Exercícios de Equilíbrio de ponto material com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Revise a teoria: resumo de Teorema das três forças e resumo de Equilíbrio de ponto material.

Questões desta lista

Questão 1

UEA 2026

A figura mostra uma pessoa que mantém um conjunto de massas de peso P suspenso e em repouso em um equipamento para exercícios de musculação, o qual contém duas roldanas fixas e uma roldana móvel.

Diagrama de um sistema de polias com duas roldanas fixas no topo e uma roldana móvel abaixo, conectadas por cabos a um peso P e uma força F aplicada por um homem.

A intensidade da força, F, que é exercida sobre a extremidade do cabo ligada à barra que a pessoa segura, é igual a:

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: A

Para determinar a força F, é necessário analisar o equilíbrio da roldana móvel e a distribuição da tensão no cabo.

As duas roldanas fixas têm a função de mudar a direção do cabo. Em um sistema ideal, elas não alteram a intensidade da tensão nem reduzem, por si só, a força necessária para equilibrar a carga. A roldana móvel, por sua vez, é sustentada por dois ramos do mesmo cabo.

Considerando o cabo ideal, a tensão é a mesma em seus dois ramos. Como a roldana móvel está em repouso, a soma das forças verticais para cima deve equilibrar o peso P. Assim, os dois ramos do cabo exercem, juntos, uma força de intensidade igual a P sobre a roldana móvel. Portanto, cada ramo exerce uma tensão igual a \(\frac{P}{2} .\)

A extremidade do cabo que a pessoa segura corresponde a um desses ramos. Logo, a força F aplicada pela pessoa tem a mesma intensidade da tensão nesse ramo:

Portanto, \(\text{F}= \frac{P}{2} .\)

Assim, a alternativa [A] é a correta.

Estão incorretas:

[B] Incorreta. A relação \(\frac{P}{4}\) exigiria uma vantagem mecânica maior, como a obtida com duas roldanas móveis em uma configuração apropriada, e não apenas com a única roldana móvel presente no sistema.

[C] Incorreta. A relação \(\frac{P}{6}\) não resulta da configuração simples apresentada, na qual a única roldana móvel divide a carga igualmente entre dois ramos do cabo.

[D] Incorreta. A relação \(\frac{P}{3}\) não corresponde ao equilíbrio da roldana móvel mostrada, que é sustentada por dois ramos do cabo, e não por três.

[E] Incorreta. A relação \(\frac{P}{8}\) exigiria uma vantagem mecânica ainda maior, associada, em uma configuração ideal, a três roldanas móveis em cascata, e não à configuração apresentada.

Questão 2

EsPCEx 2025

Em um rio, um barco está amarrado a uma estaca através de uma corda ideal com 5,0 m de comprimento, fixa nos pontos A e B de mesma altura. Um peso de 100 N é suspenso no meio dessa corda. O rio possui uma correnteza que exerce sobre o barco uma força de arrasto horizontal Fc de intensidade igual a 50 N, conforme indicado no desenho. A corda, a estaca e Fc são coplanares. Considerando que todo o sistema encontra-se em equilíbrio estático, a intensidade da tração na corda e a distância do barco à estaca são, respectivamente, iguais a:

Desenho de um barco preso por uma corda a uma estaca vertical no ponto A. No ponto B, há uma força de arrasto horizontal Fc para a direita. O sistema está em equilíbrio.

Ver resposta e resolução da questão 2

Resposta: D

Para o equilíbrio vertical do ponto O, temos:

Diagrama de forças no ponto O, com uma força vertical de 100 N para baixo e duas forças T inclinadas em ângulo θ, decompostas em componentes Tcosθ e Tsenθ.

\(matematica 1\)
\(matematica 2\)

Para o equilíbrio horizontal do ponto B, temos:

\(matematica 3\)

Logo, Fórmula: θ = 45°. E a tração na corda vale:

\(matematica 4\)\(matematica 5\)\(matematica 6\)

E a distância do barco à estaca é de:

\(matematica 7\)\(matematica 8\)\(matematica 9\)

Questão 3

EEAR 2025

figura a seguir mostra um sistema em equilíbrio estático, no qual um bloco de peso \(\overset{\rightarrow}{P}\) está suspenso por fios ideais, sendo que um dos fios está conectado a uma mola ideal, de constante elástica k, que se encontra na posição horizontal.

Diagrama de um sistema em equilíbrio com um bloco de peso P suspenso verticalmente por um fio, conectado a outro fio inclinado em ângulo alfa e uma mola horizontal.

Assim, o valor da elongação x produzida na mola pode ser expressa como:

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: A

Para que o sistema permaneça em equilíbrio estático, a resultante das forças sobre o ponto de conexão dos fios deve ser nula. Isso significa que as componentes horizontal e vertical da tensão no fio inclinado devem equilibrar, respectivamente, a força elástica da mola e o peso do bloco.

A força exercida pela mola é dada pela lei de Hooke, Fmola = kx, em que k é a constante elástica da mola e x é sua elongação. A tensão no fio inclinado é representada por T. Considerando o ângulo α indicado na figura, suas componentes são Tcosα na direção horizontal e Tsenα na direção vertical.

Diagrama de forças em um ponto material: vetor força elástica Fd=kx à esquerda, peso P para baixo, tensão T inclinada com ângulo α, componentes Tsenα e Tcosα.

Assim, o equilíbrio na direção horizontal estabelece que a força elástica da mola deve ter o mesmo módulo que a componente horizontal da tensão. Na direção vertical, o peso do bloco deve ser equilibrado pela componente vertical da tensão:

\[\begin{cases} kx = Tcosα \\ P = Tsenα \end{cases} \div\]

Dividindo a primeira equação pela segunda, eliminamos a tensão T, que aparece nas duas relações. No lado esquerdo, obtemos kx/P. No lado direito, o fator comum T é cancelado, restando a razão entre cosα e senα:

\[\frac{kx}{P} = \frac{\cancel{T} cosα}{\cancel{T} senα}\]

Pela definição das razões trigonométricas, a razão entre o cosseno e o seno do mesmo ângulo é a cotangente. Portanto:

\[\frac{kx}{P} = cotgα\]

Agora, isolamos a elongação x. Para isso, multiplicamos os dois membros por P e dividimos por k. Dessa maneira, a constante elástica permanece no denominador, enquanto o peso multiplica a razão trigonométrica:

\[x = \frac{P}{k} cotgα\]

Logo, de acordo com o gabarito indicado, a resposta é a alternativa A.

Questão 4

EsPCEx 2024

Dois pescadores e um aprendiz estão puxando um barco pelo ponto 0 ao longo de um canal retilíneo localizado em uma região horizontal plana. Os dois pescadores e o aprendiz puxam o barco com forças de módulo F1, F2 e F3, respectivamente, cujos módulos e direções de F1 e F2 são indicados no desenho. Todas as forças e o canal estão no mesmo plano horizontal. A intensidade da menor força F3 que o aprendiz deve exercer sobre o barco para mantê-lo em uma direção paralela às margens é:

Diagrama de um barco em um canal com duas forças: F1 de 400 N a 60° acima da linha do canal e F2 de 320 N a 30° abaixo da linha do canal.

Dados: Considere: sen 60∘ = cos 30∘ = √(3) / 2 e cos 60° = sen 30° = 1/2

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: C

Para que o barco siga em uma direção paralela às margens, a força F3 deve anular a resultante na direção perpendicular às margens. Ou seja:

Diagrama de forças com um ponto central de origem. Vetores verticais: $F_1 \text{sen } 60^\circ$ para cima e $F_2 \text{sen } 30^\circ$ para baixo. Vetores horizontais: $F_1 \cos 60^\circ$ e $F_2 \...

\[F_{3} = \left|F_{2} sen 30^{\circ} – F_{1} sen 60^{\circ}\right|\]
\[F_{3} = \left|320 \cdot \frac{1}{2} – 400 \cdot \frac{\sqrt{3}}{2}\right|\]
\[F_{3} = \left|160 – 200 \sqrt{3}\right|\]
\[F_{3} = 10 \left(20 \sqrt{3} – 16\right) N\]

Questão 5

UNIOESTE 2023

A figura abaixo mostra uma esfera de chumbo de peso 1 N pendurada por um barbante que faz um ângulo θ com a vertical quando uma força horizontal de 2 N é aplicada à esfera. Nessas condições, assinale a alternativa que mostra CORRETAMENTE o valor da tração no barbante.

Esfera de chumbo pendurada por um barbante inclinado em um ângulo θ com a vertical, sofrendo uma força horizontal F para a direita.

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: C

Fig 1: diagrama de corpo livre com uma esfera no centro sob três vetores: T para cima e à esquerda, P vertical para baixo e F horizontal para a direita. Fig 2: um triângulo formado pelos vetores P ...

A esfera está em equilíbrio, portanto a resultante das forças que atuam sobre ela é nula. Isso significa que as forças se compensam vetorialmente.

As três forças relevantes são: o peso P = 1 N, vertical para baixo; a força horizontal aplicada, de módulo F = 2 N; e a tração T exercida pelo barbante, orientada ao longo do barbante. Como o peso e a força aplicada são perpendiculares entre si, seus módulos podem ser relacionados à tração por meio do teorema de Pitágoras. A tração corresponde ao lado que equilibra a resultante dessas duas forças.

\[T^{2} = P^{2} + F^{2}\]

Nessa relação, T é a tração no barbante, P é o peso da esfera e F é a força horizontal aplicada. Substituindo os valores fornecidos, isto é, P = 1 N e F = 2 N, obtemos:

\[T = \sqrt{1^{2} + 2^{2}}\]

Calculando os quadrados dos módulos das forças, temos 12 = 1 e 22 = 4. Portanto, a soma dentro da raiz quadrada é igual a 5:

\[T = \sqrt{5} N\]

Assim, a tração no barbante tem módulo √5 N. Logo, a alternativa correta é a c).

Questão 6

UERR 2023

Diagrama de um sistema em equilíbrio: uma caixa A suspensa por um fio vertical conectado ao ponto C, que é sustentado por um fio inclinado B a 30 graus.

Na figura precedente, é apresentada uma situação de equilíbrio usual, na qual uma caixa A, de peso igual a 400 N, se encontra suspensa por duas cordas (B e C).

Nessa situação, assumindo-se sen(30°) = 0,5 e cos(30°) = 0,87, o valor da tração na corda B é

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: E

O diagrama de forças é indicado na figura abaixo:

Diagrama de forças com um bloco A pendurado por uma corda inclinada a 30 graus em relação à horizontal, mostrando vetores de tensão Tx, Ty, T1 e peso P.

Como a caixa permanece em equilíbrio estático, a resultante das forças que atuam sobre ela é nula. Em particular, no eixo vertical, a componente vertical da tração exercida pela corda B deve equilibrar o peso da caixa. Assim, em módulo, essa componente vertical tem valor igual a 400 N:

\[\left|T_{y}\right| = \left|T_{1}\right| = \left|P\right| = 400 \text{N}\]

Nessa relação, \(\left(T_{y}\right)\) representa a componente vertical da tração, enquanto \(\left(T\right)\) representa o módulo da tração na corda B. Como a corda B forma um ângulo de 30° com a direção horizontal, sua componente vertical é obtida multiplicando-se a tração pelo seno desse ângulo:

\[\left|\left(\overset{\rightarrow}{T}\right)_{y}\right| = \left|\overset{\rightarrow}{T}\right| \cdot sen 30 \circ\]

Substituindo a componente vertical, que vale 400 N, e usando sen(30°) = 0,5, isolamos a tração \(\left|\overset{\rightarrow}{T}\right|\). Para isso, dividimos os dois lados da igualdade pelo seno de 30°:

\[\left|\overset{\rightarrow}{T}\right| = \frac{\left|\overset{\rightarrow}{T} y\right|}{sen 30 \circ} = \frac{400 \text{N}}{\frac{1}{2}}\]

Dividir por 0,5 equivale a multiplicar por 2. Portanto, a tração na corda B é:

\[\left|\overset{\rightarrow}{T}\right| = 800 \text{N}\]

Como 800 N é superior a 750 N, o valor da tração está na faixa indicada pela alternativa e).

Resposta: alternativa e) superior a 750 N.

Questão 7

ENEM 2023

Uma academia decide trocar gradualmente seus aparelhos de musculação. Agora, os frequentadores que utilizam os aparelhos do tipo 1 podem também utilizar os aparelhos do tipo 2, representados na figura, para elevar cargas correspondentes às massas M1 e M2, com velocidade constante. A fim de que o exercício seja realizado com a mesma força \(\overset{\rightharpoonup}{F_{,}}\) os usuários devem ser orientados a respeito da relação entre as cargas nos dois tipos de aparelhos, já que as polias fixas apenas mudam a direção das forças, enquanto a polia móvel divide as forças.

Em ambos os aparelhos, considere as cordas inextensíveis, as massas das polias e das cordas desprezíveis e que não há dissipação de energia.

Desenho de dois aparelhos de academia com polias: o tipo 1 possui uma polia fixa no topo e uma móvel na base sustentando a massa M1; o tipo 2 tem duas polias fixas.

Para essa academia, qual deve ser a razão \(\frac{M_{2}}{M_{1}}\) informada aos usuários?

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: D

Dois diagramas de aparelhos de polias. Tipo 1: massa M1 suspensa por corda ligada a uma polia fixa e uma móvel, com força F puxando a corda para cima. Tipo 2: massa M2 suspensa por corda ligada a u...

Para analisar o comportamento mecânico dos dois equipamentos, devemos considerar que a elevação das cargas ocorre com velocidade constante. De acordo com a Primeira Lei de Newton, essa condição cinemática indica que o sistema encontra-se em equilíbrio translacional, o que significa que a força resultante atuante sobre cada massa é rigorosamente nula.

No primeiro dispositivo, observa-se uma configuração composta exclusivamente por polias fixas. Embora essas peças alterem a direção da tração aplicada pelo usuário, elas não modificam a intensidade da força transmitida pela corda inextensível. Assim, para manter o corpo de massa 1M em equilíbrio estático ou dinâmico uniforme, a tensão exercida pelo atleta deve ser exatamente igual ao peso do objeto.

\[\begin{cases} F = P_{1} \Rightarrow F = M_{1} g \\ 2 \text{F} = P_{2} \Rightarrow 2 \text{F} = M_{2} g \end{cases} \div \frac{\bcancel{F}}{2 \bcancel{F}} = \frac{M_{1} \cancel{g}}{M_{2} \cancel{g}}\]

Já no segundo equipamento, a presença de uma polia móvel altera significativamente o balanço das forças. Nesse arranjo, o suporte da carga 2M é compartilhado por dois trechos distintos do mesmo fio, cada um deles submetido à mesma tensão F aplicada pelo praticante. Consequentemente, a força total ascendente que contrabalança o peso torna-se duas vezes maior que a tração individual.

Ao aplicar novamente a condição de resultante nula para este segundo caso e proceder com a divisão algébrica entre as equações estabelecidas, simplificamos os termos comuns de aceleração da gravidade e força aplicada, isolando a relação direta entre as massas:

\[\frac{1}{2} = \frac{M_{1}}{M_{2}}\]

Invertendo a proporção para atender ao que foi solicitado pelo enunciado, obtemos o valor exato da razão entre 2M e 1M:

\[\frac{M_{2}}{M_{1}} = 2\]

Portanto, a razão 2M/1M corresponde ao valor numérico dois. Essa conclusão confirma que a alternativa D é a correta para a orientação dos frequentadores da academia.

Questão 8

ACAFE 2023

Um dos vícios que afeta a saúde de jovens e adultos é o uso recorrente do celular (smartphone). A cabeça humana pesa aproximadamente 50N, mas como o pescoço inclina para a frente e para baixo, a força sobre a coluna cervical começa a aumentar.

Considerando que a aceleração de gravidade seja 10m/s2, veja que em um ângulo de 15°, este peso equivale a uma massa de 12 kg, a 30° é 18 kg, a 45° é 22 kg, e a 60° é 27 kg.

Cinco silhuetas laterais de corpos humanos mostrando a inclinação da cabeça e do pescoço em ângulos de 0°, 15°, 30°, 45° e 60°, com pesos de 6kg, 12kg, 18kg, 22kg e 27kg.

Esse é o peso ao olhar para um smartphone – o que milhões de pessoas fazem por horas, todos os dias, de acordo com estudo publicado por Kenneth Hansraj na National Library of Medicine . O estudo será publicado na Surgical Technology International . Ao longo do tempo, dizem os pesquisadores, essa má postura, às vezes chamada de “pescoço de texto” ou “text neck” pode levar a um desgaste e lesões no início da coluna vertebral, com a aceleração do processo degenerativo, com importantes consequências.

Desenho esquemático de um perfil humano mostrando a cabeça inclinada para frente, com vetores de força: P vertical para baixo, Fm diagonal para cima e Fc no pescoço.

A figura mostra uma cabeça humana inclinada para frente sendo suportada pela força muscular Fm exercida pelos músculos do pescoço e pela força de contato FC exercida pela coluna vertebral. Assim, o módulo da força FC para manter a cabeça em equilíbrio em relação ao ponto S da figura é:

(Dados: sen⁡α = cos⁡θ = 0,8;cos⁡α = sen⁡θ = 0,6)

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: Anulada

ANULADA

Gabarito oficial: [C]

Gabarito SuperPro®: Anulada

Observação: para que um corpo extenso esteja em equilíbrio, é necessário satisfazer simultaneamente as condições de equilíbrio de translação e de rotação.

O equilíbrio de translação exige que a força resultante seja nula em todas as direções. Em particular, as componentes horizontal e vertical das forças devem se compensar. Já o equilíbrio de rotação exige que o momento resultante, calculado em relação ao ponto S, também seja nulo.

Na situação apresentada, a condição de equilíbrio horizontal fornece uma relação entre a força muscular Fm e a força de contato Fc. Considerando as componentes horizontais indicadas na figura, temos:

\[F_{m} cos \alpha = F_{c} cos \theta\]

Substituindo os valores fornecidos, cos α = 0,6 e cos θ = 0,8, obtém-se:

\[0.6 F_{m} = 0.8 F_{c}\]

Isolando Fm, divide-se ambos os lados da igualdade por 0,6. Como 0,8/0,6 = 4/3, resulta:

\[F_{m} = \frac{4}{3} F_{c}\]

Essa é a relação necessária para que as componentes horizontais se anulem. Entretanto, quando essa relação é utilizada na condição vertical de equilíbrio, surge uma inconsistência.

O peso da cabeça é P = 50 N. Pela decomposição das forças mostrada na figura, a condição vertical seria:

\[F_{c} sen \theta = F_{m} sen \alpha + P\]

Usando sen θ = 0,6, sen α = 0,8 e P = 50 N, essa igualdade pode ser escrita como:

\[0.6 F_{c} = 0.8 F_{F} + 50\]

Adotando a relação horizontal Fm = (4/3)Fc, a equação vertical conduz a um valor incompatível com o sentido da força indicado na figura: a força de contato aparece com módulo aproximadamente igual a 107 N, porém com sinal negativo. O sinal negativo não representa uma intensidade negativa; ele indica que o sentido real da força deveria ser oposto ao sentido desenhado.

Também é possível verificar o resultado seguindo a resolução baseada no equilíbrio de rotação. Tomando os momentos das forças em relação ao ponto S, a força cujo braço de alavanca é nulo não produz torque. A condição de momento resultante nulo fornece:

\[F_{m} sen \alpha = 50 \times 4\]

Como sen α = 0,8, segue que:

\[0.8 F_{m} = 200\]

Dividindo os dois lados por 0,8, determina-se a força muscular:

\[F_{m} = 250 \text{N}\]

A componente horizontal fornece Fc = (3/4)Fm. Portanto:

\[F_{c} = \frac{3}{4} \times 250 = 187.5 \text{N}\]

Esse valor coincide com a alternativa c) 187,5 N e com o gabarito oficial. Contudo, ao verificar a equação vertical, encontra-se:

\[187.5 \times 0.6 = 250 \times 0.8 + 50\]

O primeiro membro vale 112,5 N, enquanto o segundo vale 250 N. Assim, a igualdade não é satisfeita. Portanto, embora o cálculo dos momentos conduza à alternativa c), as forças não obedecem simultaneamente às condições de equilíbrio de translação.

Conclusão: os dados e os sentidos das forças apresentados no enunciado são inconsistentes, pois descrevem uma situação de equilíbrio físico impossível. Por esse motivo, a questão deve ser considerada anulada, apesar de o gabarito oficial indicar a alternativa c) 187,5 N.

Questão 9

FMJ 2022

Em uma instalação artística, uma bola de handebol, de peso 4,0 N, foi pendurada na baliza por meio de dois fios, R e S. O fio R é horizontal e está preso a um dos postes verticais, enquanto o fio S está preso à barra transversal, formando com esta um ângulo θ

Diagrama de uma bola pendurada por dois fios: o fio R é horizontal à direita da bola e o fio S inclina-se para cima e para a esquerda, formando ângulo θ com a barra.

Sabendo que sen⁡θ = 0,8 e que cos⁡θ = 0,6, as intensidades das forças que os fios R e S aplicam na bola são, respectivamente,

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: A

Como a bola está em equilíbrio, a resultante das forças que atuam sobre ela é nula. Assim, as forças exercidas pelos fios devem compensar o peso da bola, que tem intensidade 4,0 N.

Da figura abaixo, obtemos:

Diagrama de corpo livre de um ponto material com três forças: uma tensão Ts inclinada para cima com ângulo θ, uma tensão TR horizontal e um peso P vertical.

O fio S é inclinado em relação à barra horizontal. Portanto, sua força de tração pode ser decomposta em duas componentes:

  • uma componente vertical, dada por TS sen θ, que equilibra o peso da bola;
  • uma componente horizontal, dada por TS cos θ, que é equilibrada pela tração exercida pelo fio R.

Na direção vertical, a componente da tração do fio S deve ter a mesma intensidade do peso P. Por isso:

\[T_{S} sen \theta = P\]

Substituindo o valor do seno do ângulo, sen θ = 0,8, e o peso da bola, P = 4,0 N:

\[T_{S} \cdot 0.8 = 4\]

Para determinar a tração no fio S, dividimos os dois lados da igualdade por 0,8:

\[T_{S} = 5 \text{N}\]

Logo, a intensidade da força aplicada pelo fio S é 5,0 N.

Na direção horizontal, a componente horizontal da tração do fio S é equilibrada pela força exercida pelo fio R. Portanto:

\[\left( T\right)_{S} cos \theta = T_{R}\]

Substituindo a tração já calculada, TS = 5,0 N, e o valor de cos θ = 0,6:

\[5 \cdot 0.6 = T_{R}\]

Efetuando a multiplicação, obtemos:

\[T_{R} = 3 \text{N}\]

Assim, a intensidade da força aplicada pelo fio R é 3,0 N, enquanto a intensidade da força aplicada pelo fio S é 5,0 N.

Portanto, as forças nos fios R e S são, respectivamente, 3,0 N e 5,0 N. A alternativa correta é a letra a.

Questão 10

EsPCEx 2022

O sistema desenhado a seguir está em equilíbrio estático. As cordas e a mola são ideais, a massa do corpo B vale 0,20 kg, a massa do corpo A vale M, o coeficiente de atrito estático entre o corpo A e a superfície horizontal é de 0,40 e as cordas CD e DE formam, entre si, um ângulo de 90°. A mola forma um ângulo α com a superfície vertical da parede conforme indicado no desenho abaixo. Sabendo que o sistema está na iminência de entrar em movimento e desprezando a resistência do ar, podemos afirmar que a tangente de α é igual a:

Diagrama de um bloco A sobre uma plataforma, conectado por uma corda CD a um ponto D. De D, partem uma corda vertical DE com um bloco B e uma mola inclinada.

Ver resposta e resolução da questão 10

Resposta: D

Como o sistema está em equilíbrio estático, a resultante das forças em cada corpo e no ponto de ligação D deve ser nula. Além disso, como o movimento é iminente, o atrito estático no bloco A atinge seu valor máximo.

Representando as forças atuantes no sistema, obtemos:

Diagrama de corpo livre com um bloco A sofrendo forças para a esquerda (Fat), para baixo (Pa), para cima (Na) e para a direita (Ta). O ponto D conecta Ta à tensão TD.

Bloco A:

No bloco A, a tensão da corda que o puxa horizontalmente é equilibrada pela força de atrito estático máxima. Essa força máxima é dada pelo produto do coeficiente de atrito estático pela força normal. Como a superfície é horizontal e não há outras forças verticais atuando no bloco A, a força normal tem módulo igual ao peso do bloco, isto é, N = Mg. Portanto:

\[T_{A} = F_{a t} = 0.4 M g\]

Assim, TA representa a tensão associada ao bloco A, Fat é o atrito estático máximo, M é a massa do bloco A e g é a aceleração da gravidade.

Bloco B:

O bloco B também está em equilíbrio. Sobre ele atuam seu peso, dirigido verticalmente para baixo, e a tensão da corda, dirigida para cima. Como essas forças se equilibram, a tensão TB tem o mesmo módulo que o peso do bloco B. A massa de B é igual a 0,20 kg, portanto:

\[T_{B} = P_{B} = 0.2 \text{g}\]

Logo, TB é a tensão exercida pela corda ligada ao bloco B e PB é o peso desse bloco.

Ponto D:

No ponto D, as duas cordas formam um ângulo de 90°. A tensão TD, associada à corda que forma o ângulo α com a parede vertical, pode ser decomposta em uma componente horizontal e uma componente vertical.

Como α é medido em relação à direção vertical, a componente horizontal dessa tensão é obtida multiplicando-se TD pelo seno de α. Essa componente equilibra a tensão horizontal TA:

Na direção vertical, a componente correspondente é obtida multiplicando-se TD pelo cosseno de α. Essa componente equilibra a tensão TB, associada ao bloco B:

\[\begin{cases} T_{D} sen \alpha = T_{A} \left(I\right) \\ T_{D} cos \alpha = T_{B} \left(II\right) \end{cases}\]
\[\left(I\right) \div \left(II\right) :\]
\[tg \alpha = \frac{T_{A}}{T_{B}} = \frac{0.4 Mg}{0.2 \text{g}}\]
\[tg \alpha = 2 M\]

Ao dividir a equação (I) pela equação (II), o fator TD é cancelado. Pela definição da tangente, a razão entre o seno e o cosseno do mesmo ângulo é igual à tangente desse ângulo. Em seguida, substituem-se TA = 0,4Mg e TB = 0,2g. O fator g aparece no numerador e no denominador e, portanto, é cancelado, resultando em:

tg α = 2M

Portanto, a alternativa correta é d) 2,00 M.

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