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Revise a teoria: resumo de Energia.
Questões desta lista
Questão 1
UEG 2026Um projétil é lançado obliquamente a partir do solo, numa direção que faz ângulo de 30° com a horizontal e com velocidade de magnitude desconhecida. Desconsiderando a resistência do ar e considerando a aceleração gravitacional vertical para baixo e constante, qual é a razão Ec/Ep, entre energia cinética e energia potencial gravitacional, no ponto mais alto da trajetória?
Ver resposta e resolução da questão 1
Resposta: A
O projétil é lançado com velocidade inicial v0, formando um ângulo de 30° com a horizontal. Essa velocidade pode ser decomposta em duas componentes: uma horizontal, responsável pelo movimento horizontal, e outra vertical, responsável pela subida e descida do projétil.
No ponto mais alto da trajetória, a componente vertical da velocidade torna-se nula, pois o projétil deixa de subir e passa, em seguida, a descer. A componente horizontal, por sua vez, permanece constante, já que não há aceleração horizontal. Assim, no ponto mais alto, a velocidade do projétil é apenas a componente horizontal:
No ponto mais alto de um lançamento oblíquo, a velocidade vertical é nula, restando apenas a componente horizontal constante \(v_{x} = v_{0} \cdot cos \left(30 \circ\right) .\)
Como a energia cinética depende do quadrado da velocidade, devemos utilizar a componente horizontal na expressão da energia cinética no ponto mais alto. Usando cos(30°) = √3/2, seu quadrado vale 3/4. Portanto:
Energia cinética no topo (Ec):
\[E_{c} = \frac{1}{2} \text{m} \cdot \left(v_{0} \cdot cos 30 \circ\right)^{2} = \frac{1}{2} mv_{0}^{2} \cdot \frac{3}{4} .\]
Para determinar a energia potencial gravitacional no ponto mais alto, considere como referência o ponto de lançamento, no solo. Durante a subida, a energia cinética associada à componente vertical da velocidade inicial é convertida em energia potencial gravitacional. No ponto mais alto, essa componente vertical da velocidade foi totalmente reduzida a zero; por isso, o aumento da energia potencial corresponde exatamente à energia cinética vertical inicial.
A componente vertical inicial é v0 sen(30°). Como sen(30°) = 1/2, o quadrado dessa componente fornece o fator 1/4:
Energia potencial no topo (Ep):
Pela conservação da energia, a energia potencial no topo equivale à energia cinética da componente vertical inicial:
\[E_{p} = \frac{1}{2} \text{m} \cdot \left(v_{0} \cdot sen 30 \circ\right)^{2} = \frac{1}{2} mv_{0}^{2} \cdot \frac{1}{4} .\]
Agora, calculamos a razão entre as duas energias. Os fatores comuns ½, m e v02 aparecem tanto no numerador quanto no denominador e, portanto, são cancelados. Resta comparar os fatores associados às componentes horizontal e vertical da velocidade:
\[\frac{E_{c}}{E_{p}} = \frac{3 / 4}{1 / 4} = 3\]
Logo, no ponto mais alto da trajetória, a energia cinética é três vezes a energia potencial gravitacional. Portanto, a alternativa correta é a) 3.
Questão 2
EFOMM 2026Utilize o valor g = 10 m/s2 para a aceleração da gravidade, a menos que seja determinado o contrário em alguma questão
Uma esfera de raio desprezível, considerada uma partícula, está grudada na extremidade de uma barra e articulada, de comprimento L e de massa desprezível, que se encontra na posição vertical. Um bloco está encostado na partícula, e o sistema está inicialmente em repouso. A aceleração da gravidade vale g, e a força que a barra exerce sobre a partícula tem sempre a mesma direção da barra.

O sistema é retirado do equilíbrio por um ínfimo deslocamento angular da partícula para a direita, que é, em seguida, solta para se mover sob ação da gravidade. O bloco passa a ser empurrado para a direita pela partícula, transladando sem girar. No instante em que o contato entre a partícula e o bloco é perdido, a barra faz um ângulo θ com a horizontal.
A velocidade do bloco nesse momento vale:
Ver resposta e resolução da questão 2
Resposta: B
A resolução utiliza a conservação da energia mecânica e a condição de perda de contato entre a partícula e o bloco. Enquanto há contato, o bloco acompanha horizontalmente a partícula. Portanto, no instante em que o contato é perdido, as velocidades horizontais dos dois corpos são iguais.
Como o bloco se desloca apenas na horizontal, sua velocidade é horizontal. Já a partícula está presa à extremidade da barra e realiza movimento circular em torno do ponto de articulação. Assim, a velocidade da partícula é tangente à trajetória circular.
No instante em que ocorre a separação, a componente horizontal da velocidade da partícula deve ser igual à velocidade do bloco:
vp,h = vb

Para determinar o módulo da velocidade tangencial da partícula, analisamos as forças que atuam na direção radial, isto é, na direção da barra. No instante da perda de contato, a força normal entre a partícula e o bloco é nula. Além disso, a força que a barra exerce sobre a partícula tem direção coincidente com a própria barra.
A componente do peso na direção da barra é responsável pela aceleração centrípeta. Como a barra faz um ângulo θ com a horizontal, a componente do peso paralela à barra é dada por P · sen θ, em que P = mg. Portanto, a condição de equilíbrio das forças na direção radial é:
\[P \cdot sen \theta = F_{\text{cp}}\]
A força centrípeta tem módulo \(\frac{m v^{2}}{L}\). Substituindo P = mg na relação anterior, obtemos:
\[\cancel{m} g \cdot sen \theta = \frac{\cancel{m} v^{2}}{L}\]
A massa aparece nos dois lados da igualdade e, por isso, pode ser simplificada. Em seguida, isolamos a velocidade tangencial v:
\[g \cdot sen \theta = \frac{v^{2}}{L}\]
Multiplicando os dois lados por L, resulta:
\[v^{2} = Lg \cdot sen \theta\]
Como a velocidade é uma grandeza positiva, extraímos a raiz quadrada positiva:
\[v = \sqrt{Lg \cdot sen \theta}\]
Essa é a velocidade tangencial da partícula, e não diretamente a velocidade do bloco. Para obter a velocidade do bloco, devemos considerar a componente horizontal da velocidade da partícula.
A barra faz um ângulo θ com a horizontal. Como a velocidade tangencial é perpendicular à barra, a componente horizontal da velocidade tangencial é:
\[v_{p} = v \cdot sen \theta\]
Na perda de contato, essa componente horizontal coincide com a velocidade do bloco. Portanto:
\[v_{p} = v_{b} = v \cdot sen \theta \overset{v = \sqrt{Lg \cdot sen \theta}}{\rightarrow} v_{p} = v_{b} = \sqrt{Lg \cdot sen \theta} \cdot sen \theta\]
Substituindo a expressão da velocidade tangencial, o fator sen θ que está fora da raiz pode ser incorporado à raiz como \(\sqrt{sen^{2} \theta}\). Assim, ele se combina com o fator sen θ que já estava dentro da raiz, formando sen3 θ:
\[v_{p} = v_{b} = \sqrt{Lg \cdot sen^{3} \theta}\]
Logo, a velocidade do bloco no instante em que o contato é perdido é \(\sqrt{Lg \cdot sen^{3} \theta}\), correspondente à alternativa b).
Questão 3
EFOMM 2026Utilize o valor g = 10 m/s2 para a aceleração da gravidade, a menos que seja determinado o contrário em alguma questão
A Figura 1 mostra um instante qualquer do movimento de 2 (dois) blocos idênticos com massas iguais e formato cúbico. Eles se ajustam sem folga na guia e podem se mover em linha reta sem atrito.

Os blocos são conectados por uma barra rígida com 1m de comprimento e massa desprezível. As conexões no topo de cada bloco são articuladas, o que permite a rotação da barra durante o movimento. O sistema é inicialmente colocado em repouso na configuração ilustrada em vista superior na Figura 2.

O bloco da direita é lançado na direção y com velocidade inicial de 2 m/s, movimentando o outro bloco ao longo da direção x. Escrevendo as equações da conservação de energia mecânica e do vínculo geométrico do problema, é possível fazer uma analogia entre o movimento dos blocos e outro tipo de movimento bem conhecido.
Assinale a alternativa que mais se aproxima do tempo necessário para que o bloco da esquerda chegue à extremidade direita.
Ver resposta e resolução da questão 3
Resposta: A
Vínculo geométrico
Como os blocos se deslocam em direções perpendiculares e permanecem unidos pela barra rígida, a distância entre eles não se altera. Essa distância é sempre igual ao comprimento da barra, L = 1 m. Portanto, as posições dos blocos podem ser representadas pelos catetos de um triângulo retângulo: o bloco da esquerda está associado à coordenada horizontal x, e o bloco da direita, à coordenada vertical y.
Pelo Teorema de Pitágoras, a soma dos quadrados dessas coordenadas deve ser igual ao quadrado do comprimento da barra:
\[x^{2} + y^{2} = L^{2} \overset{L = 1 \text{m}}{\rightarrow} x^{2} + y^{2} = 1\]
Essa equação é o vínculo geométrico do sistema: embora os blocos possam se mover, suas posições não são independentes, pois devem sempre satisfazer essa relação.
Para relacionar as velocidades dos blocos, diferenciamos o vínculo em relação ao tempo. O lado direito é constante, pois o comprimento da barra não varia:
\[\frac{d}{dt} \left(x^{2} + y^{2}\right) = \frac{d}{dt} \left(1\right)\] \[\frac{d}{dt} \left(x^{2}\right) + \frac{d}{dt} \left(y^{2}\right) = 0\] \[2 x \frac{dx}{dt} + 2 y \frac{dy}{dt} = 0\] \[x v_{x} + y v_{y} = 0\]
Nas etapas acima, foram usadas as relações\(\frac{dx}{dt}\)= vx e\(\frac{dy}{dt}\)= vy. A última igualdade mostra que as velocidades estão vinculadas pela geometria: quando uma coordenada aumenta, a outra deve variar de modo a manter constante a distância entre os blocos.
Analogia com o movimento circular uniforme
Para tornar o movimento mais simples, introduzimos o ângulo\(\theta\), formado pela barra com o eixo horizontal. Como a barra tem comprimento unitário, suas projeções horizontal e vertical são, respectivamente, o cosseno e o seno desse ângulo:
\[x = cos \theta ; y = sen \theta\]
Derivando essas expressões em relação ao tempo, obtemos as velocidades dos blocos. A taxa de variação do ângulo é a velocidade angular, representada por\(\overset{\cdot}{\theta}\):
\[v_{x} = – \overset{\cdot}{\theta} sen \theta ; v_{y} = \overset{\cdot}{\theta} cos \theta\]
O sinal negativo em vx indica que, conforme o bloco da direita se desloca no sentido positivo de y, a coordenada x diminui. Isso é compatível com o movimento descrito no enunciado.
Conservação da energia mecânica
Os blocos têm a mesma massa m e se movem sem atrito. Assim, não há perda de energia mecânica por forças dissipativas. Além disso, como o movimento ocorre no plano horizontal, a energia potencial gravitacional permanece constante. A energia cinética total é a soma das energias cinéticas dos dois blocos:
\[K = \frac{1}{2} \text{m} \left(v_{x}\right)^{2} + \frac{1}{2} \text{m} \left(v_{y}\right)^{2} = \frac{1}{2} \text{m} \left(\overset{\cdot}{\theta}\right)^{2} \left(sen^{2} \theta + cos^{2} \theta\right) = \frac{1}{2} \text{m} \left(\overset{\cdot}{\theta}\right)^{2}\]
Na simplificação, foi utilizada a identidade trigonométrica sen2θ + cos2θ = 1. Como a energia cinética se conserva, o valor de\(\overset{\cdot}{\theta}\), isto é, da velocidade angular, permanece constante. Portanto, o movimento pode ser tratado como um movimento circular uniforme em termos do ângulo da barra.
Usando\(\omega = \overset{\cdot}{\theta}\), a expressão da energia também pode ser escrita como:
\[K = \frac{1}{2} \text{m} \left(v_{x}\right)^{2} + \frac{1}{2} \text{m} \left(v_{y}\right)^{2} = \frac{1}{2} \text{m} \omega^{2}\] \[K = \left(v_{x}\right)^{2} + \left(v_{y}\right)^{2} = \omega^{2}\]
Cálculo da velocidade angular inicial
No instante inicial, o bloco da direita recebe velocidade na direção y de 2 m/s. Como a configuração inicial corresponde a\(\theta = 0 \circ\), temos cos(0°) = 1. Aplicando essa condição à expressão da velocidade vertical:
\[v_{y} = \omega \cdot cos 0 o\] \[v_{y} = \omega = 2 \text{rad} / \text{s}\]
Logo, a velocidade angular constante é\(\omega = 2 \text{rad} / \text{s}\). A unidade rad/s é adequada porque a velocidade angular mede a variação do ângulo, em radianos, por unidade de tempo.
Determinação do tempo
O bloco da esquerda chega à extremidade direita quando sua coordenada horizontal passa a ser x = 0. Pela relação x = cos θ, isso ocorre quando a barra fica vertical, isto é, quando o ângulo atinge\(\theta = \frac{\pi}{2} \text{rad}\).
Como o movimento começa em\(\theta = 0\), a variação angular necessária é:
\[Δθ = \frac{\pi}{2} \text{rad} .\]
No movimento circular uniforme, o tempo é obtido dividindo o deslocamento angular pela velocidade angular:
\[t = \frac{Δθ}{\omega} = \frac{\frac{\pi}{2} \text{rad}}{2 \text{rad} / \text{s}} = \frac{\pi}{4} \text{s} \approx 0.79 \text{s}\]
Assim, o tempo necessário para que o bloco da esquerda chegue à extremidade direita é aproximadamente 0,79 s. Portanto, a alternativa correta é a) 0,79 s.
Questão 4
Einstein · Medicina 2026Dois blocos, A e B, de massas mA = 6 kg e mB = 2 kg, estão em repouso, ligados por um fio ideal que passa por uma polia de massa desprezível, fixa em uma haste horizontal. Inicialmente, o sistema não se movimenta devido à ação de um conjunto de travas que prende o bloco B ao solo. Nessa situação, a base do bloco A está a 3,2 m de altura e o bloco B está em contato com o solo, conforme a figura 1. Quando o bloco B é liberado, os blocos passam a se mover livres da ação de quaisquer forças dissipativas e, em um dado instante, as bases dos blocos A e B estão a uma mesma altura em relação ao solo, conforme a figura 2.

Adotando g = 10 m/s2, a velocidade v dos blocos A e B, no instante em que suas bases estiverem a uma mesma altura h em relação ao solo, é de
Ver resposta e resolução da questão 4
Resposta: C
Como o sistema se move livre de forças dissipativas, como atrito e resistência do ar, aplica-se o Princípio da Conservação da Energia Mecânica. Assim, a energia mecânica total do sistema permanece constante durante o movimento.
O fio é ideal e permanece esticado, portanto os blocos percorrem deslocamentos de mesmo módulo e possuem velocidades de mesmo módulo. Enquanto o bloco A desce, o bloco B sobe.
Inicialmente, o bloco A está a 3,2 m do solo, enquanto o bloco B está a 0 m. Seja d a distância percorrida por cada bloco até o instante em que suas bases ficam na mesma altura. Nesse momento, a altura do bloco A é sua altura inicial menos o deslocamento, e a altura do bloco B é sua altura inicial mais o deslocamento:
Altura do bloco A: hA = 3,2 − d.
Altura do bloco B: hB = 0 + d.
Como, no instante considerado, as duas bases estão na mesma altura, temos hA = hB. Portanto:
\[3.2 – d = d\] \[2 d = 3.2\] \(d = 1.6 \text{m}\)
Logo, cada bloco se desloca 1,6 m. A altura comum é obtida, por exemplo, somando o deslocamento do bloco B à sua altura inicial:
h = 0 + 1,6 = 1,6 m.
Agora, calculamos a energia mecânica inicial. Como os blocos estavam em repouso, a energia cinética inicial era nula. Além disso, tomando o solo como nível de referência, o bloco B tinha energia potencial gravitacional nula, pois estava no solo. Assim, a energia mecânica inicial corresponde apenas à energia potencial gravitacional do bloco A:
\[E_{\text{inicial}} = m_{A} \cdot g \cdot h_{A} = 6 \cdot 10 \cdot 3.2\] \[E_{\text{inicial}} = 192 \text{J}\]
O valor de 192 J é obtido multiplicando a massa do bloco A, 6 kg, pela aceleração da gravidade, 10 m/s², e pela altura inicial, 3,2 m. A unidade resultante é o joule, unidade de energia.
No instante final, os dois blocos estão à mesma altura h e têm velocidades de mesmo módulo v. Portanto, a energia potencial gravitacional total é calculada usando a soma das massas, e a energia cinética total também é a soma das energias cinéticas dos dois blocos:
\[E_{\text{final}} = \left(m_{A} + m_{B}\right) \cdot g \cdot h + \left(m_{A} + m_{B}\right) \cdot \frac{v^{2}}{2} = \left(6 + 2\right) \cdot 10 \cdot 1.6 + \left(6 + 2\right) \cdot \frac{v^{2}}{2}\] \[E_{\text{final}} = 128 + 4 v^{2} \text{J}\]
Na expressão da energia final, o termo 128 J representa a energia potencial gravitacional dos dois blocos na altura comum de 1,6 m. Já o termo 4v2 representa a energia cinética total, pois a massa total é 8 kg e ambos os blocos têm velocidade de módulo v.
Como a energia mecânica se conserva, a energia inicial deve ser igual à energia final:
\[E_{\text{inicial}} = E_{\text{final}}\] \[192 = 128 + 4 v^{2}\] \[4 v^{2} = 64\] \[v^{2} = 16 v = 4 \text{m} / \text{s}\]
Portanto, no instante em que as bases dos blocos estão na mesma altura, a velocidade dos dois blocos tem módulo 4 m/s.
Resposta: alternativa c) 4 m/s.
Questão 5
UFSM 2025A realização de movimentos no dia a dia pode fazer a diferença na saúde das pessoas. Utilizar escadas, em vez de elevadores, e outras pequenas mudanças de comportamento ajudam a manter o corpo mais ativo, diminuindo o sedentarismo, as doenças cardíacas e até as doenças neurodegenerativas.
Fonte: BRASIL . Movimentos rotineiros como subir escada podem salvar o coração . Brasilia, DF: Senado Federal, 2018. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-querome- exercitar/noticias/2018/alongamento-e-bom-antes-e-depoisda- atividade-fisica>. Acesso em: 09 ago. 2024. (Adaptado).
Ciente da necessidade de uma vida saudável, uma caloura da UFSM decide fazer uma caminhada até o campus e visitar o diretório acadêmico de seu curso. No prédio, é informada de que precisa subir dois andares para chegar ao local. Para realizar este deslocamento vertical, ela tem a opção de usar o elevador ou a escada. Assumindo que a caloura, bem como qualquer outro objeto, comporta-se como uma partícula em um sistema conservativo e considerando um referencial fixo no primeiro pavimento do prédio, considere as afirmativas a seguir.
I. A variação da energia potencial gravitacional, associada ao sistema Terra-Caloura, é maior quando o deslocamento entre os dois andares é realizado pela escada em relação ao mesmo deslocamento realizado a partir do elevador.
II. Considerando o intervalo de tempo utilizado para realizar o deslocamento, a potência média empregada para subir as escadas aumenta se o intervalo de tempo também aumentar.
III. Se, ao chegar ao terceiro andar, a caloura deixar o seu molho de chaves cair pelo vão da escada em queda livre até o primeiro andar, o módulo da velocidade dessa partícula, ao cair um andar, seria a metade do observado quando o molho de chaves tocar o solo, após cair dois andares.
IV. Se o sistema for não conservativo com um rendimento de 0,4, o trabalho realizado pela força peso da caloura durante o deslocamento vertical seria suficiente para um deslocamento vertical 2,5 maior em um sistema conservativo.
Está(ão) correta(s)
Ver resposta e resolução da questão 5
Resposta: A
I. Falsa. A energia potencial gravitacional do sistema Terra-caloura depende da massa da caloura, da aceleração da gravidade e da altura em relação ao referencial adotado, e não do caminho percorrido. Como o deslocamento termina no mesmo terceiro andar, tanto pela escada quanto pelo elevador, a variação da altura é a mesma nos dois casos. Portanto, a variação da energia potencial gravitacional é igual nos dois trajetos, não sendo maior no percurso realizado pela escada.
II. Falsa. A potência média corresponde à razão entre o trabalho realizado e o intervalo de tempo gasto para realizá-lo. Essa relação é expressa por
\[P = \frac{\tau}{\Delta t} .\]
Para o mesmo deslocamento vertical, o trabalho associado à subida permanece determinado pela variação da energia potencial gravitacional. Assim, se o intervalo de tempo \(\Delta t\) aumenta, o denominador da expressão aumenta enquanto o trabalho permanece o mesmo. Consequentemente, a potência média diminui, e não aumenta. A potência só aumentaria se o mesmo trabalho fosse realizado em um intervalo de tempo menor.
III. Falsa. Considerando a queda livre e desprezando a resistência do ar, a energia potencial gravitacional perdida durante a queda transforma-se em energia cinética. Para uma queda a partir de uma altura \(h\), a igualdade entre essas energias é
\[\cancel{m} gh = \frac{\cancel{m} v^{2}}{2}\]
A massa aparece nos dois lados da igualdade e pode ser cancelada. Isolando a velocidade, obtém-se
\[v = \sqrt{2 gh}\]
Logo, após cair um andar, cuja altura é representada por \(h\), o módulo da velocidade é proporcional à raiz quadrada da altura caída. Quando o molho de chaves cai dois andares, a altura total da queda é \(2 \text{h}\). Portanto, sua velocidade ao atingir o solo é
\[v^{′} = \sqrt{2 \text{g} \cdot 2 \text{h}} = 2 \sqrt{g h}\]
Comparando os dois resultados, a velocidade após a queda de dois andares é \(\sqrt{2}\) vezes a velocidade após a queda de um andar, e não duas vezes maior. Assim, a velocidade após um andar não corresponde à metade da velocidade observada após dois andares. Portanto, a afirmativa é falsa.
IV. Verdadeira. No sistema conservativo, considerando o deslocamento vertical de altura \(h\), o trabalho associado é
\[\tau_{c} = mgh\]
Em um sistema não conservativo com rendimento de \(0.4\), apenas 40% do trabalho fornecido é aproveitado. Por isso, para produzir o mesmo efeito associado ao trabalho conservativo \(\tau_{c}\), o trabalho necessário no sistema não conservativo deve ser dividido pelo rendimento. Assim,
\[\tau_{\text{nc}} = \frac{mgh}{0.4} = 2.5 \tau_{c}\]
Portanto, o trabalho correspondente no sistema não conservativo equivale a 2,5 vezes o trabalho do sistema conservativo. Como esse trabalho é proporcional à altura alcançada, ele seria suficiente para realizar um deslocamento vertical 2,5 vezes maior no sistema conservativo. A afirmativa IV é, portanto, verdadeira.
Assim, as afirmativas I, II e III são falsas, enquanto a afirmativa IV é verdadeira. Logo, está correta a alternativa a) apenas IV.
Questão 6
UEA 2024Uma criança constrói uma rampa para brincar com seu carrinho, conforme a figura.
O carrinho é, então, abandonado no início da rampa, com velocidade nula. Considerando uma condição em que não haja atrito ou nenhuma outra forma de dissipação de energia, o carrinho obterá sua maior velocidade no ponto
Ver resposta e resolução da questão 6
Resposta: B
Como não há atrito nem qualquer outra forma de dissipação de energia, a energia mecânica do carrinho permanece constante durante todo o movimento. Essa energia é a soma da energia cinética, associada ao movimento, com a energia potencial gravitacional, associada à altura do carrinho.

A conservação da energia mecânica pode ser expressa por
\[E_{c i n} + E_{p o t} = E_{m e c}\]
Nessa relação, Ecin representa a energia cinética, Epot representa a energia potencial gravitacional e Emec representa a energia mecânica total. Como essa energia total não varia, quando a energia potencial diminui, a energia cinética aumenta na mesma proporção.
Reorganizando a igualdade para destacar a energia cinética, obtém-se
\[E_{c i n} = E_{m e c} – E_{p o t}\]
Assim, a energia cinética será máxima no ponto em que a energia potencial gravitacional for mínima. Como a energia potencial gravitacional depende da altura, isso ocorre no ponto de menor altura da rampa.
Portanto, no ponto de velocidade máxima, temos
\[E_{c i n}^{m a ́ x}\]
e, simultaneamente,
\[E_{p o t}^{m i ́ n}\]
Na figura, o ponto de menor altura é o ponto 3. Logo, é nesse ponto que o carrinho apresenta sua maior energia cinética e, consequentemente, sua maior velocidade.
Resposta: alternativa b) 3.
Questão 7
Provão Paulista · Etapa I 2023Um gatinho brincando com uma bola sobre uma mesa se diverte ao vê-la deslizar com velocidade constante até cair e atingir o chão.
Desprezando eventuais perdas por atrito e a resistência do ar, podemos afirmar que, durante a queda,
Ver resposta e resolução da questão 7
Resposta: B
Ao considerar que as forças de resistência do ar e de atrito não exercem influência sobre o movimento, estabelece-se um cenário de sistema conservativo. Nesse contexto, a energia mecânica total permanece inalterada ao longo de todo o percurso da queda.
Além disso, sob essas condições ideais, o objeto está sujeito exclusivamente à força gravitacional, o que implica que sua aceleração será constante durante todo o trajeto, sendo equivalente ao valor da aceleração da gravidade local.
Questão 8
Unifor · Medicina 2022Em um experimento realizado por alunos de Física do professor Descobertônio, no laboratório, um pêndulo, composto de fio inextensível e massa, oscila do ponto A ao ponto B, no mesmo nível horizontal (nível III) e no plano vertical. Despreze as forças dissipativas. Em dado momento, um dos alunos intercepta a trajetória de oscilação colocando o dedo no ponto C (nível II) na posição indicada na figura abaixo, atingindo apenas o fio, impedindo que a massa atinja o ponto B. Conforme descrito acima (a massa, saindo do ponto A, com a intercepção pelo dedo do aluno ao fio no ponto C), marque a opção que indica o nível horizontal indicado na imagem abaixo que será atingido por último pela massa.
Ver resposta e resolução da questão 8
Resposta: C
Para compreender o comportamento da massa pendular após a intercepção do fio, é necessário analisar as forças que atuam sobre o corpo durante o seu movimento. No cenário descrito, o sistema é influenciado apenas pela força peso, que atua verticalmente para baixo, e pela força de tração exercida pelo fio inextensível. Como o enunciado solicita que as forças dissipativas sejam desprezadas, não há resistência do ar ou outros fatores que retirem energia do sistema.
Um ponto fundamental na análise dinâmica é a natureza do trabalho realizado por essas forças. A força de tração no fio atua sempre de forma perpendicular à direção do deslocamento instantâneo da massa ao longo de sua trajetória circular. Por definição, quando uma força é ortogonal ao movimento, o trabalho realizado por ela é nulo. Consequentemente, apenas a força peso é capaz de realizar trabalho sobre o objeto, alterando sua energia potencial gravitacional conforme sua altura varia.
Devido à ausência de forças dissipativas e ao fato de que a tração não consome energia do sistema, podemos aplicar o Princípio da Conservação da Energia Mecânica. Este princípio estabelece que, em um sistema conservativo, a soma da energia cinética e da energia potencial permanece constante em todos os pontos da trajetória. Assim, quando a massa parte do ponto A, ela possui uma determinada energia mecânica total definida por sua altura em relação a um nível de referência.
Ao ser interrompida no ponto C pelo toque no fio, a massa não perde sua energia cinética acumulada até aquele instante; o que ocorre é apenas uma alteração na geometria da trajetória devido à mudança na direção do movimento imposta pela intercepção. No entanto, a conservação da energia garante que a massa continuará subindo até que toda a sua energia cinética seja convertida novamente em energia potencial gravitacional.
Considerando que o ponto A está situado no nível III, a massa possui uma energia potencial associada a essa altura específica. Pela lei de conservação, ela buscará atingir novamente um ponto onde sua energia potencial seja igual à energia total inicial. Isso significa que o limite máximo de sua ascensão será determinado pela mesma altura do ponto de partida original. Portanto, independentemente da nova trajetória traçada após o contato no ponto C, a massa subirá até retornar ao nível horizontal III.

Em conclusão, ao analisar o movimento sob a ótica da conservação de energia, percebe-se que a intercepção do fio altera apenas o caminho percorrido (a trajetória), mas não altera o nível de altura máxima alcançável. Assim, o último nível horizontal atingido pela massa antes de iniciar sua descida será o nível III, correspondente à alternativa C.
Questão 9
UECE 2022Considerando o trabalho realizado por uma força conservativa atuando sobre uma partícula entre dois pontos X e Y do espaço, julgue as seguintes afirmações:
I. É nulo se a partícula sai de X em direção a Y e retorna para X.
II. Depende da trajetória que liga X a Y.
III. É não nulo se a partícula sai de X em direção a Y e retorna para X.
IV. Independe da trajetória que liga X a Y.
É correto o que se afirma somente em
Ver resposta e resolução da questão 9
Resposta: D
Para uma força conservativa, o trabalho realizado entre dois pontos depende apenas das posições inicial e final da partícula, e não do caminho percorrido entre esses pontos. Esse trabalho pode ser determinado pela variação da energia potencial, conforme o teorema da energia potencial:
\[W_{\text{Fconsv}}^{\text{XY}} = E_{\text{potX}} – E_{potY }\]
Nessa expressão, WFconsvXY representa o trabalho da força conservativa no deslocamento entre X e Y, enquanto EpotX e EpotY são as energias potenciais da partícula nas posições X e Y, respectivamente. Portanto, o trabalho é determinado somente pelos estados inicial e final.
I. É nulo se a partícula sai de X em direção a Y e retorna para X.
Afirmação correta. Nesse caso, a posição final coincide com a posição inicial. Consequentemente, a energia potencial no início e no fim é a mesma. Como o trabalho da força conservativa depende da diferença entre essas energias, o trabalho total realizado no percurso de ida e volta é nulo.
II. Depende da trajetória que liga X a Y.
Afirmação incorreta. Uma característica fundamental das forças conservativas é que o trabalho entre dois pontos não depende da trajetória seguida. Assim, seja qual for o caminho utilizado para ir de X até Y, o trabalho será o mesmo, desde que as posições inicial e final sejam mantidas.
III. É não nulo se a partícula sai de X em direção a Y e retorna para X.
Afirmação incorreta. Em um percurso fechado, no qual a partícula retorna ao ponto de partida, a variação total da energia potencial é nula. Logo, o trabalho total da força conservativa também é nulo, e não não nulo.
IV. Independe da trajetória que liga X a Y.
Afirmação correta. O trabalho de uma força conservativa entre X e Y depende exclusivamente das energias potenciais nesses pontos. Portanto, trajetórias diferentes entre X e Y produzem o mesmo trabalho.
As afirmações corretas são I e IV. Logo, a alternativa correta é d) I e IV.
Questão 10
UDESC 2019A figura abaixo mostra um carrinho de montanha-russa que inicia seu movimento a partir da altura h em direção a uma volta de diâmetro D.
Desconsiderando todas as forças dissipativas, se o carrinho parte de h com velocidade inicial nula, o valor mínimo de h para que o carrinho consiga dar uma volta é:
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Resposta: B
Para determinar a altura mínima, é necessário analisar a condição limite para que o carrinho permaneça em contato com a pista durante todo o looping. Essa condição é mais crítica no ponto mais alto da trajetória circular, pois, nesse ponto, a força peso aponta para o centro da curva e a força normal pode atingir seu menor valor.
No caso limite, considera-se que o carrinho está prestes a perder o contato com a pista no ponto mais alto. Portanto, a força normal é nula, e a única força que fornece a força centrípeta é o peso. Além disso, como o diâmetro da volta é D, seu raio é metade desse valor, isto é, R = D/2. Assim:
Assume-se que o movimento circular no looping é uniforme e considera-se que em seu ponto mais alto na trajetória circular, o contato do carro com a pista é o mínimo possível, então despreza-se a força normal, assim, a força centrípeta é:
\(F_{c} = \frac{mv^{2}}{R} \overset{R = \frac{D}{2}}{\rightarrow} F_{c} = \frac{2 mv^{2}}{D}\)
Nessa expressão, Fc é a força centrípeta, m é a massa do carrinho, v é sua velocidade no ponto mais alto e R é o raio do looping. Como a força normal é desprezada na situação limite, a força centrípeta é igual ao peso mg:
Mas a força centrípeta é igual ao peso.
\(F_{c} = mg\)\[\frac{2 \cancel{m} v^{2}}{D} = \cancel{m} g\] \(v_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = \sqrt{\frac{gD}{2}}\)
Ao igualar a força centrípeta ao peso, a massa aparece nos dois lados da igualdade e pode ser cancelada. Obtém-se, então, a velocidade mínima no ponto mais alto do looping. Essa velocidade não pode ser menor que o valor encontrado, pois, caso contrário, o peso não seria suficiente para fornecer a aceleração centrípeta necessária e o carrinho perderia o contato com a pista.
Agora, aplica-se o princípio da conservação da energia mecânica. Como as forças dissipativas são desconsideradas, a energia mecânica inicial, no ponto de altura hmín e com velocidade inicial nula, é igual à energia mecânica no ponto mais alto da volta. A altura desse ponto em relação ao nível de referência é o diâmetro D, e o carrinho possui, nesse ponto, a velocidade mínima calculada anteriormente.
Usando o Princípio da conservação de Energia Mecânica, obtém-se a altura mínima de lançamento para que o carrinho complete a volta no looping.
\[\begin{array}{l}\cancel{m} gh_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = \cancel{m} gD + \frac{\cancel{m} \left(v_{\text{m}\acute{i}\text{n}}\right)^{2}}{2} \\ gh_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = gD + \frac{\left(\sqrt{\frac{gD}{2}}\right)^{2}}{2}\end{array}\] \[\cancel{g} h_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = \cancel{g} D + \frac{\cancel{g} D}{4}\] \[h_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = D + \frac{D}{4} h_{\text{m}\acute{i}\text{n}} = \frac{5 D}{4}\]
Na conservação da energia, o termo mghmín representa a energia potencial gravitacional inicial. No ponto mais alto, mgD é a energia potencial gravitacional e o termo associado à velocidade mínima é a energia cinética. A massa e a aceleração da gravidade são canceladas, resultando em uma altura que depende apenas do diâmetro da volta.
Portanto, a altura mínima de lançamento é 5D/4. Logo, a alternativa correta é b) 5D / 4.
