pelo Teorema do Trabalho–Energia Cinética, o trabalho total é igual à variação da energia cinética:

\[W = ΔK\] \[q \cdot ΔV \cdot \left(\frac{r^{N} – 1}{r – 1}\right) = \frac{1}{2} mU^{2}\]

Para determinar a razão carga/massa, dividimos a igualdade por m e reorganizamos os fatores de modo a deixar q/m isolado. Inicialmente, obtém-se:

\[\frac{q}{m} = \frac{1}{2} \frac{U^{2}}{ΔV \cdot \left(\frac{r^{N} – 1}{r – 1}\right)}\] \[\frac{q}{m} = \frac{U^{2} \left(r – 1\right)}{2 ΔV \cdot \left(r^{N} – 1\right)}\]

Na última forma, o fator r − 1, que estava no denominador da soma da progressão geométrica, passa para o numerador. Assim, a razão carga/massa depende da velocidade final ao quadrado e é inversamente proporcional à soma efetiva das diferenças de potencial aplicadas nos gaps.

Portanto, a expressão obtida corresponde à alternativa b):

U2(r − 1) / [2ΔV(rN − 1)]

Questão 3

UECE 2026

Um entusiasta em eletrônica possui a sua disposição uma caixa com capacitores comerciais dos tipos A e B. Os capacitores do tipo A e do tipo B apresentam, respectivamente, em seus corpos as especificações 100μF / 25V e 1000μF / 25V. Ao retirar da caixa M capacitores do tipo A e N capacitores do tipo B, o entusiasta desenvolve dois experimentos simples. No primeiro experimento, mede a capacitância equivalente de um circuito obtido a partir da associação, em paralelo, de todos os capacitores, resultando em 2300μf. No segundo experimento, com todos os capacitores ligados em série, obtém, a partir do circuito montado, uma capacitância equivalente de 31,25μF.

Considere os valores dos capacitores como exatos e ideais (sem tolerância), todos em perfeito estado, e que todas as unidades foram efetivamente utilizadas nas associações.

Com base nos resultados obtidos pelo entusiasta, a razão M/N é dada por

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: C

Associação de capacitores em paralelo

Quando capacitores ideais são ligados em paralelo, todos ficam submetidos à mesma diferença de potencial, e a capacitância equivalente é obtida pela soma das capacitâncias individuais. Como há M capacitores do tipo A, cada um com capacitância de 100 μF, e N capacitores do tipo B, cada um com capacitância de 1000 μF, a capacitância total em paralelo é a soma de M parcelas de 100 μF com N parcelas de 1000 μF.

\[M \left(100 μF\right) + N \left(1000 μF\right) = C_{eq \left(paralelo\right)}\]

O enunciado informa que a capacitância equivalente nessa associação é 2300 μF. Portanto:

\[M \left(100 μF\right) + N \left(1000 μF\right) = 2300 μF\]

Como todos os termos possuem a unidade μF, ela pode ser suprimida durante a manipulação algébrica. Assim, a expressão fica:

\[100 M + 1000 \text{N} = 2300\]

Dividindo todos os termos por 10, obtemos uma forma mais simples da primeira equação:

\[10 M + 100 \text{N} = 230 \left(eq 1\right)\]

Associação de capacitores em série

Quando capacitores são ligados em série, a capacitância equivalente não é a soma direta das capacitâncias. Nesse caso, soma-se o inverso de cada capacitância, e o resultado é igual ao inverso da capacitância equivalente. Como há M capacitores iguais ao tipo A, a contribuição deles é M vezes o inverso de 100 μF. Analogamente, os N capacitores do tipo B contribuem com N vezes o inverso de 1000 μF.

\[\frac{M}{100 μF} + \frac{N}{1000 μF} = \frac{1}{C_{eq \left(série\right)}}\]

O segundo experimento fornece uma capacitância equivalente de 31,25 μF. Substituindo esse valor na relação para a associação em série:

\[\frac{M}{100 μF} + \frac{N}{1000 μF} = \frac{1}{31.25 μF}\]

Para eliminar os denominadores, escrevemos o primeiro termo com denominador 1000 μF. Como 1000 é dez vezes 100, o numerador correspondente passa a ser 10M. Além disso, o inverso de 31,25 μF pode ser escrito como 32 dividido por 1000 μF, pois 31,25 multiplicado por 32 é igual a 1000.

\[\frac{10 M}{\cancel{1000 μF}} + \frac{N}{\cancel{1000 μF}} = \frac{32}{\cancel{1000 μF}}\]

Como os três termos têm o mesmo denominador, esses denominadores podem ser cancelados. Resulta, então, a segunda equação:

\[10 M + N = 32 \left(eq 2\right)\]

As duas medições produziram, portanto, o seguinte sistema de equações lineares:

\[\begin{array}{l}\begin{cases} 10 M + 100 \text{N} = 230 \\ 10 M + N = 32 \end{cases}\end{array}\]

Para eliminar o termo 10M, subtraímos a equação (2) da equação (1). Isso significa subtrair os membros correspondentes das duas igualdades:

\[\begin{array}{l}\begin{cases} 10 M + 100 \text{N} = 230 \\ – 10 M – N = – 32 \end{cases}\end{array}\]

Os termos com M se cancelam. No lado esquerdo, resta 100N − N, isto é, 99N; no lado direito, 230 − 32 resulta em 198:

\[99 \text{N} = 198\]

Dividindo ambos os lados por 99, encontramos o número de capacitores do tipo B:

\[N = \frac{198}{99} \text{N} = 2\]

Agora, substituímos N = 2 na equação (2), porque essa equação contém apenas uma incógnita restante, M:

\[10 M + N = 32\] \[10 M + 2 = 32\]

Subtraindo 2 dos dois lados, obtemos:

\[10 M = 30\]

Por fim, dividindo os dois lados por 10, determinamos o número de capacitores do tipo A:

\[M = \frac{30}{10} M = 3\]

Assim, foram utilizados M = 3 capacitores do tipo A e N = 2 capacitores do tipo B. A razão solicitada é:

\[\frac{M}{N} = \frac{3}{2}\]

Logo, a resposta correta é a alternativa c) 3/2.

Questão 4

PUC RJ 2026

Três cargas pontuais, de mesmo módulo Q, se encontram nos vértices de um triângulo equilátero de lado L. Duas das cargas têm cargas iguais a +Q, e a terceira tem carga igual a -Q. A energia eletrostática do sistema é E1. Substituindo-se uma das cargas +Q por uma carga -Q, a energia eletrostática do sistema passa a ser E2.

Qual é a razão E2/E1?

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: C

A energia eletrostática de um sistema de cargas pontuais é obtida somando a energia associada a cada par de cargas. Como o triângulo é equilátero, todas as separações entre as cargas são iguais a L. Assim, cada par contribui com\(\frac{k q_{i} q_{j}}{L}\), em que k é a constante eletrostática.

Na configuração inicial, as cargas são +Q, +Q e −Q. Os três pares de cargas são:

Triângulo equilátero com vértices contendo as cargas +Q no topo, +Q à esquerda e -Q à direita. Os lados do triângulo medem L.

\(\left(+ Q\right) \left(+ Q\right) = + Q^{2}\)
\(\left(+ Q\right) \left(- Q\right) = – Q^{2}\)
\(\left(+ Q\right) \left(- Q\right) = – Q^{2}\)

A soma dos produtos das cargas é, portanto, +Q2 − Q2 − Q2 = −Q2. Logo, a energia inicial é\(E_{1} = – \frac{k Q^{2}}{L}\).

Após substituir uma das cargas +Q por −Q, a configuração passa a ser formada por duas cargas −Q e uma carga +Q.

Triângulo equilátero com vértices contendo as cargas +Q, -Q e -Q, onde cada lado possui comprimento L.

Novamente, há um par de cargas negativas, cujo produto é +Q2, e dois pares com sinais opostos, cada um com produto −Q2. A soma permanece igual a −Q2, de modo que\(E_{2} = – \frac{k Q^{2}}{L}\).

As duas energias têm o mesmo valor algébrico. Portanto, a razão entre elas é\(\frac{E_{2}}{E_{1}} = 1\).

Questão 5

EFOMM 2026

Utilize o valor g = 10 m/s2 para a aceleração da gravidade, a menos que seja determinado o contrário em alguma questão

Um condutor esférico de raio desprezível, carregado positivamente com carga Q, está fixado ao solo horizontal em um ponto O, sendo considerado uma carga puntiforme. Uma carga de prova q > 0, de massa m, é inicialmente colocada em repouso no ponto A do solo, localizado a uma distância d do ponto O. A partir do ponto A, inicia-se uma rampa retilínea cujo menor ângulo com a horizontal vale θ. Seja B um ponto da rampa também situado à distância d de A. A carga q é liberada e sobe pela rampa sob a ação da força elétrica repulsiva proveniente de Q e da força gravitacional. 

Desprezando qualquer tipo de atrito ou dissipação, determine o módulo da velocidade da carga q ao chegar ao ponto B em função dos dados do problema 


Dados: constante eletrostática k, aceleração da gravidade g. 

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: D

Como não há atrito nem qualquer outra força dissipativa, a energia mecânica da carga permanece constante durante o movimento. Assim, a energia mecânica no ponto A é igual à energia mecânica no ponto B:

1. Energia mecânica no ponto A

No ponto A, a carga é abandonada em repouso. Portanto, sua velocidade inicial é nula e sua energia cinética também é nula \(\left(\right. v_{A} = 0\)
\(E_{C \left(A\right)} = 0 \left.\right)\). Além disso, A está no nível do solo, que será tomado como nível de referência para a energia potencial gravitacional. Logo, \(\left(\right. h_{A} = 0\)

\[E_{pg \left(A\right)} = 0 \left.\right) .\]

A única energia potencial presente em A é a energia potencial eletrostática associada à interação entre as cargas positivas Q e q. Como a distância entre O e A é d, essa energia é:

\[E_{A} = \frac{kQq}{d}\]

Essa expressão é positiva porque Q e q têm o mesmo sinal. Portanto, a energia mecânica inicial é \(E_{A}\).

2. Geometria e distância entre O e B

Para determinar a energia potencial eletrostática em B, é necessário calcular a distância entre B e O. Os segmentos OA e AB têm comprimento d. O ângulo interno do triângulo OAB em A é \(180 \circ – \theta\), pois θ é o ângulo externo formado pela rampa e pela horizontal.

Aplicando a lei dos cossenos ao triângulo OAB:

\[\left(\bar{OB}\right)^{2} = d^{2} + d^{2} – 2 d^{2} \cdot cos \left(180 \circ – \theta\right)\] \[\left(\bar{OB}\right)^{2} = 2 d^{2} \left(1 – cos \left(180 \circ – \theta\right)\right)\]

Usamos agora a identidade trigonométrica para o cosseno da diferença de dois ângulos:

\[cos \left(a – b\right) = cos a \cdot cos b + sen a \cdot sen b ,\]

Como \(cos 180 \circ = – 1\) e \(sen 180 \circ = 0\), resulta:

\[cos \left(180 \circ – \theta\right) = cos 180 \circ \cdot cos \theta + sen 180 °⋅ sen \theta \rightarrow_{sen 180 \circ = 0}^{cos 180 \circ = – 1} cos \left(180 \circ – \theta\right) = – cos \theta\]

Substituindo esse resultado na lei dos cossenos:

\[\left(\bar{OB}\right)^{2} = 2 d^{2} \left(1 – cos \left(180 \circ – \theta\right)\right) = 2 d^{2} \left(1 – \left(- cos \theta\right)\right)\] \[\left(\bar{OB}\right)^{2} = 2 d^{2} \left(1 + cos \theta\right)\] \[\bar{OB} = \sqrt{2 d^{2} \left(1 + cos \theta\right)} = d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}\]

Assim, a distância entre a carga Q e a carga q quando q está em B é \(\bar{OB} = d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}\).

3. Energias no ponto B

A energia potencial eletrostática em B é obtida dividindo kQq pela distância OB:

\[E_{pe \left(B\right)} = \frac{kQq}{\bar{OB}} = \frac{kQq}{d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}}\]

A altura de B em relação ao solo é a componente vertical do segmento AB. Como AB tem comprimento d:

\[sen \theta = \frac{h}{d}\] \[h = d \cdot sen \theta\]

Logo, a energia potencial gravitacional em B é:

\[E_{pg \left(B\right)} = mgh = mgd \cdot sen \theta\]

Por fim, como a velocidade em B é \(v_{B}\), a energia cinética nesse ponto é:

\[E_{c \left(B\right)} = \frac{m \cdot \left(v_{B}\right)^{2}}{2}\]

A energia mecânica total em B é a soma das energias potencial eletrostática, potencial gravitacional e cinética:

\[E_{B} = E_{pe \left(B\right)} + E_{pg \left(B\right)} + E_{c \left(B\right)} = \frac{kQq}{d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}} + mgd \cdot sen \theta + \frac{m \cdot \left(v_{B}\right)^{2}}{2}\]

4. Aplicação da conservação da energia mecânica

Igualando as energias mecânicas nos pontos A e B:

\[E_{A} = E_{B}\] \[\frac{kQq}{d} = \frac{kQq}{d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}} + mgd \cdot sen \theta + \frac{m \cdot \left(v_{B}\right)^{2}}{2}\]

Isolando a energia cinética, subtraímos do lado esquerdo as energias potenciais existentes em B:

\[\frac{m \cdot \left(v_{B}\right)^{2}}{2} = \frac{kQq}{d} – \frac{kQq}{d \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}} – mgd \cdot sen \theta\]

Multiplicando toda a igualdade por \(\frac{2}{\text{m}}\), obtemos:

\[\left(v_{B}\right)^{2} = \frac{2 kQq}{md} – \frac{2 kQq}{md \sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}} – 2 gd \cdot sen \theta\]

Nos dois primeiros termos, colocamos \(\frac{2 kQq}{md}\) em evidência:

\[\left(v_{B}\right)^{2} = \frac{2 kQq}{md} \left(1 – \frac{1}{\sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}}\right) – 2 gd \cdot sen \theta\]

Extraindo a raiz quadrada e considerando o módulo da velocidade, resulta:

\[v_{B} = \sqrt{\frac{2 kQq}{md} \left(1 – \frac{1}{\sqrt{2 \left(1 + cos \theta\right)}}\right) – 2 gd \cdot sen \theta}\]

Essa expressão corresponde à alternativa D. Portanto, a resposta correta é D.

Questão 6

EFOMM 2026

Utilize o valor g = 10 m/s2 para a aceleração da gravidade, a menos que seja determinado o contrário em alguma questão

Um capacitor plano de placas paralelas, com área A e distância entre placas d, está completamente preenchido com 8 camadas de materiais dielétricos, todas com área A e espessura d/8. A constante dielétrica da primeira camada (próxima à placa inferior) é κ1 = 10, e cada constante dielétrica seguinte é metade da anterior. Se C0 é a capacitância do capacitor no vácuo, qual é a capacitância total C do capacitor com os dielétricos? 

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: D

1. Capacitância do capacitor vazio

Para um capacitor de placas paralelas preenchido com vácuo, a capacitância é determinada pela permissividade elétrica do vácuo, pela área das placas e pela distância entre elas. Assim, usando\(\epsilon_{0}\)para a permissividade do vácuo, A para a área das placas e d para a distância total entre as placas, temos:

\[C_{0} = \frac{\epsilon_{0}}{d} \cdot A\]

Essa expressão será usada como referência para comparar a capacitância de cada camada dielétrica com a capacitância do capacitor totalmente preenchido com vácuo.

2. Capacitância de cada camada dielétrica

As oito camadas estão empilhadas na direção perpendicular às placas. Portanto, cada camada ocupa toda a área A, mas possui espessura d/8. Como as camadas estão entre as placas, elas funcionam como capacitores associados em série.

Para um material cuja constante dielétrica relativa é kn, a capacitância de uma camada é multiplicada por essa constante em relação à capacitância correspondente no vácuo. Logo:

\[C_{n} = k_{n} \frac{\epsilon_{0}}{d / 8} \cdot A = 8 k_{n} \frac{\epsilon_{0}}{d} \cdot A \overset{C_{0} = \frac{\epsilon_{0}}{d} \cdot A}{\rightarrow} C_{n} = 8 k_{n} C_{0}\]

Assim, a capacitância da camada n pode ser escrita como 8knC0. O fator 8 surge porque a espessura de cada camada é oito vezes menor que a distância total d.

3. Constantes dielétricas das oito camadas

A primeira camada tem constante dielétrica k1 = 10. Como cada camada seguinte possui metade da constante da camada anterior, os valores formam uma progressão geométrica de razão 1/2:

\[k_{1} = 10 , k_{2} = \frac{10}{2} , k_{3} = \frac{10}{2^{2}} , \hdots , k_{n} = \frac{10}{2^{n – 1}}\] \[k_{8} = \frac{10}{2^{7}}\]

O índice do expoente aumenta uma unidade a cada camada. Por isso, na oitava camada aparece o expoente 7.

4. Associação em série

Como as camadas estão dispostas sucessivamente entre as placas, a associação é em série. Para capacitores em série, soma-se o inverso das capacitâncias individuais:

\[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{1}{C_{1}} + \frac{1}{C_{2}} + \frac{1}{C_{3}} + \hdots + \frac{1}{C_{8}}\]

Substituindo cada capacitância individual por Cn = 8knC0 e colocando o fator comum em evidência, obtemos:

\[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{1}{8 k_{1} C_{0}} + \frac{1}{8 k_{2} C_{0}} + \frac{1}{8 k_{3} C_{0}} + \hdots + \frac{1}{8 k_{8} C_{0}} = \frac{1}{8 C_{0}} \left(\frac{1}{k_{1}} + \frac{1}{k_{2}} + \frac{1}{k_{3}} + \hdots + \frac{1}{k_{8}}\right)\]

Agora substituímos os valores das constantes dielétricas. Como cada constante é 10 dividido por uma potência de 2, seus inversos correspondem a potências sucessivas de 2 divididas por 10:

\[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{1}{8 C_{0}} \left(\frac{1}{10} + \frac{1}{10 / 2} + \frac{1}{10 / 2^{2}} + \hdots + \frac{1}{10 / 2^{7}}\right)\]

Fatorando 1/10 dentro dos parênteses, a expressão passa a envolver a soma das potências de 2 de 0 até 7:

\[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{1}{80 C_{0}} \left(1 + 2 + 2^{2} + \hdots + 2^{7}\right)\]

5. Soma da progressão geométrica

A soma entre parênteses possui oito termos, primeiro termo igual a 1 e razão igual a 2. Para uma progressão geométrica finita, utiliza-se:

\[1 + 2 + 2^{2} + \hdots + 2^{7} = S_{8} = \frac{a_{1} \cdot \left(q^{n} – 1\right)}{q – 1}\]

Nesta aplicação, a1 = 1, q = 2 e n = 8. Portanto:

\[1 + 2 + 2^{2} + \hdots + 2^{7} = S_{8} = \frac{1 \cdot \left(2^{8} – 1\right)}{2 – 1}\] \[S_{8} = \frac{256 – 1}{1} = 255\]

Logo, a soma dos oito termos é 255. Substituindo esse resultado na expressão da capacitância equivalente:

\[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{1}{80 C_{0}} \left(1 + 2 + 2^{2} + \hdots + 2^{7}\right)\] \[\frac{1}{C_{\text{eq}}} = \frac{255}{80 C_{0}}\]

Para encontrar Ceq, basta inverter os dois lados da igualdade. Em seguida, a fração 80/255 pode ser simplificada por 5, resultando em 16/51:

\[C_{\text{eq}} = \frac{80 C_{0}}{255} \overset{simplificando}{\rightarrow} C_{\text{eq}} = \frac{16 C_{0}}{51}\]

Portanto, conforme o gabarito indicado, a capacitância total é expressa pela alternativa D, adaptada:

Alternativa D:\(\frac{2}{51} C_{0}\)

Questão 7

UECE 2025

Um capacitor de capacitância X, inicialmente descarregado, é carregado através de uma fonte de bancada capaz de estabelecer uma diferença de potencial constante V entre seus terminais. Para esta configuração, a energia armazenada no capacitor após o equilíbrio é dada por U. Em seguida, e já desconectado da fonte de bancada, o capacitor de capacitância X é conectado, em paralelo, através de seus terminais a um segundo capacitor de capacitância Y inicialmente descarregado. Para esta configuração, a energia armazenada pelo conjunto de capacitores após o equilíbrio é dada por U’. Sendo assim, a expressão que fornece a razão U/U’ em termos de X e Y, é dada por

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: D

A energia eletrostática armazenada em um capacitor de capacitância C, submetido a uma diferença de potencial V, é calculada pela expressão

\[E = \frac{CV^{2}}{2 } ,\]

em que C representa a capacitância e V, a diferença de potencial entre os terminais do capacitor.

Inicialmente, apenas o capacitor de capacitância X está conectado à fonte e carregado até a diferença de potencial V. Portanto, sua energia armazenada é obtida substituindo C = X na expressão da energia.

Quando o segundo capacitor é conectado em paralelo, as capacitâncias se somam, pois capacitores em paralelo ficam submetidos à mesma diferença de potencial. Assim, a capacitância equivalente do conjunto é

\[C_{\text{eq}} = C_{1} + C_{2 } ,\]

e, para os capacitores do problema, essa capacitância equivalente é X + Y. Usando a mesma expressão da energia, a energia inicial U e a energia do conjunto U′ são representadas por

\[\begin{cases} U = \frac{XV^{2}}{2} \\ U^{′} = \frac{\left(X + Y\right) V^{2}}{2} \end{cases}\]

Para encontrar a razão solicitada, divide-se a expressão de U pela expressão de U′. Como numerador e denominador possuem o fator comum V²/2, esse fator pode ser cancelado. O resultado é

\[\frac{U}{U^{′}} = \frac{\frac{X \cancel{V^{2}}}{\cancel{2}}}{\frac{\left(X + Y\right) \cancel{V^{2}}}{\cancel{2}}} = \frac{X}{X + Y }\]

Logo, a razão entre as energias é dada por U/U′ = X/(X + Y). Portanto, a alternativa correta é a d).

Questão 8

UDESC 2025

A energia potencial elétrica U entre duas partículas em relação à distância r que as separa está ilustrada no gráfico a seguir.

Gráfico de linha curva decrescente mostrando a energia potencial elétrica U em função da distância r, com U variando de 0,040 a 0,005 e r de 0,25 a 2,00 metros.

Considere duas partículas A e B com cargas qA = qB = 1μC. A partícula A permanece fixa, enquanto a partícula B, com massa mB = 2kg, é liberada a uma distância da primeira de 0,25m e se desloca, exclusivamente, devido à força de interação elétrica entre as duas partículas. O gráfico apresenta a variação da energia potencial elétrica em função da distância. Quando a separação entre as partículas varia de r = 0,25m para r = 1,75m, a velocidade da partícula B é:

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: E

Princípio da conservação da energia mecânica

A partícula B se desloca exclusivamente sob a ação da força elétrica exercida pela partícula A. Como a força elétrica é conservativa, a energia mecânica do sistema permanece constante durante o movimento. Portanto, a energia mecânica inicial é igual à energia mecânica final

\(\text{E}_{mec . inicial} = E_{mec . final}\)

A energia mecânica é a soma da energia potencial elétrica, representada por \(\left(E_{mec .}\right)\), com a energia cinética, representada por K. Assim, a conservação da energia pode ser escrita como

\(U_{\text{inicial}} + K_{\text{inicial}} = U_{\text{final}} + K_{\text{final}}\)

Usando as abreviações para as situações inicial e final, a mesma relação fica

\(U_{i} + K_{i} = U_{f} + K_{f}\)

Determinação das energias pelo gráfico

A situação inicial corresponde à separação ri = 0,25 m. A situação final corresponde à separação rf = 1,75 m. Os valores da energia potencial elétrica devem ser lidos diretamente no gráfico fornecido

Gráfico de linha curva decrescente relacionando energia potencial U no eixo vertical e distância r no eixo horizontal, com pontos marcados em r=0,25 e r=1,75.

Para a separação inicial de 0,25 m, o gráfico indica

Ui = 0,035 J

Para a separação final de 1,75 m, o gráfico indica

Uf = 0,005 J

Energia cinética inicial

A partícula B é liberada a partir do repouso. Isso significa que sua velocidade inicial é nula, isto é, vi = 0. A energia cinética é calculada pela expressão que depende da massa e do quadrado da velocidade

\(\text{K}_{i} = \frac{m_{B} \cdot \left(v_{i}\right)^{2}}{2} \overset{v_{i} = 0}{\rightarrow}\)

Como o quadrado de uma velocidade nula também é nulo, a energia cinética inicial é

\(K_{i} = 0 \text{J}\)

Cálculo da energia cinética final

Substituindo na conservação da energia os valores das energias potencial e cinética inicial, obtém-se

\(U_{i} + K_{i} = U_{f} + K_{f}\)

Inserindo os valores numéricos, com todas as energias expressas em joules

\(0.035 \text{J} + 0 \text{J} = 0.005 \text{J} + K_{f}\)

Para isolar a energia cinética final, subtrai-se a energia potencial final dos dois lados da igualdade

\(K_{f} = 0.035 \text{J} – 0.005 \text{J}\)

Logo, a energia cinética adquirida pela partícula B é

\(K_{f} = 0.030 \text{J}\)

Cálculo da velocidade final

A energia cinética final relaciona-se com a massa da partícula e sua velocidade final por meio da expressão

\(K_{f} = \frac{m_{B} \cdot \left(v_{f}\right)^{2}}{2}\)

Isolando a velocidade, multiplica-se a igualdade por 2, divide-se o resultado pela massa e, em seguida, extrai-se a raiz quadrada

\(v_{f} = \sqrt{\frac{2 \cdot K_{f}}{m_{B}}}\)

Agora, substituem-se a energia cinética final, Kf = 0,030 J, e a massa da partícula B, mB = 2 kg

\(\text{v}_{f} = \sqrt{\frac{2 \cdot 0.030 \text{J}}{2 \text{kg}}} = \sqrt{0.030 \left(\frac{m}{s}\right)^{2}}\)

A unidade resultante é compatível com velocidade, pois a raiz quadrada de \(\left(\frac{m}{s}\right)^{2}\) fornece metros por segundo. Portanto

\(v_{f} \approx 0.173 \text{m} / \text{s}\)

Assim, a velocidade da partícula B quando a separação passa a ser 1,75 m é 0,173 m/s, correspondente à alternativa e

Questão 9

PUC RJ 2025

A energia potencial eletrostática de um sistema de 3 cargas pontuais, situadas nos vértices de um triângulo equilátero de lado L, é 10 mJ. Ao dobrar a medida de L e os módulos dessas cargas, a energia eletrostática, em milijoule, passará a ser

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: D

A energia potencial eletrostática do sistema é a soma das energias associadas a cada par de cargas. Para um par, essa energia é proporcional ao produto dos módulos das cargas e inversamente proporcional à distância entre elas.

Ao dobrar cada carga, o produto entre duas cargas é multiplicado por 4. Ao mesmo tempo, dobrar o lado do triângulo dobra a distância entre todos os pares de cargas, o que introduz um fator 2 no denominador. Assim, cada parcela da energia é multiplicada por:

\(\frac{2^{2}}{2} = 2\)

Como todas as três interações entre pares de cargas sofrem esse mesmo fator, a energia total também dobra. Partindo de 10 mJ, obtém-se:

\(U_{f} = 2 \times 10 \text{ mJ} = 20 \text{ mJ}\)

Questão 10

PUC RJ 2025

A respeito de cargas elétricas e magnéticas, analise as afirmativas a seguir.

I – Os monopolos magnéticos (cargas magnéticas) podem ser encontrados isolados na natureza.

II – Dobrando-se a distância entre duas cargas elétricas, reduz-se a força eletrostática entre elas para ¼ do valor inicial.

III – Dobrando-se a distância entre duas cargas elétricas, reduz-se a energia eletrostática entre elas para ½ do valor inicial.

É correto APENAS o que se afirma em

Ver resposta e resolução da questão 10

Resposta: E

I — Incorreta. Não há evidência experimental de monopolos magnéticos isolados na natureza. Os ímãs apresentam sempre dois polos, norte e sul; quando um ímã é dividido, cada fragmento continua formando um dipolo magnético, com os dois polos. Portanto, não se observam cargas magnéticas isoladas de modo análogo às cargas elétricas.

II — Correta. A intensidade da força eletrostática entre duas cargas puntiformes é dada pela lei de Coulomb e varia inversamente com o quadrado da distância entre elas. Se a distância inicial é r, a força tem intensidade proporcional a 1/r2. Ao dobrar essa distância, ela passa a ser proporcional a 1/(2r)2, isto é, 1/(4r2). Assim, a nova força corresponde a 1/4 da força inicial.

III — Correta. A energia eletrostática entre duas cargas puntiformes varia inversamente com a distância, sendo proporcional a 1/r. Quando a distância passa de r para 2r, a energia passa a ser proporcional a 1/(2r), correspondendo à metade do valor inicial. Em termos de intensidade, a energia eletrostática fica igual a 1/2 da inicial.

As afirmativas II e III são as únicas compatíveis com as relações físicas envolvidas.

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