Exercícios de Hidrodinâmica com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Questões desta lista

Questão 1

FAMERP 2026

O gráfico mostra a variação do fluxo sanguíneo, que acontece através da seção transversal da artéria aorta abdominal, em função do tempo.

Gráfico de linha azul mostrando o fluxo sanguíneo em L/s versus tempo em segundos, com uma área sombreada entre 0,1 s e 0,3 s sob a curva do pico.

A área sob a curva destacada no gráfico corresponde, para o intervalo de tempo entre 0,1 s e 0,3 s,

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Resposta: C

O gráfico apresenta o fluxo sanguíneo em função do tempo. O fluxo sanguíneo indica o volume de sangue que atravessa a seção transversal da artéria por unidade de tempo.

Quando uma grandeza é representada em função do tempo, a área sob a curva é obtida multiplicando-se, em cada intervalo, o valor do fluxo pelo intervalo de tempo correspondente. Como o fluxo pode variar entre 0,1 s e 0,3 s, a área destacada representa a soma dessas contribuições ao longo de todo o intervalo.

Isso ocorre porque as unidades do fluxo sanguíneo são volume por tempo, enquanto a unidade do tempo é segundo. Assim, ao multiplicar o fluxo pelo tempo, a unidade de tempo é simplificada, restando a unidade de volume

\[Fluxo sanguíneo \left(L / \text{s}\right) \cdot Tempo \left(s\right) = Volume \left(L\right)\]

Portanto, a área sob a curva entre 0,1 s e 0,3 s corresponde ao volume total de sangue que atravessou a seção transversal da artéria nesse intervalo de tempo. A alternativa correta é c) ao volume de sangue que atravessou a seção transversal da artéria.

Questão 2

ACAFE 2026

Durante um exame de imagem por Doppler vascular, um neurologista observa um aneurisma fusiforme em uma artéria cerebral de um paciente. A artéria saudável possui diâmetro interno de 8 mm e conduz sangue com velocidade média de 0,4 m/s. No trecho com aneurisma, o diâmetro da artéria dobra, atingindo 16 mm, e o escoamento permanece estável. Sabe-se que o sangue pode ser tratado como fluido incompressível em regime laminar permanente.

Com base nessas informações, analise as afirmativas.

I. A velocidade do sangue no aneurisma é de aproximadamente 0,1 m/s, considerando a densidade do sangue constante.

II. A velocidade da corrente sanguínea é maior no interior do aneurisma, em razão do maior volume de sangue que atravessa a artéria.

III. A vazão sanguínea se mantém constante ao longo da parte da artéria examinada.

IV. A relação entre áreas e velocidades só é válida para fluidos ideais, ou seja, sem viscosidade. 

V. A redução da velocidade do sangue, no interior do aneurisma, pode favorecer a formação de trombos.

Assinale a alternativa CORRETA.

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Resposta: C

[I] Verdadeira. Para um fluido incompressível em regime permanente, a vazão volumétrica se conserva ao longo do vaso. Isso significa que o produto entre a área da seção transversal e a velocidade média permanece constante:

\[A \cdot v = constante\]

Como a seção transversal da artéria é circular, sua área é proporcional ao quadrado do diâmetro. Portanto, quando o diâmetro passa de 8 mm para 16 mm, ele dobra e a área aumenta quatro vezes, pois 162/82 = 4.

Assim, para que o produto entre área e velocidade permaneça constante, a velocidade deve ser reduzida na mesma proporção inversa, isto é, deve ficar quatro vezes menor. Partindo de 0,4 m/s, obtém-se:

\[v_{2} = \frac{v_{1}}{4} = \frac{0,4}{4} = 0,1 \text{ m}/\text{s}\]

Logo, a velocidade no aneurisma é aproximadamente 0,1 m/s, confirmando a afirmativa I.

[II] Falsa. A velocidade não aumenta no aneurisma. Embora a região dilatada tenha área maior, a mesma vazão precisa atravessar todas as seções do vaso. Como a vazão é dada pelo produto entre área e velocidade, o aumento da área provoca a redução da velocidade, e não o contrário. Portanto, a justificativa apresentada na afirmativa está incorreta.

[III] Verdadeira. O sangue é considerado incompressível e o escoamento é permanente. Nessas condições, não há acúmulo nem desaparecimento de volume ao longo do trecho analisado. Consequentemente, a vazão sanguínea, isto é, o volume de sangue que atravessa uma seção por unidade de tempo, permanece constante ao longo do vaso.

[IV] Falsa. A relação entre área e velocidade expressa pela equação da continuidade não depende de o fluido ser ideal ou não viscoso. Ela decorre da conservação da massa e pode ser utilizada para um fluido viscoso, desde que sejam válidas as condições consideradas no problema: fluido incompressível e escoamento permanente. A viscosidade pode influenciar outras características do escoamento, como a resistência ao movimento e a perda de energia, mas não invalida a conservação da vazão nessas condições.

[V] Verdadeira. No interior do aneurisma, a área da artéria é maior e, por consequência, a velocidade do sangue é menor. Essa redução da velocidade aumenta o tempo de permanência do sangue na região e pode favorecer a estase sanguínea, condição associada à formação de trombos.

Portanto, são verdadeiras as afirmativas I, III e V. A alternativa correta é a c) Somente as afirmativas I, III e V estão corretas.

Questão 3

ENEM · PPL 2023

Um equipamento monitora o volume de água que passa por uma tubulação em um período de tempo. Um técnico rascunhou cinco possibilidades de unidade de medida para a grandeza que esse equipamento monitora.

Nas imagens, cm significa centímetro, e s significa segundo.

Cinco folhas de papel com rascunhos de unidades: I. cm/s; II. cm²/s; III. cm³/s; IV. s/cm³; V. s/cm².

O rascunho que expressa corretamente uma unidade de medida para a grandeza que esse equipamento monitora é o

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Resposta: C

A grandeza monitorada é a vazão, isto é, a razão entre o volume de água que passa pela tubulação e o intervalo de tempo considerado. Por isso, sua expressão é:

\[Q = \frac{V}{Δt }\]

Nessa relação, \(Q\) representa a vazão, \(V\) representa o volume de água e \(Δt\) representa o intervalo de tempo. Como o volume é uma grandeza tridimensional, sua unidade, quando as dimensões são dadas em centímetros, é o centímetro cúbico, cm³. O tempo é medido em segundos, cuja unidade é s.

Assim, a unidade da vazão é obtida dividindo-se a unidade de volume pela unidade de tempo:

\[\frac{\left[V\right]}{\left[\Delta t\right]} = \frac{\left(c m\right)^{3}}{s}\]

Portanto, a unidade correta é cm³/s, pois indica quantos centímetros cúbicos de água passam pela tubulação a cada segundo. Entre os rascunhos apresentados, essa unidade corresponde ao III.

Questão 4

Escola Naval 2022

A companhia de água e esgoto de uma cidade instalou 70 km de tubulação para abastecimento de um novo bairro com capacidade de conduzir 1,20 m3 / s de água por dia. Admita que no ponto de captação de água a área da seção transversal da tubulação seja de 0,600 m2 e possua uma pressão igual a 400 kPa. A diferença entre o nível do ponto de captação e o ponto de abastecimento de água é de 40,0 m de altura. Sabendo que a área da seção transversal da tubulação no ponto de abastecimento é de 0,150 m2, determine a pressão da água na tubulação no ponto de abastecimento e assinale a opção correta.

Dados: g = 10 m / s2

ρágua = 1.000 kg / m3

O escoamento é laminar, em regime estacionário e pode-se desprezar a viscosidade da água.

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Resposta: B

Como o escoamento é estacionário e a água pode ser considerada incompressível, aplica-se a equação da continuidade. A vazão volumétrica Q é a mesma em todos os pontos da tubulação e relaciona-se com a área da seção transversal A e a velocidade média da água v por

\[Q = A v\]
\[1.2 = 0.6 v_{C}\]
\[v_{C} = 2 \text{m} / \text{s}\]
\[1.2 = 0.15 v_{A}\]
\[v_{A} = 8 \text{m} / \text{s}\]

Assim, no ponto de captação, identificado por C, a velocidade é 2 m/s. No ponto de abastecimento, identificado por A, a área é menor, portanto a velocidade aumenta para 8 m/s, de acordo com a conservação da vazão.

Como a viscosidade da água é desprezada, não há perda de energia por atrito ao longo da tubulação. Dessa forma, entre os pontos C e A, aplica-se a equação de Bernoulli:

\[P_{C} + ρgh_{C} + \frac{\left(ρv_{C}\right)^{2}}{2} = P_{A} + ρgh_{A} + \frac{\left(ρv_{A}\right)^{2}}{2}\]
\[400 \cdot 10^{3} + 1000 \cdot 10 \cdot 40 + \frac{1000 \cdot 2^{2}}{2} = P_{A} + 0 + \frac{1000 \cdot 8^{2}}{2}\]
\[802 \cdot 10^{3} = 32 \cdot 10^{3} + P_{A}\]
\[P_{A} = 770 \text{kPa}\]

Na aplicação da equação, foi adotado o nível do ponto de abastecimento como referência, de modo que hA = 0, enquanto o ponto de captação está 40,0 m acima dessa referência, portanto hC = 40,0 m. A pressão no ponto de captação foi convertida de 400 kPa para 400 ⋅ 103 Pa, pois os termos de energia da equação estão sendo calculados no Sistema Internacional. A parcela gravitacional corresponde à energia associada à diferença de altura, e as parcelas com velocidade correspondem à energia cinética por unidade de volume.

O resultado obtido para a pressão no ponto de abastecimento é 770 kPa. Portanto, a alternativa correta é b) 770 kPa.

Questão 5

UFJF · PISM II 2021

Use quando necessário: g = 10m / s2; sen(30∘) = 1 / 2.

Você está em um jardim, precisa regar as plantas e possui uma mangueira cilíndrica que tem o mesmo diâmetro ao longo de todo o seu corpo. Então, você conecta um lado da mangueira na torneira e aponta o outro lado dela (a sua saída) para as plantas. Após abrir a torneira, aperta a mangueira na saída, de modo que nesse estrangulamento a sua seção reta seja reduzida para um terço do valor que possui no restante da mangueira (sem estrangulamento). Considere a água um líquido incompressível. Dadas essas informações, é INCORRETO afirmar que:

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: D

Como a água é considerada incompressível e a mangueira permanece preenchida, aplica-se a equação da continuidade. Essa equação expressa a conservação da vazão: em um escoamento contínuo, o volume de água que atravessa uma seção por unidade de tempo é o mesmo que atravessa qualquer outra seção da mangueira.

Da equação da continuidade, vem:

\[Q_{1} = Q_{2}\]
\[v_{1} A_{1} = v_{2} A_{2}\]
\[v_{1} \cancel{A_{1}} = v_{2} \frac{\cancel{A_{1}}}{3}\]
\[v_{2} = 3 v_{1}\]

Nessas expressões, Q representa a vazão, isto é, o volume de água que atravessa uma seção por unidade de tempo; v representa a velocidade do escoamento; e A representa a área da seção reta da mangueira. Os índices 1 e 2 identificam, respectivamente, a parte não estrangulada e a saída estrangulada.

Como a área da seção de saída é reduzida para um terço da área original, a conservação da vazão exige que a velocidade aumente na mesma proporção inversa. Portanto, a velocidade na saída estrangulada é três vezes maior que a velocidade na parte não estrangulada.

Assim, a alternativa a) está correta: a vazão permanece constante. A redução da área não reduz a vazão, pois é compensada pelo aumento da velocidade do escoamento.

A alternativa b) também está correta: ao passar pela seção menor, a água precisa escoar com maior velocidade para que o mesmo volume por unidade de tempo continue atravessando a mangueira.

A alternativa c) está correta porque o produto entre a área da seção reta e a velocidade do fluido corresponde à vazão. Pela equação da continuidade, esse produto possui o mesmo valor na entrada e na saída estrangulada.

A alternativa d) está incorreta. Embora a área da seção estrangulada seja reduzida para um terço, a vazão não é reduzida para um terço. O aumento da velocidade compensa a diminuição da área, mantendo constante o volume de água que atravessa a seção por unidade de tempo.

A alternativa e) está correta: como a água é tratada como um líquido incompressível e continua sendo o mesmo fluido, sua densidade permanece a mesma na entrada e na saída estrangulada.

Logo, a afirmação incorreta é a alternativa D.

Questão 6

UECE 2021

O sangue movendo-se através dos vasos pode ser considerado um fluido real. Dependendo de fatores como velocidade e temperatura, por exemplo, tal fluido poderá apresentar um deslocamento turbulento. Essa análise da turbulência é feita a partir do número de Reynolds, Re. escrito por \(R_{e} = \frac{\bar{v} Dρ}{\eta} ,\) onde \(\bar{v}\) é a velocidade média do fluido, D o diâmetro do tubo, ρ a densidade do fluido e η a viscosidade deste. Sabendo que Re se trata de uma grandeza adimensional, a dimensão de η no Sistema Internacional de Unidades – SI – é escrita por

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Resposta: A

O número de Reynolds é adimensional, portanto sua dimensão é igual a 1. Partindo da expressão fornecida, a viscosidade \(\eta\) deve apresentar a dimensão resultante do produto entre a velocidade média, o diâmetro do tubo e a densidade do fluido, pois o número de Reynolds não contribui dimensionalmente para o resultado.

Assim, isolando dimensionalmente a viscosidade, obtemos:

\[\left[\eta\right] = \frac{\left[\bar{v}\right] \left[D\right] \left[\rho\right]}{R_{e} \left]\right.}\]
\[\left[\eta\right] = \frac{\left(m \cdot s^{- 1}\right) \left(m\right) \cdot \left(kg^{- 3}\right)}{1}\]
\[\left[\eta\right] = \frac{kg}{m \cdot s}\]

Nessa substituição, a velocidade média tem unidade de metro por segundo, o diâmetro tem unidade de metro e a densidade tem unidade de quilograma por metro cúbico. Ao multiplicar essas dimensões e simplificar as potências de metro, resulta a unidade de quilograma vezes segundo por metro. Essa é a unidade, no SI, da viscosidade dinâmica.

Portanto, a alternativa correta é a), \(\frac{k g \cdot s}{m}\)

Questão 7

UEA 2021

Observe o tubo da figura, pelo qual há um fluxo de líquido não compressível.

Desenho esquemático de um tubo com seção transversal maior à esquerda, de área A, que se estreita em direção à direita para uma seção menor, também de área A.

O líquido entra no tubo por uma abertura de área de seção transversal A e sai, na outra extremidade, através da abertura de área A’, como sugerem as linhas no interior do tubo. Para que, num certo intervalo de tempo, a mesma quantidade de líquido que entre por A saia por A’, a seguinte equação de continuidade deve ser satisfeita:

vA = v’ A

Nessa equação, v e v’ são as velocidades de entrada e de saída do líquido pelo tubo, respectivamente. Este fenômeno pode ser observado quando um rio se afunila, por exemplo.

Sabendo disso, um jardineiro, utilizando uma mangueira na altura de sua cintura e direcionando a boca da mangueira na horizontal, consegue atingir a base do caule de uma planta a 2 m de distância. Para que possa regar a base de outra planta, a 4 m de distância, sem que tenha que se movimentar ou movimentar a mangueira, ele deve comprimir a boca da mangueira até que sua área de seção transversal seja reduzida a

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: C

O jato de água realiza um lançamento horizontal: ele sai da mangueira com velocidade horizontal e, simultaneamente, sofre a ação da gravidade na direção vertical. Como a mangueira permanece na mesma altura nos dois casos e a base das plantas também está no mesmo nível, o tempo de queda da água é igual nas duas situações. Além disso, desprezando a resistência do ar, a componente horizontal da velocidade permanece constante durante o movimento.

Assim, o alcance horizontal D é determinado pelo produto entre a velocidade horizontal de saída e o tempo de queda. No primeiro caso, a água alcança uma distância de 2 m; no segundo, deve alcançar 4 m. Portanto, o segundo alcance é o dobro do primeiro. Aplicando a expressão do alcance horizontal aos dois casos:

\[\begin{cases} D^{'} = v^{'} t \\ D '' = v '' t \end{cases} \div\]

O símbolo com uma aspa representa a situação inicial, em que a água percorre 2 m, enquanto o símbolo com duas aspas representa a situação final, em que a água deve percorrer 4 m. Dividindo as duas expressões, o tempo de queda é cancelado, pois é o mesmo nos dois lançamentos:

\[\frac{\cancel{D^{'}}}{2 \cancel{D^{'}}} = \frac{v^{'} \cancel{t^{'}}}{v '' \cancel{t^{'}}}\]

Como o segundo alcance é duas vezes maior que o primeiro, a velocidade de saída também precisa ser duas vezes maior:

\[v '' = 2 v^{'}\]

Para relacionar essa mudança de velocidade com a área da abertura da mangueira, aplica-se a equação da continuidade. Para um líquido não compressível, a vazão deve ser a mesma em diferentes seções do tubo; portanto, o produto entre a velocidade do líquido e a área da seção transversal permanece constante:

\[V^{'} A^{'} = V^{"} A^{"}\]

Nessa relação, as velocidades são inversamente proporcionais às áreas. Isso significa que, para aumentar a velocidade de saída, é necessário reduzir a área da abertura. Substituindo a relação \(v '' = 2 v^{'}\) na equação da continuidade, obtém-se:

\[\cancel{V^{'}} A^{'} = 2 \cancel{V^{′}} A^{"}\]

As velocidades iguais que aparecem nos dois lados podem ser canceladas. Resta, então, uma relação entre as áreas: a nova área deve ser metade da área original.

\[\boxed{ A " = \frac{A^{′}}{2} }\]

Logo, para que a água alcance a planta situada a 4 m, a velocidade de saída deve dobrar e, pela equação da continuidade, a área da seção transversal da boca da mangueira deve ser reduzida à metade da área original. Portanto, a resposta é a alternativa c) 1/2 da área original.

Questão 8

ITA 2021

Um recipiente, de secção de área constante e igual a A, é preenchido por uma coluna de líquido de densidade ρ é altura H. Sobre o líquido encontra-se um pistão de massa M, que pode se deslocar verticalmente livre de atrito. Um furo no recipiente é feito a uma altura h, de tal forma que um filete de água é expelido conforme mostra a figura. Assinale a alternativa que contém o alcance horizontal D do jato de água.

Esquema de um recipiente cilíndrico com líquido de densidade ρ, um pistão de massa M no topo e um furo a uma altura h da base, expelindo um jato com alcance D.

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: C

Sejam os pontos \(A\) e B destacados na figura. O ponto A está na superfície do líquido, imediatamente abaixo do pistão, enquanto o ponto B está na saída do furo, à altura \(h\) em relação ao nível de saída considerado na figura

Diagrama de um reservatório com níveis de líquido, pontos A e B, alturas H, h e D, densidade ρ, gravidade g e um jato saindo do ponto B.

Para determinar a velocidade com que o líquido sai pelo furo, aplica-se a equação de Bernoulli entre os pontos A e B. Como a área da seção do recipiente é constante e o pistão se desloca lentamente, a velocidade do líquido no ponto A pode ser desprezada em comparação com a velocidade de saída no ponto B. Assim, considera-se \(v_{A} \cong 0 ,\)

A equação de Bernoulli relaciona a pressão, a energia potencial gravitacional por unidade de volume e a energia cinética por unidade de volume nos dois pontos

\[P_{A} + \rho g h_{A} + \frac{\rho v_{A}^{2}}{2} = P_{B} + \rho g h_{B} + \frac{\rho v_{B}^{2}}{2}\]

No ponto A, a pressão exercida sobre o líquido é a pressão atmosférica acrescida da pressão exercida pelo pistão. A força peso do pistão é \(M g\) e, como essa força atua sobre a área \(A\), a pressão adicional produzida pelo pistão é \(\frac{M g}{A}\). Portanto, \(P_{A}\) é igual à soma da pressão atmosférica com essa parcela. No ponto B, o líquido está em contato com o ar, de modo que sua pressão é a pressão atmosférica

Além disso, a altura do ponto A é \(H\), enquanto a altura do ponto B é \(h\). Substituindo essas informações na equação de Bernoulli e usando \(v_{A} \cong 0\), obtém-se

\[P_{a t m} + \frac{M g}{A} + \rho g H + 0 = P_{a t m} + \rho g h + \frac{\rho v_{B}^{2}}{2}\]

As pressões atmosféricas aparecem nos dois lados da igualdade e, portanto, se cancelam. Isolando a velocidade \(v_{B}\), também se observa que o fator \(g\) pode ser colocado em evidência. A diferença de alturas fornece o termo \(H – h\), e a pressão produzida pelo pistão equivale a uma altura adicional de líquido igual a \(\frac{M}{\rho A}\). Dessa forma

\[v_{B} = \sqrt{2 \text{g} \left(H – h + \frac{M}{\rho A}\right)}\]

Depois de sair pelo furo, o líquido realiza um movimento horizontal com velocidade inicial \(v_{B}\) e queda vertical sob a ação da gravidade. Como a velocidade vertical inicial é nula, a distância vertical de queda é dada por

\[h = \frac{\left(g t\right)_{q} ^{2}}{2}\]

Isolando o tempo de queda, obtém-se

\[t_{q} = \sqrt{\frac{2 \text{h}}{g}}\]

O alcance horizontal é o produto da velocidade horizontal de saída pelo tempo durante o qual o jato permanece em queda. Logo

\[D = v_{B} \cdot t_{q} = \sqrt{2 \text{g} \left(H – h + \frac{M}{\rho A}\right)} \cdot \sqrt{\frac{2 \text{h}}{g}}\]

Ao multiplicar as duas raízes, os fatores \(g\) se cancelam, e o produto dos fatores numéricos fornece o fator 2. Assim, a expressão do alcance fica

\[D = 2 \sqrt{h \left(H – h + \frac{m}{\rho A}\right)}\]

Portanto, o alcance horizontal do jato é o indicado na alternativa c

Questão 9

Escola Naval 2021

Um grande reservatório de água está representado na figura abaixo. A água escoa para a atmosfera no ponto indicado na figura por uma seta e observa-se que o diâmetro do filete de água diminui enquanto cai. Calcule a distância a que a água deve cair para que o raio do filete diminua de 1,0 cm (diâmetro do filete de água no ponto indicado pela seta ) para 0,50 cm e assinale a opção correta.

Dados: g = 10 m / s2;ρágua = 1000 kg / m3

Desenho esquemático de um reservatório com água, apresentando uma seção superior larga e uma saída inferior estreita por onde sai um filete de água.

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: Anulada

ANULADA

Questão anulada no gabarito oficial.

Para compreender o procedimento originalmente utilizado, considera-se inicialmente a velocidade de saída da água no ponto indicado pela seta. Aplicando a equação de Bernoulli entre a superfície livre do reservatório e esse ponto, ambos sujeitos à pressão atmosférica, os termos de pressão se cancelam. Além disso, a velocidade da superfície do reservatório é tomada como nula, conforme a observação do gabarito, pois a área do reservatório é muito maior que a área do filete.

Tomando como referência de altura nula o ponto indicado pela seta, a diferença de altura utilizada no desenvolvimento original é de 5 m. Assim, a energia potencial gravitacional por unidade de massa transforma-se em energia cinética:

\[v = \sqrt{2 \text{g} h} = \sqrt{2 \cdot 10 \cdot 5}\]

Nessa expressão, v é a velocidade da água no ponto de saída, g é a aceleração da gravidade, em m/s2, e h é a diferença de altura, em metros. Substituindo os valores fornecidos, obtém-se:

\[v = 10 \text{m} / \text{s}\]

Em seguida, aplica-se o princípio da continuidade. Para um escoamento permanente de um líquido incompressível, a vazão é a mesma em todas as seções do filete. Portanto, o produto entre a velocidade e a área da seção transversal permanece constante:

\[v \cdot A = v^{'} \cdot A^{'}\]

Como o filete é aproximadamente circular, sua área transversal é proporcional ao quadrado do raio: A = πr2. O raio inicial é 1,0 cm e o raio final é 0,50 cm. Logo, substituindo esses valores na relação da continuidade:

\[10 \cdot \pi \cdot 1^{2} = v^{'} \cdot \pi \cdot 0.5^{2}\]

O fator π aparece nos dois lados e pode ser cancelado. Como o raio final é metade do raio inicial, sua área é um quarto da área inicial. Para manter a mesma vazão, a velocidade deve, portanto, aumentar quatro vezes:

\[v^{'} = 40 \text{m} / \text{s}\]

Por fim, relaciona-se o aumento da velocidade à queda do filete por meio da equação de Torricelli. Essa equação é uma consequência da conservação da energia mecânica durante a queda, considerando a aceleração gravitacional constante e desprezando a resistência do ar:

\[\left(v^{'}\right)^{2} = v^{2} + 2 \text{g} \Delta s\]

Substituindo a velocidade inicial do filete, a velocidade final calculada pela continuidade e a aceleração da gravidade:

\[40^{2} = 10^{2} + 2 \cdot 10 \cdot \Delta s\]

Isolando a distância de queda, indicada por Δs, tem-se:

\[\Delta s = 75 \text{m}\]

Assim, o desenvolvimento original conduz a uma distância de queda de 75 m, que corresponderia à alternativa e). Entretanto, conforme determinado no gabarito oficial, a questão foi anulada.

Questão 10

ENEM · PPL 2021

Para gerar energia elétrica em uma hidrelétrica é necessário integrar a vazão do rio, a quantidade de água disponível em determinado período de tempo e os desníveis do relevo, sejam eles naturais, como as quedas-d’água, ou criados artificialmente. Existem dois tipos de unidades de geração de energia: acumulação e fio-d’água. As unidades de acumulação são localizadas em locais com altas quedas-d’água e, dado o seu grande porte, permitem o acúmulo de grande quantidade de água. As unidades a fio-d’água geram energia com o fluxo de água do rio, ou seja, pela vazão com mínimo ou nenhum acúmulo do recurso hídrico. Em uma região existem rios com potencial para geração de energia. No intuito de construir uma unidade de fio-d’água, deve-se comparar as características desses rios.

Atlas de energia elétrica do Brasil. Disponível em: www.fisica.net. Acesso em: 4 dez. 2018 (adaptado).

A principal grandeza física desses rios que deve ser observada é o(a)

Ver resposta e resolução da questão 10

Resposta: A

A grandeza física central para uma unidade hidrelétrica a fio-d’água é a vazão, isto é, o volume de água que atravessa uma determinada seção do rio por unidade de tempo. Como esse tipo de unidade geradora depende do fluxo contínuo do rio e possui mínimo ou nenhum armazenamento de água, uma vazão maior tende a permitir maior geração de energia.

Considere uma seção transversal do leito do rio com área A, atravessada por água cuja velocidade média de correnteza é v. A vazão é representada por Z e pode ser calculada por:

\[Z = v A\]

Nessa relação, a vazão aumenta quando aumenta a velocidade da água ou quando aumenta a área da seção transversal do leito. Portanto, ao comparar rios para a construção de uma unidade a fio-d’água, deve-se procurar aquele que apresente maior vazão. Entre as alternativas, a grandeza diretamente indicada para favorecer esse aumento é a maior velocidade de correnteza.

As alternativas relacionadas a maior desnível do relevo ou a características menores de área, volume por unidade de tempo e massa por unidade de tempo não correspondem ao critério solicitado para uma unidade a fio-d’água.

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