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Questões desta lista
Questão 1
EEAR 2025A partir dos conceitos de capacidade térmica, calor específico e calor sensível, avalie as afirmações abaixo. Coloque V para verdadeiro ou F para falso. Em seguida assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Um cubo de gelo que possui calor latente de fusão igual a 80 cal/g, massa igual a 100 g e a temperatura de 0°C, precisa de 8000 cal para fundir e obter água a 0°C.
( ) Calor sensível é a quantidade de calor que um grama de uma substância precisa ganhar ou perder para mudar de uma fase para outra.
( ) 200 g de água com calor específico de 1 cal/g°C tem capacidade térmica de 200 cal/°C.
( ) O calor específico da água em qualquer estado é 1 cal/g°C.
Ver resposta e resolução da questão 1
Resposta: D
1ª afirmativa — Verdadeira. Como o gelo está inicialmente a 0 °C, o calor fornecido não será usado para elevar sua temperatura, mas para realizar a mudança de estado físico, de sólido para líquido. Nesse caso, aplica-se a relação entre o calor latente de fusão, a massa e a quantidade de calor:
\[Q = mL = 100 \cdot 80\] \[Q = 8000 cal\]
Nessa expressão, Q representa a quantidade de calor, m é a massa do gelo e L é o calor latente de fusão. A multiplicação de 100 g por 80 cal/g resulta em 8000 cal. Portanto, são necessárias 8000 cal para fundir completamente o cubo e obter água ainda a 0 °C. A afirmativa é verdadeira.
2ª afirmativa — Falsa. O calor sensível é o calor recebido ou cedido por um corpo que provoca variação de temperatura, sem mudança de estado físico. Portanto, ele está relacionado ao aquecimento ou ao resfriamento da substância.
A grandeza associada à quantidade de calor necessária para mudar uma substância de uma fase para outra é o calor latente, e não o calor sensível. Durante uma mudança de estado, a temperatura permanece constante enquanto ocorre a transformação. Assim, a afirmativa é falsa.
3ª afirmativa — Verdadeira. A capacidade térmica de um corpo indica a quantidade de calor necessária para variar sua temperatura em 1 °C. Ela depende da massa do corpo e do calor específico da substância, sendo calculada por:
\[C = mc = 200 \cdot 1\] \[C = 200 cal / \circ C\]
Na relação, C é a capacidade térmica, m é a massa da água e c é o calor específico. Substituindo a massa de 200 g e o calor específico de 1 cal/g °C, obtém-se uma capacidade térmica de 200 cal/°C. Isso significa que são necessárias 200 cal para elevar a temperatura dessa quantidade de água em 1 °C. A afirmativa é verdadeira.
4ª afirmativa — Falsa. O valor de 1 cal/g °C é uma aproximação usual para o calor específico da água no estado líquido. Entretanto, não se pode afirmar que a água apresenta esse mesmo valor em qualquer estado físico, pois o calor específico depende do estado da substância.
Logo, a afirmação generaliza indevidamente o valor do calor específico da água. A afirmativa é falsa.
Assim, a sequência correta é V ‐ F ‐ V ‐ F, que corresponde à alternativa d).
Questão 2
IME 2024Um projétil de chumbo está a uma temperatura de 175 °C quando atinge uma parede e nela se aloja. Considere que 25% da energia cinética do projétil imediatamente antes da colisão permaneça nele como energia interna.
Dados:
– calor específico do chumbo: 125 J/(kg.°C);
– temperatura de fusão do chumbo: 327 °C;
– calor latente de fusão do chumbo: 26.000 J/kg.
Se a energia interna que permanece após o projétil atingir a parede é justamente a mínima para que ocorra a fusão total do chumbo, a velocidade do projétil imediatamente antes da colisão, em m/s, é:
Ver resposta e resolução da questão 2
Resposta: E
A energia interna que permanece no projétil após a colisão corresponde a 25% de sua energia cinética imediatamente antes do impacto. Como essa energia é justamente a mínima necessária para fundir completamente o chumbo, ela deve ser igual à quantidade de calor necessária para aquecer o projétil desde 175 °C até a temperatura de fusão, 327 °C, e depois fundi-lo.
A energia necessária para a fusão total é composta por duas parcelas: o calor sensível, utilizado para elevar a temperatura do chumbo até o ponto de fusão, e o calor latente de fusão, utilizado para mudar o estado físico de sólido para líquido sem variar a temperatura. Assim, a relação energética é:
\[0.25 E_{c} = Q\]
A energia cinética do projétil é dada por Ec = mv²/2. O calor sensível é calculado por mcΔθ, em que m é a massa do projétil, c é o calor específico do chumbo e Δθ é a variação de temperatura. O calor latente de fusão é mL, em que L é o calor latente de fusão. Portanto:
\[0.25 \cdot \frac{\cancel{m} v^{2}}{2} = \cancel{m} c Δθ + h̸L\]
A variação de temperatura é a diferença entre a temperatura de fusão e a temperatura inicial:
\[0.25 \cdot \frac{v^{2}}{2} = 125 \cdot \left(327 – 175\right) + 26000\]
Nessa substituição, foram utilizados o calor específico c = 125 J/(kg·°C), a temperatura de fusão de 327 °C, a temperatura inicial de 175 °C e o calor latente de fusão L = 26000 J/kg. A massa aparece tanto na energia cinética quanto nas duas parcelas do calor necessário e, por isso, pode ser cancelada. Isso explica por que não é necessário conhecer a massa do projétil.
Calculando a variação de temperatura, obtém-se 327 − 175 = 152 °C. Assim, a equação fornece:
\[v = \sqrt{360000}\]
Extraindo a raiz quadrada, resulta:
\[v = 600 \text{m} / \text{s}\]
Portanto, a velocidade do projétil imediatamente antes da colisão era 600 m/s. Logo, a alternativa correta é e).
Questão 3
EFOMM 2024Observe a figura abaixo:
A figura acima parte da curva aquecimento de uma massa m de água, expressa cm∘θ em função do tempo. No eixo do tempo, tr corresponde ao último instante em que toda a massa m estava no estado sólido, a uma temperatura de 7,5∘θ. Considerando que a massa m recebe calor exclusivamente a partir de uma fonte térmica a uma taxa constante e igual a 7.500 cal/min, e desprezando perdas de calor da água para o ambiente e/ou para o recipiente que o contém, é correto afirmar que o instante te é igual a:
Dados: tr = 10s; cágua = 1cal / g∘ C; e Lfusão, gelo = 80 cal / g.
Ver resposta e resolução da questão 3
Resposta: A
Determinação da massa de água
Durante a fusão, a temperatura permanece constante, pois o calor recebido é utilizado na mudança de estado físico do gelo para a água. Assim, o calor fornecido pela fonte é igual ao calor latente de fusão:
\[Q_{\text{fus}\tilde{a}\text{o}} = mL_{\text{fus}\tilde{a}\text{o}} = P Δt\] \[m \cdot 80 = 7500 \cdot \frac{160}{60}\] \[m = 250 \text{g}\]
Nessas expressões, m é a massa da água, Lfusão é o calor latente de fusão, igual a 80 cal/g, P é a potência térmica da fonte, igual a 7.500 cal/min, e Δt é o intervalo correspondente ao trecho de fusão indicado na curva. Como esse intervalo é de 160 s, ele deve ser convertido para minutos, resultando em 160/60 min, pois a potência foi fornecida em cal/min.
Portanto, a massa de água é de 250 g. O instante inicial desse trecho é tr = 10 s, de modo que o final da fusão ocorre em 10 s + 160 s = 170 s.
Aquecimento da água após a fusão
Depois que toda a massa passa para o estado líquido, o calor recebido deixa de ser utilizado na mudança de estado e passa a elevar a temperatura da água. O calor sensível recebido nesse intervalo é calculado por mcáguaΔθ, em que cágua = 1 cal/(g °C).
De acordo com a curva, após a fusão a água é aquecida desde 7,5 °C até a temperatura de ebulição indicada, correspondente a uma variação de temperatura de 100 °C. Igualando o calor sensível ao calor fornecido pela fonte, obtém-se:
\[\left(m c\right)_{\acute{a}\text{gua}} \Delta \theta = P \Delta t^{′}\] \[250 \cdot 1 \cdot 100 = 7500 \cdot \frac{\left(t_{e} – 170\right)}{60}\] \[t_{e} = 370 \text{s} = 6 \text{min} 10 \text{s}\]
Na segunda igualdade, a massa de 250 g, o calor específico de 1 cal/(g °C) e a variação de temperatura de 100 °C são substituídos no cálculo do calor sensível. O intervalo de tempo dessa etapa é te − 170, pois o aquecimento da água após a fusão começa no instante 170 s. Como a potência está em cal/min, esse intervalo é dividido por 60 para ser expresso em minutos.
Assim, o instante em que a água atinge a temperatura de ebulição é 370 s. Convertendo esse valor para minutos, obtém-se 6 minutos e 10 segundos.
Resposta: alternativa a) 6 minutos e 10 segundos.
Questão 4
UNIOESTE 2023Uma curva de aquecimento e resfriamento é o gráfico que mostra a variação de temperatura de uma amostra de uma substância quando aquecida ou resfriada, incluindo eventuais mudanças de estado físico. O gráfico a seguir mostra a evolução da temperatura de 500 gramas de gelo, aquecido por uma fonte contínua de calor, à pressão de 1 atmosfera, até se transformar em vapor superaquecido, como função de tempo de aquecimento.
A partir da análise do gráfico, pode-se dizer que:
I. A amostra passa por duas mudanças de estado físico ao longo do tempo de observação.
II. A amostra passa por três mudanças de estado físico ao longo do tempo de observação.
III. Considerando o calor específico do gelo igual a 0,50cal / g∘ C e o calor latente de fusão igual a 80cal / g. a quantidade de calor absorvida pelo sistema do instante inicial (t = 0s) ao instante t2 é de 42500 cal.
IV. Considerando o calor específico da água igual a 1,0cal / g∘ C e o calor latente de vaporização igual a 540cal / g. a quantidade de calor absorvida pelo sistema entre os instantes t2 e t4 é de 270 cal.
São CORRETAS as assertivas:
Ver resposta e resolução da questão 4
Resposta: C
A análise deve considerar os trechos da curva em que a temperatura varia e os trechos em que permanece constante. Em uma curva de aquecimento, os patamares de temperatura constante correspondem às mudanças de estado físico, pois o calor fornecido é utilizado como calor latente, e não para aumentar a temperatura.
[I] Correta. No intervalo BC, a temperatura permanece constante enquanto o gelo recebe calor, caracterizando a fusão, isto é, a passagem do estado sólido para o líquido. No intervalo DE, ocorre outro patamar de temperatura constante, correspondente à ebulição ou vaporização, quando a água passa do estado líquido para o gasoso. Portanto, a amostra sofre duas mudanças de estado físico ao longo do processo.
[II] Incorreta. A amostra não passa por três mudanças de estado físico. Conforme identificado na curva, há apenas a fusão, no intervalo BC, e a ebulição, no intervalo DE. Assim, a afirmativa II contradiz a afirmativa I.
[III] Correta. Do instante inicial até o instante t2, a amostra passa por duas etapas: primeiro, o gelo é aquecido até a temperatura de fusão, no trecho AB; depois, ocorre a fusão do gelo, no trecho BC. Por isso, o calor total absorvido é a soma do calor sensível necessário para aquecer o gelo com o calor latente de fusão.
O calor sensível é calculado pela relação Q = mcΔT, em que m é a massa, c é o calor específico e ΔT é a variação de temperatura. O calor latente de fusão é calculado por Q = mLf, em que Lf é o calor latente de fusão. Portanto:
\[Q_{0.2} = Q_{A B} + Q_{B C} = \left(\right. m c \Delta T \left.\right)_{g} + \left(\right. m L \left.\right)_{f} = 500 \cdot 0.5 \cdot 10 + 500 \cdot 80\] \[Q_{0.2} = 42.500 c a l\]
O primeiro termo representa o aquecimento do gelo, considerando uma variação de temperatura de 10 °C. O segundo termo representa a energia necessária para fundir os 500 g de gelo. A soma resulta em 42.500 cal, portanto a afirmativa III está correta.
[IV] Incorreta. Entre os instantes t2 e t4, a amostra passa por duas etapas: o aquecimento da água no trecho CD e a vaporização no trecho DE. Assim, o calor absorvido nesse intervalo não é apenas 270 cal; deve incluir tanto o calor sensível da água quanto o calor latente de vaporização.
O aquecimento da água é calculado por Q = mcΔT, utilizando o calor específico da água e a variação de temperatura de 100 °C indicada no gráfico. A vaporização é calculada por Q = mLv. Logo:
\[Q_{2.4} = Q_{C D} + Q_{D E} = \left(\right. m c \Delta T \left.\right)_{a} + \left(\right. m L \left.\right)_{v} = 500 \cdot 1 \cdot 100 + 500 \cdot 540\] \[Q_{2.4} = 320.000 c a l\]
O valor obtido é 320.000 cal, e não 270 cal. Portanto, a afirmativa IV está incorreta.
As únicas afirmativas corretas são I e III. Dessa forma, a alternativa correta é c) I e III.
Questão 5
UFAM · PSC II 2023O diagrama (fora de escala) a seguir mostra os resultados de um experimento no qual uma porção de água com 300g, foi aquecida por uma fonte de calor:
Desprezando-se quaisquer perdas de calor para o ambiente e considerando que a potência média da fonte de calor foi mantida durante todo o experimento, podemos afirmar que a informação do tempo que falta no diagrama é:
Dados: c = 1,0 calg−1∘ C−1, Lvaporizaçāo = 540cal / g
Ver resposta e resolução da questão 5
Resposta: E
Para determinar o tempo total indicado no diagrama, é necessário calcular o calor recebido pela água em duas etapas: primeiro, o calor sensível para elevar sua temperatura de 40 °C a 100 °C; depois, o calor latente necessário para vaporizar os 300 g de água que atingiram o ponto de ebulição.
Calor sensível no aquecimento
Enquanto a água apenas aumenta de temperatura, utiliza-se a expressão do calor sensível. Nessa relação, m é a massa da água, c é o calor específico e ΔT é a variação de temperatura:
\[Q_{S} = m c \Delta T\]
A massa é 300 g, o calor específico da água é 1,0 cal·g−1·°C−1 e a temperatura varia de 40 °C para 100 °C. Portanto, ΔT é igual a 100 − 40:
\[Q_{S} = 300 \left(1\right) \left(100 – 40\right)\]
Assim, o calor necessário para aquecer a água até 100 °C é:
\[Q_{S} = 18.000 c a l\]
Calor latente na vaporização
Depois de atingir 100 °C, a água passa pelo processo de vaporização. Durante essa mudança de estado, a temperatura permanece constante, e o calor recebido é calculado por Q = mL, em que L é o calor latente de vaporização:
\[Q_{V} = mL_{V}\]
Substituindo a massa de 300 g e o calor latente de vaporização, 540 cal/g, obtém-se:
\[Q_{V} = 300 \left(540\right)\]
Logo, o calor utilizado na vaporização é:
\[Q_{V} = 162.000 cal\]
Calor total fornecido
O calor total corresponde à soma do calor sensível, usado para aquecer a água, com o calor latente, usado para vaporizá-la:
\[Q_{T} = Q_{S} + Q_{V} = 18.000 + 162.000\]
Portanto:
\[Q_{T} = 180.000 cal\]
Como a potência média da fonte de calor foi mantida constante, a quantidade de calor fornecida é diretamente proporcional ao tempo. Isso significa que, quanto maior o calor necessário, maior será o intervalo de tempo, mantendo-se a mesma razão entre calor e tempo. Usando o intervalo de referência indicado no diagrama, aplica-se a proporcionalidade:
\[\frac{T}{180.00} = \frac{5}{18.000}\]
O tempo correspondente ao fornecimento do calor total é, portanto:
\[T = 50 \text{min}\]
Assim, a informação que falta no diagrama é 50 minutos, correspondente à alternativa e).
Questão 6
UESB 2023Em um calorímetro ideal contendo 200,0g de água a 20°C, colocam-se 50,0g de gelo a -10°C e espera-se atingir o equilíbrio térmico. Diante do exposto, a temperatura do equilíbrio térmico será
Dados:
Calor específico da água 1,0 cal / g⋅°C, calor específico do gelo 0,5 cal / g⋅°C, calor latente de fusão do gelo 80,0 cal/g.
Ver resposta e resolução da questão 6
Resposta: A
Desconsiderando a capacidade térmica do calorímetro, analisamos separadamente o calor que a água pode liberar e o calor que o gelo necessita receber.
1. Calor liberado pela água ao resfriar-se até 0 °C
A água inicialmente está a 20 °C. Para verificar se ela consegue fornecer energia suficiente para aquecer e derreter o gelo, consideramos inicialmente seu resfriamento até 0 °C. O calor sensível é calculado por Q = mcΔT, em que m é a massa, c é o calor específico e ΔT é a variação de temperatura.
Assim, para a água, a massa é 200 g, o calor específico é 1,0 cal/(g⋅°C) e a variação de temperatura é 0 − 20 °C:
\[Q_{d} = m_{a} c_{a} \Delta T_{a} = 200 \left(1\right) \left(0 – 20\right)\]
Efetuando a multiplicação, obtemos:
\[Q_{d} = – 4.000 c a l\]
O sinal negativo indica que a água perde, ou libera, 4.000 cal. Para comparar essa energia com a necessária para o gelo, consideramos o módulo desse valor: 4.000 cal disponíveis.
2. Calor necessário para aquecer e derreter o gelo
O gelo está inicialmente a −10 °C. Antes de derreter, ele precisa ser aquecido até 0 °C. Esse processo envolve calor sensível, calculado por mgcgΔTg. Depois, para que todo o gelo se transforme em água a 0 °C, é necessário fornecer o calor latente de fusão, calculado por mgLf.
Portanto, o calor total necessário é a soma dessas duas parcelas:
\[Q_{n} = Q_{\text{gelo}} + Q_{\text{fus}\bar{a}\text{o}} = m_{g} c_{g} \Delta T_{g} + m_{g} L_{f}\]
Para aquecer o gelo de −10 °C até 0 °C, a variação de temperatura é 0 − (−10) = 10 °C. Substituindo os valores fornecidos, a parcela referente ao aquecimento do gelo é 250 cal, enquanto a parcela referente à fusão é 4.000 cal:
\[Q_{n} = 50 \left(0.5\right) \left(0 – \left[- 10\right]\right) + 50 \left(80\right) = 250 + 4.000\]
Logo, o calor total necessário para levar o gelo até 0 °C e derretê-lo completamente é:
\[Q_{n} = 4.250 c a l\]
A água consegue liberar 4.000 cal ao resfriar-se até 0 °C, mas o gelo necessita de 4.250 cal para ser aquecido até 0 °C e derreter totalmente. Portanto, não há calor suficiente para fundir todo o gelo.
Quando ainda resta gelo no sistema, a mistura de gelo e água permanece em equilíbrio na temperatura de fusão, isto é, a 0 °C. Assim, a temperatura de equilíbrio térmico é:
\[T_{e q} = 0^{\circ} \text{C}\]
Resposta: alternativa a) 0 °C.
Questão 7
PUC RJ 2023Em um calorímetro perfeito são colocados 10 g de gelo a 0°C e 10 g de água a 80°C.
Qual é, em Celsius, a temperatura final do sistema?
Dado:
cágua = 1,0 cal/g °C
Lfusão água=80/cal g
Ver resposta e resolução da questão 7
Resposta: E
O sistema é formado por gelo a 0 °C e água líquida a 80 °C. Como o calorímetro é perfeito, não há troca de calor com o ambiente; portanto, o calor perdido pela água quente é recebido pelo gelo.
Inicialmente, verifica-se quanto calor é necessário para derreter completamente os 10 g de gelo. Como o gelo já está a 0 °C, não é necessário aquecê-lo antes da fusão. Assim, utiliza-se diretamente o calor latente de fusão, que é a quantidade de calor necessária para transformar uma unidade de massa de gelo em água na mesma temperatura.
A relação utilizada é:
\[Q_{fusāo} = m_{\text{gelo}} L_{fusāo}\]
Nessa expressão, Qfusão é o calor necessário para derreter o gelo, mgelo é a massa do gelo e Lfusão é o calor latente de fusão da água. Substituindo a massa de 10 g e o calor latente de 80 cal/g:
\[Q_{fusāo} = 10 \cdot 80\]
O produto entre a massa e o calor latente fornece:
\[Q_{fusāo} = 800 cal\]
Portanto, são necessários 800 cal para que todo o gelo derreta.
Agora, calcula-se o calor que a água inicialmente a 80 °C pode perder ao esfriar até 0 °C. Esse calor é dado pela relação do calor sensível, Q = mcΔT. Entretanto, no gabarito original, essa etapa é apresentada com a mesma identificação usada para o calor de fusão:
\[Q_{fusāo} = m_{\text{gelo}} L_{fusāo}\]
Com os valores fornecidos no gabarito:
\[Q_{fusāo} = 10 \cdot 80\]
Logo, o calor correspondente é:
\[Q_{fusāo} = 800 cal\]
Assim, a água quente fornece exatamente as 800 cal necessárias para derreter todo o gelo. Depois que esse calor é utilizado na fusão, não resta energia térmica disponível para elevar a temperatura da água resultante acima de 0 °C. Portanto, o equilíbrio térmico ocorre a 0 °C:
Como \(Q_{\text{fus}\bar{a}\text{o}} + Q_{\acute{a}\text{gua}} = 0 ,\) a temperatura de equilíbrio será de 0 °C.
Portanto, a temperatura final do sistema é 0 °C, correspondente à alternativa e).
Questão 8
Provão Paulista · Etapa III 2023Um suco concentrado de hortelã foi preparado e colocado em uma forma de gelo para congelar. Desse modo, ao se desejar tomar um copo de chá mate frio, cubinhos de suco de hortelã podem ser acrescentados, dando mais sabor e frescor à bebida. Para preencher a forma de gelo, foram preparados 500 g de suco concentrado de hortelã. Admitindo que as constantes calorimétricas desse suco possam ser igualadas às da água, sendo, assim, o calor específico do suco igual a 1cal / (g×°C), o calor latente de solidificação igual a – 80 cal/g e a temperatura de solidificação igual a 0 °C, se a temperatura inicial do suco concentrado de hortelã era de 20 °C, o valor absoluto da quantidade de calorias que o congelador deverá retirar desses 500 g de suco concentrado de hortelã, para que sejam feitos cubos à temperatura de 0 °C, é
Ver resposta e resolução da questão 8
Resposta: A
Para que o suco seja transformado em cubos de gelo a 0 °C, o congelador precisa retirar calor em duas etapas: primeiro, reduzir a temperatura do suco de 20 °C para 0 °C; depois, retirar o calor latente necessário para solidificá-lo nessa temperatura.
A quantidade de calor sensível associada à variação de temperatura é calculada por Q = mcΔθ, enquanto o calor associado à mudança de estado é calculado por Q = mL. Portanto, o calor total trocado pelo suco é representado pela soma dessas duas parcelas:
\[Q = m c \Delta \theta + m L\]
Nessa expressão, m é a massa do suco, c é o calor específico, Δθ é a variação de temperatura e L é o calor latente de solidificação. Como o suco esfria de 20 °C para 0 °C, a variação de temperatura é negativa. Além disso, o calor latente de solidificação também é fornecido como negativo, pois o suco libera calor ao passar do estado líquido para o sólido. Substituindo os valores do enunciado:
\[Q = 500 \cdot 1 \cdot \left(0 – 20\right) + 500 \cdot \left(- 80\right)\]
A primeira parcela corresponde ao resfriamento do suco. Como a temperatura diminui 20 °C, essa contribuição é de −10 000 cal. A segunda parcela corresponde à solidificação dos 500 g de suco; seu valor é de −40 000 cal. Assim:
\[Q = – 10000 – 40000\]
Somando as duas parcelas, o calor total do suco é negativo porque ele perde energia térmica para o congelador. Como a questão solicita o valor absoluto da quantidade de calorias retiradas, desconsidera-se o sinal negativo:
\[\left|Q\right| = 50 kcal\]
Logo, o congelador deverá retirar 50 kcal do suco. Portanto, a alternativa correta é a letra A.
Questão 9
Provão Paulista · Etapa III 2023Ao cozinhar frango para ser desfiado, um chefe de cozinha guarda no congelador o caldo que seria descartado, em porções de 1500 g. Quando quiser preparar alguma receita que conte com o sabor de frango, em vez de usar produtos industrializados, utiliza seu caldo congelado.
Para usá-lo, deve desenformar o caldo congelado diretamente em uma panela. Rapidamente, a temperatura do caldo congelado chega a 0 °C. A partir daí, imaginando que o caldo se comporte termicamente de modo semelhante à água, entendendo que o calor latente de fusão é igual a 80 cal/g, que a temperatura de fusão é 0 °C e que, quando líquido, o calor específico seja igual a 1 cal / (g×∘ C), a quantidade de calor que essa quantidade de 1500 g de caldo tem que receber para que chegue à temperatura de 100 °C é de
Ver resposta e resolução da questão 9
Resposta: C
O caldo inicialmente está congelado, mas sua temperatura já atingiu 0 °C, que é a temperatura de fusão. Portanto, para que ele chegue a 100 °C, é necessário fornecer calor em duas etapas:
1. Fusão do caldo congelado: primeiro, o calor recebido é utilizado para derreter o caldo, sem alterar sua temperatura. Esse calor é o calor latente de fusão, calculado por Qlat = mL, em que m é a massa e L é o calor latente de fusão.
2. Aquecimento do caldo líquido: depois de completamente derretido, o caldo deve ser aquecido de 0 °C até 100 °C. O calor necessário nessa etapa é o calor sensível, calculado por Qsens = mcΔT, em que c é o calor específico e ΔT é a variação de temperatura.
Assim, o calor total é a soma do calor latente com o calor sensível:
\[Q = Q_{\text{lat}} + Q_{\text{sens}} = m L + m c ΔT = 1500 \cdot 80 + 1500 \cdot 1 \cdot \left(100 – 0\right)\]
Na expressão, a massa é 1500 g, o calor latente de fusão é 80 cal/g, o calor específico do caldo líquido é 1 cal/(g × °C) e a variação de temperatura é 100 °C − 0 °C = 100 °C. As unidades são compatíveis: tanto o calor latente quanto o calor sensível são obtidos em calorias.
Calculando os dois termos, o primeiro corresponde à energia necessária para derreter o caldo, enquanto o segundo corresponde à energia necessária para aquecê-lo, já no estado líquido, até 100 °C:
\[Q = 1500 \cdot 180 = 270000 cal\]
Como 1 kcal corresponde a 1000 cal, a quantidade de calor pode ser expressa em quilocalorias:
\[Q = 270 kcal\]
Logo, o caldo precisa receber 270 kcal para derreter completamente e, em seguida, atingir a temperatura de 100 °C. Portanto, a alternativa correta é c) 270 kcal.
Questão 10
Provão Paulista · Etapa I 2023O processo para produzir o vergalhão de aço inicia com a fusão da sucata e toda a matéria prima – ferro bruto, seguida do tratamento e posterior solidificação do aço. Para fundir a sucata e todo o ferro bruto, o forno opera a 1500 °C.
Desconsiderando a troca de calor do forno com o meio e assumindo que a temperatura inicial do material a ser colocado no forno é 50 ºC, o calor específico do ferro é 0,1cal / (g⋅∘ C) e o calor latente de fusão do ferro é 64 cal/g, assinale a alternativa que apresenta corretamente a ordem de grandeza da energia necessária para esse forno fundir 200 toneladas (2⋅108 g) de sucata e ferro bruto.
Ver resposta e resolução da questão 10
Resposta: E
Para determinar a energia total necessária, é preciso considerar duas etapas: primeiro, aquecer o ferro da temperatura inicial até a temperatura de fusão; depois, fornecer a energia necessária para realizar a mudança de estado sólido para líquido. Assim, a energia total é a soma do calor sensível com o calor latente de fusão.
O calor sensível é calculado por mcΔT, em que m é a massa, c é o calor específico e ΔT é a variação de temperatura. Já o calor latente de fusão é calculado por mL, em que L representa o calor latente de fusão do ferro. Portanto:
\[\begin{array}{l}Q = mc \Delta T + mL \\ Q = 2 \times 10^{8} \left[0.1 \left(1500 – 50\right) + 64\right] = 2 \times 10^{8} \left(209\right)\end{array}\] \[Q = 4.18 \times 10^{10} Q = 10^{10} cal .\]
A variação de temperatura é \(\Delta T = 1500 – 50\), pois o material começa a 50 °C e deve ser aquecido até 1500 °C. Multiplicando essa variação pelo calor específico, obtém-se a energia necessária para elevar a temperatura de cada grama de ferro. Em seguida, soma-se o valor 64 cal/g, correspondente à energia necessária para fundir cada grama depois que o material já atingiu a temperatura de fusão.
A massa de 200 toneladas foi convertida para gramas, conforme fornecido no enunciado: 2 × 108 g. Dessa forma, as unidades são compatíveis com o calor específico, dado em cal/(g⋅°C), e com o calor latente, dado em cal/g. O resultado calculado é aproximadamente 4,18 × 1010 cal, cuja ordem de grandeza é 1010 cal.
Logo, a alternativa correta é e) 1010 cal.
