Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.
Revise a teoria: resumo de Força Centrípeta.
Questões desta lista
Questão 1
UDESC 2025Uma pequena esfera de massa m = 0,2 kg, presa a uma corda de comprimento L = 2 m, é liberada de uma altura h tal que a corda fica tensionada ao longo do movimento. Quando a esfera atinge a posição mais baixa, ela passa a descrever um movimento circular vertical.
Analise as proposições com base na informação.
I. A tensão na corda é maior na posição mais baixa do movimento.
II. A aceleração centrípeta da esfera, ao passar pelo ponto mais baixo, aponta para o centro da trajetória circular.
III. A energia potencial gravitacional da esfera é máxima na posição mais baixa.
IV. A força resultante no ponto mais baixo é a soma da força gravitacional e da força de tensão na corda.
V. A energia mecânica da esfera conserva-se ao longo do movimento.
Assinale a alternativa correta.
Ver resposta e resolução da questão 1
Resposta: D
I. Verdadeira. No ponto mais baixo, a corda está vertical e o centro da trajetória circular encontra-se acima da esfera. Assim, a tensão T aponta para cima, em direção ao centro, enquanto o peso P aponta para baixo. Como a aceleração centrípeta é dirigida para o centro da trajetória, a força resultante radial também deve apontar para cima. Portanto, nesse ponto, a tensão precisa ser maior que o peso, e a resultante centrípeta é dada pela diferença entre essas forças:\(F_{\text{cp}} = T – P ,\)
Isolando a tensão, obtém-se:\(T = P + F_{\text{cp}} .\)
O módulo da força centrípeta depende do quadrado da velocidade e é inversamente proporcional ao raio da trajetória. Como o raio é o comprimento da corda, L, tem-se:\(F_{\text{cp}} = \frac{m \cdot v^{2}}{L}\)
Na ausência de dissipação de energia, a esfera apresenta sua maior velocidade no ponto mais baixo, pois a energia potencial gravitacional diminui à medida que a esfera desce e é convertida em energia cinética. Consequentemente, a força centrípeta também é máxima nesse ponto. Logo, a tensão, que é a soma do peso com a força centrípeta, também é máxima na posição mais baixa.
Assim, no ponto mais baixo, a tensão máxima pode ser escrita como:\(T_{\text{m}\acute{a}\text{x}} = P + F_{\text{cp}} = m \cdot g + \frac{m \cdot v^{2}}{L} = m \left(g + \frac{v^{2}}{L}\right) \overset{v^{2} = 2 gh}{\rightarrow}\)
\[T_{\text{m}\acute{a}\text{x}} = mg \left(1 + \frac{2 \text{h}}{L}\right) .\]
II. Verdadeira. A aceleração centrípeta é a componente da aceleração responsável por alterar a direção da velocidade em um movimento circular. Por definição, ela aponta sempre radialmente para o centro da trajetória. No ponto mais baixo, o centro da circunferência está verticalmente acima da esfera; portanto, a aceleração centrípeta aponta para cima, na direção do centro.
III. Falsa. A energia potencial gravitacional depende da altura da esfera em relação a um nível de referência e é dada por:\(E_{\text{pg}} = m \cdot g \cdot h\)
Se o ponto mais baixo for escolhido como nível de referência, sua altura é zero e, portanto, a energia potencial gravitacional também é mínima nesse ponto:
Ao descer, a esfera perde altura e sua energia potencial gravitacional é convertida em energia cinética. Por isso, no ponto mais baixo, a esfera possui a maior velocidade, enquanto sua energia potencial gravitacional é mínima. A energia potencial é máxima na posição inicial, de onde a esfera foi liberada, e também no ponto mais alto que ela alcançar, considerando que não haja perda de energia por atrito. Portanto, a proposição III é falsa.
IV. Verdadeira. A força resultante é a soma vetorial de todas as forças que atuam sobre a esfera. No ponto mais baixo, as forças consideradas são o peso, de módulo P, dirigido para baixo, e a tensão da corda, de módulo T, dirigida para cima. Como essas forças possuem sentidos opostos, a resultante radial é obtida pela diferença entre seus módulos:
No ponto mais baixo, essa resultante é justamente a força centrípeta, pois é ela que aponta para o centro da trajetória circular. Assim, a força resultante é formada pela soma vetorial do peso com a tensão, e seu módulo é dado por:\(F_{\text{cp}} = T – P .\)
V. Verdadeira. A energia mecânica é a soma das energias cinética e potencial gravitacional:\(E_{\text{mec}} = E_{\text{cin}} + E_{\text{pg}}\)
A força gravitacional é conservativa. Além dela, atua a tensão da corda, mas essa força não realiza trabalho sobre a esfera, pois a tensão é radial e o deslocamento instantâneo da esfera é tangencial à trajetória; portanto, são perpendiculares. Uma força perpendicular ao deslocamento realiza trabalho nulo. Dessa forma, não há perda de energia mecânica por trabalho da tensão, e a energia mecânica permanece constante ao longo do movimento.
As proposições verdadeiras são I, II, IV e V. A proposição III é falsa, pois a energia potencial gravitacional é mínima no ponto mais baixo. Portanto, a alternativa correta é d) Somente as proposições I, II, IV e V são verdadeiras.
Questão 2
UFPR 2024Um dado objeto, de massa m constante, descreve, em relação a um referencial inercial, uma curva circular de raio R1 com uma velocidade tangencial de intensidade constante v1. Para fazer isso, ele necessita de uma força centrípeta de intensidade F1. O mesmo objeto é colocado agora numa outra curva circular, de raio R2, com velocidade tangencial de intensidade constante v2, e necessita agora de uma força centrípeta de intensidade F2 para executar o movimento.
Considerando que v2 = 2v1 e que R2 = 2R1, assinale a alternativa que apresenta corretamente o valor da razão F2 /F1 entre as intensidades das forças centrípetas necessárias para a execução dos movimentos.
Ver resposta e resolução da questão 2
Resposta: C
Para o movimento circular uniforme, a força centrípeta é a força resultante direcionada para o centro da trajetória. Sua intensidade é dada por F = mv2/R, em que m é a massa do objeto, v é a velocidade tangencial e R é o raio da curva. Como a massa do objeto permanece constante nos dois movimentos, podemos escrever:
\[\left\{\right. \begin{matrix}F_{1} = \frac{mv_{1}^{2}}{R_{1}} \\ F_{2} = \frac{mv_{2}^{2}}{R_{2}}\end{matrix} \rangle\] \[\frac{F_{2}}{F_{1}} = \frac{\cancel{m} v_{2}^{2}}{R_{2}} \times \frac{R_{1}}{\cancel{m} v_{1}^{2}} = \frac{R_{1}}{R_{2}} \cdot \left(\frac{v_{2}}{v_{1}}\right)^{2} = \frac{\cancel{R_{1}}}{2 \cancel{R_{1}}} \cdot \left(\frac{2 \cancel{v} 1}{\cancel{v_{1}}}\right)^{2} = \frac{4}{2}\] \[\frac{F_{2}}{F_{1}} = 2\]
Na razão entre as forças, a massa aparece tanto no numerador quanto no denominador e, por isso, é cancelada. Em seguida, usamos as relações fornecidas no enunciado: a velocidade do segundo movimento é o dobro da primeira, de modo que v2/v1 = 2, enquanto o raio da segunda trajetória também é o dobro do primeiro, de modo que R2 = 2R1. Como a velocidade está elevada ao quadrado na expressão da força centrípeta, o fator associado às velocidades é 22 = 4. O aumento do raio introduz um fator 2 no denominador, resultando na razão 4/2 = 2.
Portanto, a força centrípeta necessária no segundo movimento possui intensidade duas vezes maior que a do primeiro movimento. Assim, a alternativa correta é c).
Questão 3
UNICENTRO 2023O looping é uma das manobras acrobáticas aéreas mais conhecidas. Essa manobra, ou parte dela, forma um dos pilares básicos para a execução de centenas de outras figuras acrobáticas, embora seja uma das mais difíceis de ser executada corretamente, pois cada manobra deve ser executada conforme foi calculada teoricamente.
Sobre o looping , ilustrado na figura acima, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a velocidade do avião para que, no topo da curva, o piloto não sofra a ação de nenhuma força, seja do assento, seja do cinto de segurança.
Dado: g = 10 m/s2
Ver resposta e resolução da questão 3
Resposta: C
No ponto mais alto do looping, o centro da trajetória circular está abaixo do avião. Portanto, a aceleração centrípeta — e, consequentemente, a força centrípeta resultante — aponta para baixo.
Para que o piloto não sinta nenhuma força exercida pelo assento ou pelo cinto, a força normal deve ser nula. Assim, nesse instante, a única força relevante na direção radial é o peso do conjunto avião-piloto. Logo, o peso é responsável por fornecer integralmente a força centrípeta:
\[F_{c} = P + N \overset{N = 0}{\rightarrow} F_{c} = P\] \[\frac{\cancel{m} \cdot v^{2}}{R} = \cancel{m} \cdot g\] \[v = \sqrt{Rg}\]
Na primeira igualdade, Fc representa a força centrípeta, P representa o peso e N representa a força normal exercida pelo assento ou pelo cinto. Como N é igual a zero, a força centrípeta fica igual ao peso.
Em seguida, substitui-se a força centrípeta por sua expressão, mv2/R, e o peso por mg. A massa m aparece nos dois lados da igualdade e pode ser cancelada, pois é diferente de zero. Dessa forma, obtém-se a relação entre a velocidade v, o raio R da curva e a aceleração da gravidade g.
Substituindo o raio da curva, em metros, e a aceleração da gravidade fornecida no enunciado, obtém-se:
\[v = \sqrt{Rg}\] \[v = \sqrt{1000 \text{m} \cdot 10 \text{m} / s^{2}} = \sqrt{10000 \left( m / \text{s}\right)^{2}}\] \[v = 100 \text{m} / \text{s}\]
O resultado encontrado está em metros por segundo. Para convertê-lo para quilômetros por hora, utiliza-se o fator de conversão correspondente, pois 1 m/s equivale a 3,6 km/h:
\[v = 100 \text{m} / \text{s} \cdot \frac{3.6 k m / \text{h}}{1 \text{m} / \text{s}}\] \[v = 360 k m / \text{h}\]
Portanto, a velocidade necessária para que, no topo do looping, o piloto não sofra força do assento nem do cinto de segurança é 360 km/h. Assim, a alternativa correta é c).
Questão 4
UFJF · PISM I 2023Considere g = 10 m / s2,sen(30∘) = 1 / 2,cos(30∘) = √(3) / 2.
A Figura a seguir mostra um pêndulo simples, na superfície da Terra, composto de uma corda de comprimento l = 60 cm e uma massa m = 0,50 kg em sua extremidade. A corda é inextensível e possui massa desprezível. Ele oscila de modo que atinge a sua altura máxima no ponto A, quando a corda está ao longo da direção horizontal. O valor da tensão T no fio no ponto mais baixo B é:
Ver resposta e resolução da questão 4
Resposta: D
Como a corda é inextensível e não há dissipação de energia mencionada, conserva-se a energia mecânica entre o ponto A, de altura máxima, e o ponto B, o ponto mais baixo da trajetória. Em A, a velocidade é nula, pois o pêndulo inverte o sentido do movimento; portanto, sua energia é exclusivamente potencial gravitacional. Em B, tomando esse ponto como nível de referência, a energia é exclusivamente cinética.
A diferença de altura entre A e B é igual ao comprimento da corda, pois, em A, a corda está na horizontal e, em B, está na vertical. Assim, hA = l = 60 cm = 0,60 m. Aplicando a conservação da energia mecânica:
\[E_{B} = E_{A}\] \[\frac{\cancel{m} v_{B}^{2}}{2} = \cancel{m} gh_{A}\] \[v_{B} = \sqrt{2 \cdot 10 \cdot 0.6}\] \[v_{B} = 2 \sqrt{3} m / \text{s}\]
Nessa sequência, a massa aparece nos dois lados da igualdade e é cancelada. Em seguida, são substituídos o valor da aceleração da gravidade, g = 10 m/s2, e a altura, hA = 0,60 m. Dessa forma, a velocidade do pêndulo no ponto B é 2√3 m/s.
No ponto B, a aceleração centrípeta aponta para o centro da trajetória, que está acima da massa, ao longo da direção da corda. A tensão T aponta para cima, enquanto o peso P = mg aponta para baixo. Portanto, a força resultante radial é a diferença entre a tensão e o peso:
\[T – P = F_{c p}\] \[T – m g = \frac{\left(m v\right)_{B}^{2}}{I}\] \[T – 0.5 \cdot 10 = \frac{0.5 \cdot 12}{0.6}\] \[T = 15 \text{N}\]
Na última etapa, foram utilizados m = 0,50 kg, g = 10 m/s2, vB2 = (2√3)2 = 12 e o comprimento da corda, 0,60 m. O resultado mostra que a tensão precisa ser maior que o peso, pois, além de equilibrar o peso, ela deve fornecer a força centrípeta necessária para manter a massa em movimento circular.
Logo, a tensão no fio no ponto mais baixo B é 15 N. Portanto, a alternativa correta é d).
Questão 5
UDESC 2023A figura ilustra a parte traseira de um carro ao fazer uma curva à esquerda. A inclinação da curva é dada pelo ângulo θ
Assinale a alternativa que corresponde às orientações, respectivamente, da força centrípeta atuando sobre o carro ao fazer a curva, e da força de atrito estático nas rodas, impedindo que o carro derrape radialmente:
Ver resposta e resolução da questão 5
Resposta: A
Para compreender a dinâmica do veículo durante a curva, é necessário analisar as forças que atuam no plano horizontal e vertical para manter o movimento circular. A força centrípeta é uma resultante necessária para que qualquer corpo realize uma trajetória curvilínea, sendo sempre direcionada para o centro geométrico da curva percorrida.
No cenário de uma pista inclinada, a componente horizontal da força normal contribui para essa aceleração central. No entanto, em situações onde há inclinação e movimento, deve-se considerar também as forças de contato entre os pneus e o solo. O atrito estático desempenha um papel na estabilidade do automóvel: ele atua no sentido oposto à tendência de deslizamento lateral.
Considerando a geometria da pista, se não houvesse a atuação das forças de atrito, a inércia do veículo faria com que ele tendesse a subir a rampa, afastando-se do centro da trajetória. Portanto, para impedir esse deslocamento radial indesejado e garantir que o carro permaneça na curva, a força de atrito estático deve ser direcionada para baixo, ou seja, em direção ao centro da curva (sentido radial interno).
Dessa forma, estabelecemos as orientações vetoriais solicitadas: a força centrípeta aponta obrigatoriamente para o centro da trajetória circular, enquanto a força de atrito estático deve apontar para baixo na inclinação para contrabalançar a tendência de subida do veículo.

Ao observar a direção dos vetores na representação visual, confirma-se que a força centrípeta é direcionada para o centro da curva e a força de atrito estático atua paralelamente à superfície da pista, apontando para baixo.
Questão 6
PUC RJ 2023No modelo atômico de Bohr para o átomo de Hidrogênio, o elétron tem uma órbita circular em torno de um próton.
Qual é a ordem de grandeza da velocidade orbital do elétron, em m/s, sabendo que, aproximadamente, a força de atração elétrica é 10–7 N, a massa do elétron é 10–30 kg, e o raio da órbita é 0,5×10−10 m?
Ver resposta e resolução da questão 6
Resposta: D
Para determinar a velocidade orbital, utiliza-se a condição de movimento circular uniforme: a força resultante que aponta para o centro da órbita é a força centrípeta. Nesse caso, a força de atração elétrica exerce o papel de força centrípeta sobre o elétron.
A força centrípeta é dada pela expressão:
\[F = \frac{mv^{2}}{r}\] \[v = \sqrt{\frac{Fr}{m}}\] \[v = \sqrt{\frac{10^{- 7} \cdot 0.5 \cdot 10^{- 10}}{10^{- 30}}}\] \[v = \sqrt{5 \cdot 10^{12}}\] \[v = \sqrt{5} \cdot 10^{6} \text{m} / \text{s}\]
Na primeira expressão, F representa a força centrípeta, m é a massa do elétron, v é sua velocidade orbital e r é o raio da órbita. Isolando a velocidade, obtém-se a segunda expressão, na qual se calcula a raiz quadrada do produto entre a força e o raio, dividido pela massa.
Substituindo os valores fornecidos, a força é 10−7 N, o raio é 0,5 × 10−10 m e a massa é 10−30 kg. A divisão das potências de dez resulta em uma potência de expoente 13 no numerador antes da simplificação do fator 0,5; por isso, a expressão sob a raiz pode ser escrita como 5 × 1012.
Como a raiz quadrada de 5 é um número da ordem de 1, a principal contribuição para a ordem de grandeza vem de 106. Assim, a velocidade calculada é aproximadamente 2,2 × 106 m/s, mas sua ordem de grandeza é 106 m/s.
Portanto, a velocidade orbital do elétron é da ordem de 106 m/s, correspondente à alternativa d).
Questão 7
ITA 2023Um corpo de massa m é lançado em um plano horizontal sem atrito, sob ação da gravidade g, e, ao entrar em um tubo, executa uma trajetória circular de raio R. A força exercida no corpo pelo tubo logo após o início do movimento circular tem intensidade F. Após meia volta, o corpo percorre uma trajetória retilínea em movimento uniforme até certa distância e depois sobe até certa altura h. O corpo sai do tubo em movimento vertical e imediatamente passa a se mover dentro de um fluido viscoso até atingir altura máxima H, conforme mostra a figura. Considere que o corpo se desloca pelo tubo sem atrito; que o diâmetro do tubo é desprezível em relação a R, h e H; e que o módulo do trabalho realizado pela força de atrito viscoso até a massa atingir H é equivalente a um terço da energia cinética da partícula, quando esta adentra o fluido.
Assinale a alternativa que expressa H em função das variáveis fornecidas.
Ver resposta e resolução da questão 7
Resposta: C
No ponto A
No ponto A, o corpo está no início do movimento circular. As forças relevantes são a força exercida pelo tubo, de intensidade F, e o peso P, cuja intensidade é mg. Considerando a orientação radial indicada pela trajetória, a força resultante centrípeta é a diferença entre essas duas forças.

A aplicação da segunda lei de Newton na direção radial fornece
\[F – P = F_{\text{cp}}\] \[F – mg = \frac{mv_{0}^{2}}{R}\] \[\left(v_{0}^{}\right)^{2} = \frac{FR}{m} – gR \left(I\right)\]
Nessas expressões, Fcp representa a força centrípeta, isto é, a resultante radial necessária para manter o corpo na trajetória circular. Como a força centrípeta tem módulo \(\frac{m}{v^{2}}\) e, no ponto A, a velocidade é v0, obtém-se a segunda igualdade. Isolando \(v_{0}^{2}\), resulta a equação (I).
De A para B
Entre A e B, o corpo se desloca pelo tubo sem atrito. Portanto, a energia mecânica se conserva. O ponto B está a uma altura \(2 R + h\) acima do nível de referência adotado em A, de modo que o aumento da energia potencial gravitacional é \(mg \left(2 R + h\right)\).
A conservação da energia mecânica é escrita como
\[E_{M_{A}} = E_{M_{B}}\] \[\frac{\cancel{\text{m}} \left(v_{0}\right)^{2}}{2} = \frac{\cancel{\text{m}} v^{2}}{2} + \cancel{m} g \left(2 R + h\right)\] \[\frac{FR}{m} – gR = v^{2} + 2 \text{g} \left(2 R + h\right)\] \[v^{2} = \frac{FR}{m} – 5 gR – 2 gh \left(II\right)\]
Na primeira igualdade, os termos correspondentes à massa podem ser cancelados. Em seguida, substitui-se \(v_{0}^{2}\) pelo resultado obtido em (I). Ao desenvolver o termo gravitacional e reorganizar a expressão para deixar \(v^{2}\) isolado, chega-se à equação (II), que fornece a velocidade do corpo ao atingir o ponto B.
De B para C
De B até a entrada no fluido, o corpo sobe uma altura H − h. Ao entrar no fluido, sua energia cinética é \(\frac{m v^{2}}{2}\). O enunciado informa que o módulo do trabalho realizado pela força de atrito viscoso é igual a um terço dessa energia cinética. Como o atrito realiza trabalho contrário ao movimento, seu trabalho é negativo.
Aplicando o teorema trabalho–energia, segundo o qual o trabalho resultante é igual à variação da energia mecânica, temos
\[\tau_{\text{Fat}} = ΔE_{M}\] \[\frac{1}{3} \left(- \frac{\cancel{m} v^{2}}{2}\right) = \cancel{m} \left(H – h\right) – \frac{\cancel{m} v^{2}}{2}\] \[v^{2} = 3 \text{g} \left(H – h\right)\]
A massa se cancela nessa relação. Depois, isolando a velocidade de entrada no fluido, obtém-se a relação entre v2 e a elevação adicional H − h. Substituindo nessa equação o resultado encontrado em (II), segue que
\[\frac{FR}{m} – 5 gR – 2 gh = 3 gH – 3 gh\]
Dividindo todos os termos por g e reorganizando os termos que contêm H, resulta
\[\frac{FR}{mg} – 5 R + h = 3 \text{H}\]
Finalmente, dividindo a igualdade por 3, encontramos
\[H = \frac{1}{3} \left(h – 5 R + \frac{FR}{mg}\right)\]
Portanto, a altura máxima atingida pelo corpo é expressa pela alternativa c.
Questão 8
FUVEST · Transferência USP 2023
Manobra muito conhecida na aviação acrobática, o tonneau é um giro completo ao redor do eixo longitudinal da aeronave, formando uma espécie de “parafuso” no ar, como mostrado na imagem. Suponha que um piloto queira exibir sua habilidade realizando essa manobra com um copo de água sobre o painel da aeronave. Nesse caso, qual o intervalo que compreende a velocidade mínima que ele deve voar de maneira que a água não derrame, considerando que o raio do “parafuso” seja de 100 m e que o eixo do “parafuso” esteja paralelo ao solo?
Note e adote: g = 10 m/s2
Ver resposta e resolução da questão 8
Resposta: A
Para que a água permaneça no copo durante toda a manobra, é necessário analisar a condição mais crítica do movimento: o instante em que o copo está na parte superior da trajetória circular. Nesse ponto, a aceleração centrípeta aponta para o centro da trajetória, isto é, para baixo, no mesmo sentido da força peso.
No limite mínimo para que a água não derrame, a força resultante necessária para produzir a aceleração centrípeta deve ser igual ao peso da água. Assim, a força centrípeta deve satisfazer:
\[F_{\text{cp}} = P\]
A intensidade da força centrípeta é dada por mv2/R, em que m é a massa da água, v é a velocidade da aeronave e R é o raio do “parafuso”. O peso da água é mg, em que g é a aceleração da gravidade. Portanto:
\[\frac{\cancel{m} v^{2}}{R} = \cancel{m} g\]
A massa aparece nos dois lados da igualdade e, por isso, pode ser cancelada. Isso mostra que a velocidade mínima não depende da quantidade de água, mas apenas do raio da trajetória e da aceleração da gravidade. Isolando a velocidade, obtemos:
\[v = \sqrt{Rg} = \sqrt{100 \cdot 10}\]
Substituindo o raio R = 100 m e adotando g = 10 m/s2, a velocidade mínima é:
\[v \simeq 31.62 \text{m} / \text{s} = 113.84 \text{km} / \text{h}\]
Como essa é a velocidade-limite, a aeronave deve voar com velocidade igual ou superior a aproximadamente 113,84 km/h. Entre os intervalos oferecidos, esse valor está compreendido entre 100 km/h e 120 km/h. Portanto:
\[100 k m / \text{h} \leq v <</mo>120km/h\]
Logo, a alternativa correta é a) 100 km/h ≤ v < 120 km/h.
Questão 9
FUVEST 2023O telescópio espacial James Webb, lançado em dezembro de 2021, move-se nas proximidades de um ponto especial chamado ponto de Lagrange , sobre o qual um objeto orbita o Sol com o mesmo período de translação que a Terra. O esquema a seguir, fora de escala, representa o Sol, a Terra e o telescópio Webb, com as respectivas massas e distâncias indicadas.
A força resultante necessária para manter um objeto de massa m em uma órbita circular de raio R com velocidade angular ω é F = mω2R. Sendo FT e FW as intensidades das forças gravitacionais resultantes sobre a Terra e sobre o telescópio, respectivamente, assinale a alternativa que descreve a razão FW / FT entre essas forças.
Note e adote:
Despreze os efeitos gravitacionais da Lua e suponha que MW seja desprezível frente às outras massas e que as órbitas sejam perfeitamente circulares. Suponha ainda que o telescópio se situe exatamente sobre o ponto de Lagrange .
Ver resposta e resolução da questão 9
Resposta: C
Como o telescópio Webb e a Terra orbitam o Sol com o mesmo período de translação, ambos realizam uma volta completa no mesmo intervalo de tempo. Portanto, suas velocidades angulares são iguais:
\[\left(\omega\right)\]
Na expressão da força resultante necessária para manter um corpo em movimento circular uniforme, m representa a massa do corpo, ω é a velocidade angular e R é o raio da órbita medido em relação ao centro da trajetória. Assim, para o telescópio, cuja massa é mW e cujo raio orbital é RW, tem-se:
\[\begin{cases} F_{W} = m_{W} \omega^{2} R_{W} \\ F_{T} = m_{T} \omega^{2} R_{T} \end{cases} \rangle \div\]
A primeira igualdade corresponde à força resultante sobre o Webb, e a segunda, à força resultante sobre a Terra. Como o objetivo é comparar as duas forças, divide-se a primeira expressão pela segunda:
\[\frac{F_{W}}{F_{T}} = \frac{m_{W} \cancel{\omega^{2}} R_{W}}{m_{T} \cancel{\omega^{2}} R_{T}}\]
O fator \(\omega^{2}\) aparece tanto no numerador quanto no denominador. Como as velocidades angulares são iguais, esse fator pode ser cancelado. Restam, portanto, as massas e os raios orbitais:
\[\frac{F_{W}}{F_{T}} = \frac{m_{W} R_{W}}{m_{T} R_{T}}\]
Logo, a razão entre as forças é diretamente proporcional ao produto da massa pelo raio orbital de cada corpo. A expressão obtida corresponde à alternativa c):
\[\frac{F_{W}}{F_{T}} = \frac{m_{W} R_{W}}{m_{T} R_{T}}\]
Questão 10
FCMSCSP 2023A ausência de gravidade será um dos grandes problemas durante possíveis viagens espaciais para outros planetas, pois causa perda de massa muscular, perda de cálcio dos ossos, perda de imunidade e, nos primeiros dias no espaço, o deslocamento do sangue para a parte superior do corpo.
Uma solução já cogitada para esse problema é produzir “gravidade artificial”, o que pode ser feito por meio de um compartimento rotativo que produza uma aceleração que simule o efeito do peso sobre os astronautas.
(https://planeta.rio. Adaptado.)
Considere uma estrutura rotatória de forma cilíndrica na qual se pretenda produzir uma aceleração centrípeta de mesmo módulo que a aceleração da gravidade terrestre, de 9,8 m/s2, em um ponto que esteja a 20 m de distância do eixo longitudinal dessa estrutura.
Para isso, esse cilindro deve girar em torno desse eixo com velocidade angular de
Ver resposta e resolução da questão 10
Resposta: B
A aceleração centrípeta é a aceleração dirigida para o eixo de rotação. No ponto considerado, ela deve ter o mesmo módulo da aceleração da gravidade terrestre, para que o efeito produzido pela rotação seja equivalente ao peso aparente de um astronauta.
Para um ponto situado a uma distância R do eixo de rotação e com velocidade angular ω, a aceleração centrípeta é dada por acp = ω²R. Como o problema informa que essa aceleração deve ser igual a g = 9,8 m/s², usamos a relação:
\[a_{c p} = \omega^{2} R = g\] \[\omega^{2} \cdot 20 = 9.8\] \[\omega = \sqrt{0.49}\] \[\omega = 0.70 r a d / \text{s}\]
Na substituição, foi utilizado R = 20 m, que é a distância do ponto ao eixo longitudinal do cilindro. Como a aceleração centrípeta é proporcional ao quadrado da velocidade angular, isolamos ω dividindo ambos os lados por 20 e, em seguida, extraindo a raiz quadrada. A unidade da velocidade angular é o radiano por segundo, representada por rad/s.
Assim, a velocidade angular necessária é 0,70 rad/s. Portanto, a alternativa correta é a b).
