Exercícios de Conservação da Quantidade de Movimento com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Revise a teoria: resumo de Conservação da quantidade de movimento.

Questões desta lista

Questão 1

UEL 2024

Charge em três quadros com um gato preto e cinza: no primeiro ele pensa em fazer parte de um grupo de conservação de energia; no segundo, prepara-se para apontar; no terceiro, ele diz "conservar".

Com base nos conhecimentos sobre Mecânica Clássica e Leis de Conservação, assinale a alternativa correta.

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Resposta: D

A alternativa A está incorreta porque a lista de grandezas fundamentais preservadas na mecânica clássica não inclui o impulso linear como uma grandeza conservada por si só, mas sim o momento linear (ou quantidade de movimento), além da energia e do momento angular. O impulso é uma grandeza relacionada à variação do momento linear ao longo do tempo, e não um valor constante em sistemas isolados.

Quanto à alternativa B, a afirmação é falsa pois confunde forças internas com externas. Para que o momento linear total de um sistema composto por dois corpos de massa M permaneça inalterado, é indispensável que a resultante das forças externas aplicadas ao conjunto seja nula. As forças internas, que atuam entre os próprios componentes do sistema, não possuem o poder de alterar o momento linear global.

A opção C apresenta um erro conceitual sobre sistemas conservativos e dissipativos. Em um cenário onde há presença de força de atrito, o sistema deixa de ser conservativo. O atrito realiza um trabalho que converte parte da energia cinética em energia térmica (calor), resultando em uma diminuição da energia mecânica total do sistema, o que contradiz a ideia de aumentar a energia cinética por meio dessa força.

A alternativa D é a correta. De acordo com o princípio da conservação da quantidade de movimento, se o somatório de todas as forças externas que atuam sobre um sistema for igual a zero, o momento linear total desse sistema permanecerá constante ao longo do tempo. Isso ocorre porque a taxa de variação do momento linear é diretamente proporcional à força resultante externa aplicada.

Por fim, a alternativa E está errada ao definir a relação entre energia potencial e trabalho. A variação da energia potencial não é simplesmente igual ao trabalho realizado por qualquer força, mas sim relacionada ao trabalho das forças conservativas. Matematicamente, a variação da energia potencial é definida como o negativo do trabalho realizado pela força conservativa correspondente.

Considerando um exemplo prático de queda livre sem resistência do ar, observamos que a energia potencial gravitacional inicial é superior à final conforme o objeto desce. Nesse caso, ao calcularmos a variação da energia potencial, obteremos valores negativos, o que demonstra que a relação correta envolve a inversão de sinal em relação ao trabalho realizado pela força peso.

Questão 2

EFOMM 2024

Observe a figura abaixo.

Desenho esquemático de uma partícula de massa m descendo uma pista curva de massa M, que está apoiada em um solo plano.

Uma partícula de massa m desce, deslizando sem atrito sobre uma pista de massa M desde o seu ponto mais alto. A pista tem formato de um quarto de círculo de raio R e pode se mover horizontalmente (sem girar) sobre o solo sem atrito, como mostra a figura acima. No início do movimento, pista e partícula estão em repouso em relação ao solo. Dado que g é a aceleração da gravidade local, o módulo de sua velocidade em relação ao solo, quando a partícula estiver a uma altura h em relação ao solo, será

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Resposta: A

Sejam V a velocidade horizontal da pista em relação ao solo, v o módulo da velocidade da partícula em relação ao solo e v’ a velocidade da partícula em relação à pista. Como não há atrito entre a pista e o solo, não existe força externa horizontal atuando sobre o sistema formado pela pista e pela partícula. Portanto, a quantidade de movimento horizontal do sistema se conserva.

Inicialmente, tanto a pista quanto a partícula estão em repouso. Assim, a quantidade de movimento horizontal inicial é nula. Em determinado instante, a pista move-se horizontalmente com velocidade V, enquanto a componente horizontal da velocidade da partícula é \(mv_{x} = MV\)

\[v_{x} = \frac{MV}{m }\]

O sinal das velocidades depende da convenção escolhida para o eixo horizontal. Nas expressões acima, são utilizados os módulos das velocidades, de modo que a relação estabelece que a pista e a partícula se deslocam em sentidos opostos. Essa relação será usada para eliminar a velocidade da pista e obter a velocidade da partícula.

No referencial da pista, a geometria da trajetória circular permite relacionar a altura h da partícula com a distância horizontal d e com o ângulo θ indicado na figura.

Diagrama de uma partícula em uma rampa curva com raio R e ângulo θ, indicando velocidades v_y, V+v_x e v', além das distâncias d e R-h.

O centro da circunferência está a uma altura R acima do solo. Quando a partícula está à altura h, a diferença vertical entre o centro da circunferência e a partícula é R − h. Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo formado por essa distância vertical, pela distância horizontal d e pelo raio R, obtém-se:

\[R^{2} = \left(R – h\right)^{2} + d^{2}\] \[d = \left(2 Rh – h^{2}\right)^{1 / 2}\] \[tg \theta = \frac{\left(2 Rh – h^{2}\right)^{1 / 2}}{R – h} = \frac{v_{y}}{V + v_{x}}\] \[v_{y} = \frac{\left(V + v_{x}\right) \left(2 Rh – h^{2}\right)^{1 / 2}}{R – h }\]

A última relação vem da decomposição da velocidade relativa da partícula. A razão entre a componente vertical e a componente horizontal, no referencial da pista, é a tangente do ângulo θ. A componente horizontal da velocidade da partícula em relação ao solo resulta da soma algébrica da velocidade da pista com a componente horizontal relativa à pista. Por isso, aparece o termo V + vx no denominador.

Usando a conservação da quantidade de movimento horizontal, isto é, \(mv_{x} = MV\), segue que \(v_{x} = \frac{MV}{m }\). Portanto:

\[v_{y} = \frac{\left(v + \frac{MV}{m}\right) \left(2 Rh – h^{2}\right)^{1 / 2}}{R – h} = \left(1 + \frac{M}{m}\right) \frac{V \left(2 Rh – h^{2}\right)^{1 / 2}}{R – h }\]

Essa expressão relaciona a componente vertical da velocidade com a velocidade total v da partícula. Agora, usando o teorema de Pitágoras para as componentes horizontal e vertical da velocidade:

\[v^{2} = v_{x}^{2} + v_{y}^{2} = \frac{M^{2} v^{2}}{m^{2}} + \left(1 + \frac{M}{m}\right)^{2} \frac{v^{2} \left(2 Rh – h^{2}\right)}{\left(R – h\right)^{2}}\] \[v^{2} = v^{2} \left[\frac{M^{2}}{m^{2}} + \left(1 + \frac{M}{m}\right)^{2} \left(\frac{2 Rh – h^{2}}{\left(R – h\right)^{2}}\right)\right]\] \[v^{2} = \frac{v^{2}}{\left(\frac{M}{m}\right)^{2} + \left(1 + \frac{M}{m}\right)^{2} \frac{\left(2 Rh – h^{2}\right)}{\left(R – h\right)^{2 }}}\]

Essa igualdade fornece a razão entre a velocidade da pista e a velocidade da partícula. Para determinar o valor de v, utiliza-se a conservação da energia mecânica. Como não há atrito, a energia mecânica do sistema permanece constante. No início, a partícula está no ponto mais alto, a uma altura R, e tanto a pista quanto a partícula estão em repouso. Assim, a energia inicial é exclusivamente potencial gravitacional.

Quando a partícula está à altura h, a energia potencial gravitacional é mgh e as energias cinéticas da partícula e da pista são, respectivamente, \(\frac{mv^{2}}{2}\) e \(\frac{MV^{2}}{2}\). Portanto:

\[mgR = mgh + \frac{mv^{2}}{2} + \frac{MV^{2}}{2}\] \[2 \text{g} \left(R – h\right) = v^{2} + \frac{M}{m} v^{2} = v^{2} + \frac{M}{m} \frac{v^{2}}{\left(\frac{M}{m}\right)^{2} + \left(1 + \frac{M}{m}\right)^{2} \frac{\left(2 Rh – h^{2}\right)}{\left(R – h\right)^{2}}}\] \[2 \text{g} \left(R – h\right) = v^{2} \left[1 + \frac{\frac{M}{m}}{\left(\frac{M}{m}\right)^{2} + \left(1 + \frac{M}{m}\right)^{2} \frac{\left(2 Rh – h^{2}\right)}{\left(R – h\right)^{2}}}\right]\] \[2 \text{g} \left(R – h\right) = v^{2} \left[1 + \frac{\frac{m}{M}}{1 + \left(1 + \frac{m}{M}\right)^{2} \frac{\left(2 Rh – h^{2}\right)}{\left(R – h\right)^{2}}}\right]\] \[v = \left[\frac{2 \text{g} \left(R – h\right)}{1 + \frac{m / M}{1 + \left[\frac{2 Rh – h^{2}}{\left(R – h\right)^{2}}\right] \left(1 + \frac{m}{M}\right)^{2}}}\right]^{1 / 2 }\]

Logo, o módulo da velocidade da partícula em relação ao solo, quando ela se encontra à altura h, é dado pela expressão final acima. Como essa é a expressão correspondente à alternativa indicada no enunciado, a resposta correta é alternativa A.

Questão 3

UTFPR 2023

Em 2024, a NASA, agência espacial norte-americana, planeja lançar a missão Artemis II para voar ao redor da Lua com quatro astronautas. Esta será a primeira missão lunar com um homem negro e uma mulher. A primeira mulher a caminhar no espaço foi a cosmonauta soviética Svetlana Savitskaya, em 1984. Na caminhada espacial, o(a) astronauta está livre no espaço, de forma que é impossível que se locomova através de uma força de tração (como a que usamos ao nadar).

Sobre a forma como um(a) astronauta locomove-se fora da nave no espaço vazio, assinale a alternativa que descreve corretamente o conceito físico envolvido

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: C

A locomoção de um astronauta em ambiente de vácuo exige a aplicação de princípios fundamentais da mecânica clássica, uma vez que a ausência de um meio fluido, como o ar ou a água, impede o uso de métodos tradicionais de propulsão por tração. Para se deslocar para uma direção específica, o indivíduo deve recorrer à Terceira Lei de Newton, que estabelece a existência de pares de ação e reação. Nesse contexto, ao expelir uma massa em uma determinada direção, como um jato de gás ou qualquer outro material, surge uma força de reação de igual intensidade e sentido oposto que impulsiona o astronauta no sentido contrário.

Esse fenômeno também pode ser compreendido por meio do Princípio da Conservação do Momento Linear. Em um sistema isolado, a quantidade de movimento total deve permanecer constante; portanto, ao projetar uma massa para um lado, o corpo do astronauta obrigatoriamente adquire um momento linear que o move na direção oposta, garantindo assim sua movimentação no espaço vazio.

Questão 4

UNESP 2023

Funcionários de um mercado utilizam um dinamômetro funcionando como uma balança. Esse instrumento é constituído por uma mola ideal vertical e por um prato horizontal de massa 200 g, preso, em repouso, na extremidade inferior dessa mola por cabos de massas desprezíveis.

Ao utilizar esse dinamômetro, um funcionário deixa um pacote de café cair verticalmente, a partir do repouso, no centro do prato, de uma altura de 45 cm em relação a ele, conforme a figura. O pacote colide inelasticamente com o prato, e o conjunto começa a oscilar na direção vertical, apresentando uma velocidade de 2 m/s imediatamente após a colisão.

Desenho esquemático de um pacote de café caindo verticalmente em direção a um prato sobre uma base. Uma linha pontilhada indica a altura de 45 cm acima do prato.

Considerando que o conjunto constituído pelo prato e pelo pacote de café seja isolado de forças externas nessa colisão, que g seja igual a 10 m / s2 e desprezando a resistência do ar, a massa do pacote de café é de

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: E

Inicialmente, é necessário determinar a velocidade do pacote de café imediatamente antes da colisão. Como ele parte do repouso e cai uma altura de 45 cm, desprezando a resistência do ar, aplica-se a conservação da energia mecânica. Escolhendo o nível do prato como referência para a energia potencial gravitacional, a energia potencial inicial do pacote transforma-se em energia cinética imediatamente antes do impacto.

Nessa expressão, m representa a massa do pacote, g é a aceleração da gravidade e h é a altura da queda. Ao igualar as energias e cancelar a massa, obtém-se a velocidade de impacto:

\[\frac{\cancel{m} v_{1}^{2}}{2} = \cancel{m } g h\]

O cancelamento da massa ocorre porque ela aparece multiplicando os dois lados da igualdade. Isolando a velocidade, resulta:

\[v_{1} = \sqrt{2 \text{g} h} = \sqrt{2 \cdot 10 \cdot 0.45} = \sqrt{9}\]

Substituindo g = 10 m/s² e h = 0,45 m, obtém-se:

\[v_{1} = 3 \text{m} / \text{s}\]

Assim, o pacote chega ao prato com velocidade de 3 m/s, dirigida verticalmente para baixo. Após a colisão inelástica, o pacote e o prato passam a se mover juntos com a mesma velocidade. A velocidade depois da colisão é dada por:

\[v_{2} = 3 \text{m} / \text{s}\]

Na conservação da quantidade de movimento, considera-se o sistema formado pelo pacote e pelo prato. Durante o intervalo muito curto da colisão, o impulso das forças externas pode ser desprezado; portanto, a quantidade de movimento total imediatamente antes do choque é igual à quantidade de movimento total imediatamente depois dele.

Se M for a massa do pacote, a massa do prato for 200 g e a velocidade do prato antes do choque for nula, somente o pacote possui quantidade de movimento antes da colisão. Depois do choque, os dois corpos se deslocam juntos e a massa total é a soma das massas:

\[\begin{array}{l}Q^{\text{antes}} = Q^{\text{depois}} \\ Mv_{1} = \left(M + m\right) v_{2} \\ Mv_{1} = Mv_{2} + mv_{2}\end{array}\]

Na etapa seguinte, isola-se a massa M do pacote. Para isso, distribui-se a velocidade final no segundo membro e, em seguida, reúne-se M em um único termo. Usando a velocidade de impacto de 3 m/s, a velocidade do conjunto após a colisão de 2 m/s e a massa do prato de 200 g, chega-se a:

\[M = \frac{mv_{2}}{v_{1} – v_{2}} = \frac{200 \cdot 2}{3 – 2}\]

O numerador corresponde ao produto da massa do prato pela velocidade do conjunto depois da colisão, enquanto o denominador é a diferença entre a velocidade do pacote antes da colisão e a velocidade comum dos corpos depois dela. Efetuando essa divisão, encontra-se:

\[M = 400 \text{g}\]

Logo, a massa do pacote de café é 400 g. Portanto, a alternativa correta é e) 400 g.

Questão 5

UFJF · PISM I 2023

Um tubarão de massa m1 = 20,0 kg, que nada com uma velocidade constante de módulo v1 = 2,2m / s. subitamente engole um peixe menor de massa m2 = 2,0 kg, que estava inicialmente em repouso. Considerando que o momento linear do sistema composto pelos dois peixes é conservado, pode-se afirmar que a energia mecânica dissipada nessa refeição é:

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: B

Como o peixe menor estava inicialmente em repouso, o momento linear inicial do sistema é determinado apenas pelo movimento do tubarão. Após a refeição, os dois animais passam a se mover juntos; portanto, a massa final do conjunto é m1 + m2, com velocidade comum vf. Pela conservação do momento linear, o momento total antes da colisão perfeitamente inelástica é igual ao momento total depois dela.

Velocidade do tubarão após ter engolido o peixe:

O momento linear é dado pelo produto da massa pela velocidade. Como o peixe estava em repouso, seu momento inicial é nulo, e a equação de conservação fica:

\[Q_{\text{antes}} = Q_{\text{depois}}\] \[m_{1} v_{1} = \left(m_{1} + m_{2}\right) v_{f}\] \[20 \cdot 2.2 = 22 v_{f}\] \[v_{f} = 2 \text{m} / \text{s}\]

Assim, depois de engolir o peixe, o sistema passa a se mover com velocidade de 2 m/s. Embora o momento linear seja conservado, a energia mecânica não é conservada, pois o processo de engolir o peixe é uma colisão inelástica. A energia mecânica dissipada corresponde à diferença entre a energia cinética inicial e a energia cinética final do sistema.

Energia mecânica dissipada:

A energia cinética inicial é apenas a do tubarão, pois o peixe estava em repouso. Depois da refeição, a energia cinética é calculada usando a massa total dos dois animais e a velocidade comum final:

\[ΔE_{M} = \frac{m_{1} v_{1}^{2}}{2} – \frac{\left(m_{1} + m_{2}\right) v_{f}^{2}}{2}\] \[ΔE_{M} = \frac{20 \cdot 2 , 2^{2}}{2} – \frac{22 \cdot 2^{2}}{2}\] \[ΔE_{M} = 48.4 – 44\] \[ΔE_{M} = 4.4 \text{J}\]

Portanto, a energia mecânica dissipada durante a refeição é de 4,4 J. Isso corresponde à alternativa b).

Questão 6

PUC Goiás · Medicina 2023

O Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento estabelece que, quando um sistema é isolado, sem interferência de forças externas, a quantidade de movimento total inicial dos objetos antes de uma colisão é igual à quantidade de movimento total final dos objetos após a colisão.

A respeito desse princípio, analise as assertivas a seguir:

I. Se duas bolas de bilhar realizam uma colisão mecânica, o impulso de forças externas (como o atrito) sobre cada bola pode ser desprezado em razão da curta duração de interação entre elas. Portanto, essa é uma situação na qual o Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento pode ser aplicado em sua análise.

II. Se, durante reparos na parte externa de um veículo espacial, um astronauta se desprender do veículo, ele só conseguirá retornar se tiver em mãos um objeto que possa arremessar no sentido contrário ao do veículo. Em razão do Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento, o astronauta irá se movimentar no sentido contrário ao do objeto arremessado, ou seja, se movimentará no sentido do veículo espacial.

III. Uma bala de massa de 50 g disparada por uma arma de fogo atinge um bloco de madeira de massa de 5 kg suspenso por um fio flexível, mas não o atravessa. Considerando-se g = 10 m/s2, se, em razão do impacto, o bloco elevar-se a 50 cm no ar, então, a velocidade da bala ao atingir o bloco era de 630 m/s.

Em relação às assertivas analisadas, assinale a única alternativa inteiramente correta:

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: D

Análise das afirmativas

[I] Verdadeira. Durante uma colisão entre duas bolas de bilhar, o contato entre elas ocorre em um intervalo de tempo muito curto. Embora forças externas, como o atrito com a mesa, possam existir, o impulso produzido por essas forças durante esse intervalo é desprezível em comparação com o impulso das forças internas de interação entre as bolas.

Assim, o sistema formado pelas duas bolas pode ser considerado aproximadamente isolado durante a colisão. Nessa condição, a quantidade de movimento total do sistema antes da colisão permanece igual à quantidade de movimento total depois dela. Portanto, o Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento pode ser aplicado à análise dessa situação.

[II] Verdadeira. Se o astronauta se desprender do veículo espacial, ele poderá utilizar o Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento para retornar. Para isso, deverá arremessar um objeto em sentido contrário ao veículo.

Antes do arremesso, considerando desprezíveis as forças externas, o conjunto astronauta–objeto possui determinada quantidade de movimento. Ao lançar o objeto para longe, o astronauta exerce uma força sobre ele. Pela Terceira Lei de Newton, o objeto exerce uma força de mesma intensidade e sentido oposto sobre o astronauta. Como resultado, o objeto adquire quantidade de movimento em um sentido, enquanto o astronauta adquire quantidade de movimento no sentido contrário.

Consequentemente, se o objeto for arremessado no sentido oposto ao veículo espacial, o astronauta se movimentará na direção do veículo, podendo retornar a ele. O recuo de uma arma ao disparar é um exemplo análogo desse princípio: o projétil se move para a frente, enquanto a arma se move para trás.

[III] Falsa. Como a bala fica alojada no bloco, ocorre uma colisão perfeitamente inelástica. Durante o curto intervalo do impacto, conserva-se a quantidade de movimento do sistema formado pela bala e pelo bloco. Após a colisão, bala e bloco passam a se mover juntos com a mesma velocidade.

Representando por m a massa da bala, por M a massa do bloco, por v a velocidade inicial da bala e por V a velocidade do conjunto imediatamente após o impacto, a conservação da quantidade de movimento é expressa por:

\[Q_{i} = Q_{f}\]

A quantidade de movimento inicial é a da bala, pois o bloco está inicialmente em repouso. Depois da colisão, bala e bloco se deslocam juntos; por isso, a massa total em movimento é M + m. Dessa forma:

\[m \cdot v = \left(M + m\right) \cdot v\]

Isolando a velocidade final V do conjunto, obtém-se a relação entre a velocidade da bala antes da colisão e a velocidade do sistema imediatamente depois do impacto:

\[V = \frac{m \cdot v}{\left(M + m\right)}\]

Depois da colisão, o conjunto sobe até atingir uma altura de 50 cm. Nessa etapa, desprezando perdas de energia, a energia cinética do conjunto transforma-se em energia potencial gravitacional. Portanto:

\[E_{c} = E_{p g}\]

A energia cinética do conjunto é dada por (M + m)V²/2, enquanto a energia potencial gravitacional na altura h é dada por (M + m)gh. Assim:

\[\frac{\left(M + m\right) \cdot v^{2}}{2} = \left(M + m\right) \cdot g \cdot h\]

Como a massa total aparece nos dois lados da igualdade, ela pode ser cancelada. Isolando a velocidade do conjunto, chega-se a:

\[\frac{\cancel{\left(M + m\right)} \cdot V^{2}}{2} = \left(\cancel{M + m}\right) \cdot g \cdot h\]

O resultado dessa simplificação é:

\[V = \sqrt{2 gh } \left(2\right)\]

Igualando essa expressão da velocidade do conjunto à expressão obtida pela conservação da quantidade de movimento, determina-se a velocidade inicial da bala:

\[\frac{m \cdot v}{\left(M + m\right)} = \sqrt{2 \text{g} h}\]

Multiplicando os dois lados pelo fator (M + m)/m, obtém-se:

\[v = \frac{\left(M + m\right)}{m} \cdot \sqrt{2 \text{g} h}\]

Agora, devem ser utilizadas as unidades do Sistema Internacional: a massa do bloco é 5,000 kg, a massa da bala é 0,050 kg, a aceleração da gravidade é 10 m/s2 e a altura atingida é 0,50 m. Substituindo esses valores:

\[v = \frac{\left(5.000 + 0.050\right)}{0.0 5 0} \cdot \sqrt{2 \cdot 10 \cdot 0.50}\]

O valor obtido para a velocidade da bala é:

\[v = 319.4 \text{m} / \text{s}\]

Portanto, a afirmação de que a velocidade da bala era 630 m/s é falsa, pois o cálculo fornece aproximadamente 319,4 m/s. Logo, a afirmativa III não deve ser incluída.

As afirmativas I e II são verdadeiras, enquanto a afirmativa III é falsa. Portanto, a única alternativa inteiramente correta é d) I e II apenas.

Questão 7

FUVEST · Transferência USP 2023

Um passarinho de 40 g está em repouso sobre um poleiro de massa 80 g. O poleiro é sustentado por um suporte de massa desprezível e pode oscilar em torno do ponto O. Após certo instante, o passarinho abandona o poleiro, iniciando seu voo horizontalmente, de modo que o poleiro é empurrado para trás, subindo 5 cm em relação a sua posição inicial.

Desenho esquemático de um pássaro pousado em um poleiro suspenso por um fio preso a uma estrutura horizontal, com o ponto de oscilação O no topo.

Ao abandonar o poleiro, a velocidade do passarinho é de:

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: B

Inicialmente, determina-se a velocidade adquirida pelo poleiro quando ele sobe 5 cm. Nesse movimento, desprezam-se as perdas de energia, de modo que a energia potencial gravitacional do poleiro, na altura máxima, é igual à energia cinética que ele possuía imediatamente após ser empurrado pelo passarinho.

Nessa relação, mpo representa a massa do poleiro, g é a aceleração da gravidade, h é a elevação vertical do poleiro e vpo é sua velocidade inicial após o impulso. Assim:

\[E_{p o t} = E_{c i n}\] \[\cancel{m_{p o}} g h = \frac{\cancel{m_{p o}} v_{p o}^{2}}{2}\] \[v_{p o} = \sqrt{2 \cdot 10 \cdot 0.05}\] \[v_{p o} = 1 \text{m} / \text{s}\]

A massa do poleiro é cancelada nessa etapa porque ela aparece tanto na energia potencial gravitacional quanto na energia cinética. Foi usada a aceleração da gravidade g = 10 m/s² e a altura h = 5 cm = 0,05 m. Portanto, o poleiro se afasta do ponto inicial com velocidade de módulo 1 m/s, em sentido oposto ao movimento horizontal do passarinho.

Em seguida, aplica-se a conservação da quantidade de movimento horizontal ao sistema formado pelo passarinho e pelo poleiro. Antes da separação, ambos estavam em repouso; portanto, a quantidade de movimento horizontal inicial era nula. Depois que o passarinho abandona o poleiro, as quantidades de movimento dos dois corpos devem ter módulos iguais e sentidos opostos.

Representando por mpa e vpa a massa e a velocidade do passarinho, e por mpo e vpo a massa e a velocidade do poleiro, escreve-se:

\[Q_{\text{antes}} = Q_{\text{depois}}\] \[0 = m_{p a} v_{p a} + m_{p o} v_{p o}\] \[0 = 40 v_{p a} + 80 \cdot 1\] \[\left|v_{p a}\right| = 2 \text{m} / \text{s}\]

Na substituição, foram utilizadas as massas em gramas, 40 g para o passarinho e 80 g para o poleiro. Como as duas massas estão na mesma unidade, essa unidade se cancela ao calcular a razão entre elas. O sinal da velocidade do passarinho indica apenas o sentido escolhido; seu módulo, que corresponde à rapidez solicitada, é 2 m/s.

Logo, ao abandonar o poleiro, o passarinho apresenta velocidade de 2,0 m/s. Portanto, a alternativa correta é b).

Questão 8

FUVEST · Transferência USP 2023

Durante o conserto do experimento AMS (Alpha Magnetic Spectrometer) a bordo da Estação Espacial Internacional, o astronauta que realizava a atividade extraveicular teve que descartar parte da carcaça do equipamento para longe da estação, evitando colisões. Ele lançou a peça de 50 kg, a partir do repouso, em linha reta, com uma velocidade de cerca de 0,5 m/s. Admitindo que o astronauta tenha 70 kg, qual o módulo da velocidade adquirida por ele ao fazer esse lançamento?

Note e adote:

Assuma que nem a peça nem o astronauta tenham movimentos rotacionais.

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: D

Como o sistema formado pelo astronauta e pela peça está inicialmente em repouso, sua quantidade de movimento linear total é nula. Durante o lançamento, desprezando forças externas relevantes na direção do movimento, a quantidade de movimento do sistema se conserva:

\[Q_{\text{antes}} = Q_{\text{depois}}\]

Antes do lançamento, tanto o astronauta quanto a peça estão em repouso. Portanto, a quantidade de movimento inicial é zero. Depois do lançamento, astronauta e peça se movem em sentidos opostos: se adotarmos como positivo o sentido do movimento da peça, a velocidade do astronauta terá sinal negativo.

\[0 = m_{\text{ast}} v_{\text{ast}} + m_{\text{pe}\dot{c}\text{a}} v_{\text{pe}\dot{c}\text{a}}\]

Nessa expressão, mast e mpeça representam, respectivamente, as massas do astronauta e da peça, enquanto vast e vpeça são suas velocidades algébricas. Substituindo os valores fornecidos, usamos mast = 70 kg, mpeça = 50 kg e vpeça = 0,5 m/s. Como o astronauta se desloca no sentido oposto ao da peça, sua velocidade aparece com sinal negativo:

\[0 = 70 v_{\text{ast}} – 50 \cdot 0.5\]

O sinal negativo indica apenas o sentido do movimento do astronauta. Como a pergunta solicita o módulo da velocidade, consideramos seu valor positivo:

\[v_{\text{ast}} \cong 0.36 \text{m} / \text{s}\]

Logo, o módulo da velocidade adquirida pelo astronauta é aproximadamente 0,36 m/s. Esse valor está no intervalo de 0,3 m/s a 0,4 m/s:

\[0.3 \text{m} / \text{s} \leq v_{\text{ast}} \leq 0.4 \text{m} / \text{s}\]

Portanto, a alternativa correta é d), pois 0,3 m/s ≤ vast ≤ 0,4 m/s.

Questão 9

FAMEMA 2023

No interior de uma garrafa PET foram colocados pequenos pedaços de gelo seco. Em seguida, uma rolha foi inserida no gargalo, tampando a garrafa, que foi deixada em repouso sobre uma superfície plana e horizontal, livre de atritos e exposta ao sol, até todo o gelo seco sublimar.

Desenho esquemático de uma garrafa PET deitada horizontalmente, contendo um líquido ou gás em seu interior e uma rolha em seu gargalo à esquerda.

Finalizada a sublimação, devido ao aumento da pressão interna da garrafa, a rolha foi arremessada com velocidade de 8 m/s e, ao mesmo tempo, a garrafa movimentou-se no sentido contrário ao da rolha. Desprezando quaisquer tipos de atrito e sabendo que a massa da garrafa corresponde a 16 vezes a massa da rolha, o módulo da velocidade com que a garrafa movimentou-se foi de

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: A

Como a garrafa e a rolha estavam inicialmente em repouso, a quantidade de movimento total do sistema garrafa–rolha era nula. Além disso, a superfície é horizontal e livre de atritos, de modo que não há força externa horizontal resultante significativa sobre o conjunto. Portanto, a quantidade de movimento do sistema se conserva durante o arremesso da rolha.

Após a rolha ser lançada, a garrafa e a rolha se movimentam em sentidos opostos. Por isso, seus vetores quantidade de movimento têm sentidos contrários, mas os módulos dessas quantidades devem ser iguais para que a quantidade de movimento total permaneça nula:

\[\left|Q_{\text{gar}}\right| = \left|Q_{\text{rol}}\right|\] \[MV = mv\] \[16 \cancel{m} V = \cancel{m} \cdot 8\] \[V = \frac{8}{16}\] \[\boxed{V = 0.5 \text{m} / \text{s}}\]

Nessas expressões, M e V representam, respectivamente, a massa e o módulo da velocidade da garrafa, enquanto m e v representam a massa e o módulo da velocidade da rolha. Como a massa da garrafa é 16 vezes a massa da rolha, substitui-se M por 16m. A velocidade da rolha é v = 8 m/s. Ao substituir esses valores na conservação dos módulos das quantidades de movimento, a massa m aparece nos dois lados e pode ser cancelada. Assim, a velocidade da garrafa corresponde a 8 dividido por 16, isto é, 0,5 m/s.

Logo, a alternativa correta é a) 0,5 m/s.

Questão 10

UPE · SSA III 2022

Nas questões com respostas numéricas, considere o módulo da aceleração da gravidade como g = 10,0 m / s2 densidade da água ρ = 1,0 g / cm3 o módulo da carga do elétron como e = 1,6×10−19 C massa do átomo de hidrogênio mH = 1,66×10−27 kg massa do elétron me = 9,1×10−31 kg Π = 3 constante de Planck h = 6,6×10−34Js ou 4,14×10−15eV velocidade da luz no vácuo c = 3,0×108 m / s 1eV = 1,6×10−19 J constante de Coulomb ke = 9,0×109Nm2 / C2

Num átomo de hidrogênio, o elétron sofre uma transição do nível 2 para o nível 1, emitindo um fóton na frequência ultravioleta UV, com momento linear p = E/c, sendo E a energia do fóton e c sua velocidade. Qual é aproximadamente a velocidade, em m/s, de recuo do átomo de hidrogênio após a emissão do fóton?

Ver resposta e resolução da questão 10

Resposta: D

De acordo com o modelo atômico de Bohr, a energia permitida para o elétron no nível quântico n é negativa porque o elétron está ligado ao núcleo. Tomando como referência o estado fundamental, essa energia é dada por:

\[E_{0}\] \[E_{n} = – \frac{E_{0}}{n^{2}}\]

Nessa expressão, \(E_{n}\) representa a energia do elétron no nível n, e o sinal negativo indica que o elétron permanece ligado ao átomo. Para o hidrogênio, a energia do estado fundamental tem módulo igual a 13,6 eV, de modo que:

\[E_{n} = – \frac{13.6 e V}{n^{2}}\]

Para o nível fundamental, n = 1. Portanto, a energia do elétron nesse nível é:

\[E_{1} = – \frac{13.6 e V}{1^{2}}\]

Como \(1^{2}\) é igual a 1, resulta:

\[E_{1} = – 13.6 e V\]

Para o nível 2, substitui-se n = 2 na mesma expressão:

\[E_{2} = – \frac{13.6 e V}{2^{2}}\]

Como \(2^{2}\) é igual a 4, obtém-se:

\[E_{2} = – 3.4 e V\]

Na transição do nível 2 para o nível 1, o elétron passa para um estado de menor energia. A diferença entre os níveis é emitida na forma de um fóton. O módulo da variação de energia é calculado por:

\[\Delta E = – 3.4 e V – \left(- 13.6 e V\right)\]

Subtrair um número negativo equivale a somá-lo em módulo. Assim, a energia do fóton é:

\[\Delta E = 10.2 e V\]

O fóton emitido possui momento linear de módulo p = E/c. Como o átomo estava inicialmente em repouso, o momento linear total inicial do sistema átomo–fóton é nulo. Pela conservação da quantidade de movimento, o momento total final também deve ser nulo:

\[p_{\text{inicial}} = 0\] \[p_{\text{final}} = 0\]

Após a emissão, o momento final é a soma vetorial do momento do átomo, que recua, com o momento do fóton:

\[p_{\text{final}} = p_{\acute{a}\text{tomo}} + p_{\text{f}\acute{o}\text{ton}}\]

Os dois momentos têm sentidos opostos: o átomo se movimenta no sentido contrário ao fóton. Representando essa oposição de sentidos pelos sinais, o momento do átomo é \(- m_{H} \cdot v_{r}\), enquanto o momento do fóton tem módulo \(\frac{\Delta E}{c}\). Portanto:

\[0 = – m_{H} \cdot v_{r} + \frac{\Delta E}{c}\]

Isolando a velocidade de recuo, transfere-se o termo associado à velocidade para um lado da igualdade e divide-se pelo produto da massa do átomo pela velocidade da luz. Em seguida, é necessário converter a energia do fóton de elétron-volt para joule, usando 1 eV = 1,6 × 10−19 J:

\[v_{r} = \frac{\Delta E}{m_{H} \cdot c} = \frac{10.2 e V \cdot 1.6 \times 10^{- 19} \text{J} / e V}{1.66 \times 10^{- 27} k g 3 \times 10^{8} \text{m} / \text{s}}\]

A substituição utiliza a massa do átomo de hidrogênio, a velocidade da luz e a energia liberada na transição. O resultado numérico da divisão é:

\[v_{r} = 3.3 \text{m} / \text{s}\]

Assim, após emitir o fóton, o átomo de hidrogênio recua com velocidade aproximada de 3,3 m/s. Portanto, a alternativa correta é d) 3,3.

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