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Revise a teoria: resumo de Plano Inclinado.
Questões desta lista
Questão 1
EsPCEx 2026O desenho abaixo representa dois planos inclinados que formam um ângulo θ com o plano horizontal. Em cada plano, há um bloco: 1 e 2. Eles têm o mesmo tamanho e massa, estão em repouso, na iminência do movimento, e há atrito entre os blocos e a superfície dos planos inclinados. O coeficiente de atrito estático entre os blocos 1 e 2 e a superfície de seus planos inclinados são, respectivamente μ1 e μ2. Ambos estão sujeitos a forças de módulo F paralelas ao plano inclinado e dispostas conforme o desenho.

Das afirmações a seguir, a única correta é:
Ver resposta e resolução da questão 1
Resposta: D
Como os blocos estão em repouso e na iminência do movimento, o módulo da força de atrito estático em cada bloco atinge seu valor máximo. Em ambos os planos, a componente do peso paralela ao plano tem módulo Psenθ, enquanto a componente perpendicular ao plano determina a força normal, de módulo mgcosθ. Assim, as forças de atrito máximas são μ1mgcosθ e μ2mgcosθ, respectivamente.
Do diagrama de forças abaixo, obtemos as condições de equilíbrio em cada bloco:

A primeira equação representa o bloco 1. Nesse bloco, a força externa F e a componente do peso paralela ao plano atuam no mesmo sentido do movimento iminente, sendo equilibradas pela força de atrito do bloco 1. Para o bloco 2, a componente do peso atua no sentido do movimento iminente e é equilibrada pela força externa F e pelo atrito do bloco 2.
\[\begin{cases} F + Psenθ = F_{at_{1}} \\ Psenθ = F + F_{at_{2}} \end{cases}\]
Como o peso de cada bloco é P = mg e o módulo máximo do atrito estático é dado pelo produto do coeficiente de atrito pela força normal, substituímos Fat = μN e N = mgcosθ nas duas equações:
\[\begin{cases} F + mgsenθ = \mu_{1} mgcosθ \\ mgsenθ = F + \mu_{2} mgcosθ \end{cases}\]
Agora, isolamos a força F em cada uma das equações. Na primeira, a componente do peso é transferida para o segundo membro. Na segunda, a força F é transferida para o primeiro membro, o que produz um valor negativo de F:
\[\begin{cases} F = \mu_{1} mgcosθ – mgsenθ \\ – F = \mu_{2} mgcosθ – mgsenθ \end{cases}\]
Somando membro a membro essas duas igualdades, os termos F e −F se anulam. Em seguida, todos os termos possuem o fator comum mg, que pode ser cancelado. Isso resulta em uma relação entre o ângulo do plano e os coeficientes de atrito:
\[0 = \mu_{1} \cancel{mg} cosθ + \mu_{2} \cancel{mg} cosθ – 2 \cancel{mg} senθ\]
Após o cancelamento do fator comum, reorganizamos a igualdade, colocando os termos que contêm o seno de um lado e os que contêm o cosseno do outro:
\[2 senθ = \left(\mu_{1} + \mu_{2}\right) cosθ\]
Dividindo os dois membros por 2cosθ, obtemos a razão entre o seno e o cosseno do ângulo. Essa razão é a tangente do ângulo, pois tgθ = senθ/cosθ:
\[tgθ = \frac{\mu_{1} + \mu_{2}}{2}\]
Portanto, a expressão correta é a da alternativa d), que afirma que tgθ é igual à soma dos coeficientes de atrito dividida por 2.
Questão 2
UFAM · PSC I 2023A figura a seguir mostra o aparelho denominado de Leg-Press , utilizado nas academias de ginástica para musculação das pernas:

Considere a situação na qual uma pessoa, ao utilizar o aparelho, ajusta em 30° o ângulo do plano inclinado formado pelos trilhos com a horizontal. Ao empurrar com as pernas a parte móvel, de massa igual a 50kg, passa a deslizar para cima com velocidade constante. Se o coeficiente de atrito cinético entre a parte móvel e o plano inclinado é igual 0,10, podemos afirmar que a intensidade da força exercida pelas pernas, nessa situação, é igual a:
Ver resposta e resolução da questão 2
Resposta: A
Observação: a questão foi anulada no gabarito oficial, pois o valor calculado não correspondia exatamente a nenhuma das alternativas originalmente apresentadas. Mantendo, contudo, o gabarito objetivo fornecido, a alternativa indicada é a letra A, cujo valor é aproximadamente 295 N.
Dados fornecidos:
\[\begin{cases} \theta = 30 \circ ; m = 50 \text{kg} ; \mu = 0.1 ; g = 10 \text{m} / s^{2} ; \\ sen 30 \circ = cos 60 \circ = \frac{1}{2} = 0.50 ; sen 60 \circ = cos 30 \circ = \frac{\sqrt{3}}{2} = 0.87 . \end{cases}\]
O bloco de dados informa que a massa da parte móvel é 50 kg, o plano forma um ângulo de 30° com a horizontal, o coeficiente de atrito cinético é 0,1 e a aceleração da gravidade adotada é 10 m/s². Também são fornecidos os valores aproximados do seno de 30° e do cosseno de 30°, necessários para decompor o peso nas direções paralela e perpendicular ao plano.
A força muscular exercida pelas pernas é representada por \(\left(F\right)\). Ela atua paralelamente aos trilhos e para cima, no sentido do movimento. Como a parte móvel desliza para cima, a força de atrito cinético atua no sentido contrário, isto é, para baixo ao longo do plano. Além do atrito, a componente do peso paralela ao plano também aponta para baixo e se opõe ao movimento. Essa componente é representada por \(\left(\left(\overset{\rightarrow}{P}\right)_{x}\right) .\)
A força normal \(\left(N\right)\) é perpendicular à superfície do plano. A componente do peso perpendicular ao plano é representada por \(\left(\left(\overset{\rightarrow}{P}\right)_{y}\right) .\)

Para determinar o atrito, primeiro é necessário encontrar a força normal. Na direção perpendicular ao plano não há movimento da parte móvel; por isso, a força normal equilibra a componente perpendicular do peso. Essa componente é obtida multiplicando o peso pela componente trigonométrica correspondente ao cosseno do ângulo do plano:
\[N = P_{y} = m g cos \theta\]
Como o atrito é cinético, sua intensidade é dada pelo produto entre o coeficiente de atrito e a força normal. Assim, o atrito depende da componente do peso perpendicular ao plano, e não do peso total diretamente.
O movimento ocorre com velocidade constante. Portanto, a aceleração é nula e, consequentemente, a resultante das forças na direção paralela ao plano também é nula. Isso significa que a força exercida pelas pernas deve ter intensidade suficiente para equilibrar simultaneamente a componente do peso paralela ao plano e a força de atrito:
\[\begin{array}{l}F = P_{x} + F_{a t} \\ F = m g sen \theta + \mu N \\ F = m g sen \theta + \mu m g cos \theta\end{array}\]
\[F = m g \left(sen \theta + \mu cos \theta\right) = 500 \left(0.5 + 0.1 \cdot 0.87\right) = 500 \left(0.587\right) = 293.5 \text{N}\]
\[F \cong 295 \text{N}\]
Na expressão, o termo \(m g sen \theta\) corresponde à componente do peso paralela ao plano. Já o termo \(\mu m g cos \theta\) corresponde à força de atrito, obtida ao substituir a força normal por \(m g cos \theta\). A substituição dos valores fornece 293,5 N, que, com o arredondamento adotado no gabarito, resulta em aproximadamente 295 N.
Portanto, de acordo com o gabarito objetivo fornecido, a força exercida pelas pernas é aproximadamente 295 N, correspondente à alternativa A. Registra-se, entretanto, que o gabarito oficial anulou a questão porque não havia alternativa exatamente compatível com o valor calculado.
Questão 3
PUC RJ 2023Em uma rampa retilínea inclinada, uma caixa de massa 2,0 kg é solta e passa a deslizar sem atrito, descendo a rampa com uma aceleração constante de 6,0 m/s2.
Qual é o módulo da força normal feita pela rampa sobre a caixa, em N?
Dado: g = 10 m/s2
Ver resposta e resolução da questão 3
Resposta: C
Considere \(\theta\) como o ângulo de inclinação da rampa em relação à horizontal. Como a caixa desliza sem atrito, a força resultante na direção paralela à rampa é a componente do peso nessa direção, dada por mgsenθ. Pela segunda lei de Newton, essa resultante é igual ao produto da massa pela aceleração da caixa.
Assim, podemos escrever:
\[\cancel{m} gsenθ = \cancel{m} a \\ 10 senθ = 6 \\ senθ = 0.6\]
A massa aparece nos dois lados da igualdade e, portanto, é simplificada. Em seguida, substituem-se os valores da aceleração da gravidade, g = 10 m/s2, e da aceleração da caixa, a = 6,0 m/s2. Dessa forma, obtém-se senθ = 0,6.
Para determinar a componente do peso perpendicular à rampa, é necessário calcular cosθ. Usando a relação trigonométrica sen2θ + cos2θ = 1 e o valor encontrado para senθ, temos:
\[cosθ = \sqrt{1 – 0 , 6^{2}} = 0.8\]
Na direção perpendicular à rampa, a caixa não se desloca nem possui aceleração. Portanto, a força normal, exercida pela rampa perpendicularmente à sua superfície, equilibra a componente perpendicular do peso. Logo, o módulo da força normal é:
\[N = mgcosθ\]
\[N = 2 \cdot 10 \cdot 0.8\]
\[N = 16 \text{N}\]
Portanto, o módulo da força normal exercida pela rampa sobre a caixa é 16 N. A alternativa correta é c).
Questão 4
AFA 2023Por duas vezes, observa-se o movimento de um bloco, sem resistência do ar, sobre um plano inclinado, conforme ilustra figura seguinte:
O coeficiente de atrito cinético entre as superfícies do bloco e do plano inclinado é \(\frac{\sqrt{3}}{2} .\)
No primeiro lançamento, em que θ = 30∘ o tempo que o bloco gasta até parar, sobre o plano inclinado, é t. No segundo lançamento, que se dá com mesma velocidade inicial do primeiro, θ = 60∘ e o tempo gasto pelo bloco até parar, também sobre o plano inclinado, é t’.
Nessas condições, a razão entre os tempos \(\frac{t}{t^{'}}\) é igual a
Ver resposta e resolução da questão 4
Resposta: A
Adotando como sentido positivo o sentido do movimento inicial do bloco para cima do plano inclinado, as forças que atuam ao longo do plano são:
- o componente do peso paralelo ao plano, de módulo Psenθ, orientado para baixo;
- a força de atrito cinético, de módulo Fat = μN, também orientada para baixo, pois se opõe ao movimento do bloco;
- a força resultante, responsável pela desaceleração, orientada no sentido oposto ao movimento.
A força normal vale N = mgcosθ. Portanto, a intensidade da força de atrito é Fat = μmgcosθ. Aplicando a segunda lei de Newton na direção do plano inclinado, obtém-se:
Desaceleração do bloco:
\[F_{R} = Psenθ + F_{\text{at}}\]
Como a força resultante e a aceleração estão no sentido oposto ao sentido positivo escolhido, a aceleração aparece com sinal negativo:
\[- \cancel{m} a = \cancel{m} gsenθ + \mu \cancel{m} gcosθ\]
A massa aparece em todos os termos e pode ser cancelada. Isolando a aceleração, resulta:
\[a = – g \left(senθ + μcosθ\right)\]
O sinal negativo confirma que o bloco está desacelerando: sua velocidade inicial é orientada para cima do plano, enquanto a aceleração é orientada para baixo.
Tempo decorrido até que o bloco pare:
Para determinar o instante em que o bloco para, utiliza-se a equação da velocidade no movimento uniformemente variado:
\[v = v_{0} + at\]
No instante em que o bloco para, a velocidade final é zero. Substituindo a aceleração encontrada:
\[0 = v_{0} – g \left(sen \theta + μcos \theta\right) t\]
Reorganizando essa igualdade, o termo que contém o tempo fica isolado. Assim, o tempo necessário para o bloco parar é:
\[t = \frac{v_{0}}{g \left(sen \theta + μcos \theta\right)}\]
Como os dois lançamentos têm a mesma velocidade inicial v0 e estão sujeitos à mesma aceleração da gravidade g, esses fatores se cancelam ao calcular a razão entre os tempos. Para o primeiro lançamento, θ = 30∘; para o segundo, θ = 60∘. Logo:
\[\frac{t}{t^{'}} = \frac{\frac{v_{0}}{g \left(sen 30^{\circ} + μcos 30^{\circ}\right)}}{\frac{v_{0}}{g \left(sen 60^{\circ} + μcos 60^{\circ}\right)}} = \frac{sen 60^{\circ} + μcos 60^{\circ}}{sen 30^{\circ} + μcos 30^{\circ}}\]
Utilizando o coeficiente de atrito fornecido, μ = \(\frac{\sqrt{3}}{2} .\) Além disso, sen 30∘ = 1/2, cos 30∘ = √3/2, sen 60∘ = √3/2 e cos 60∘ = 1/2. Substituindo esses valores:
\[\frac{t}{t^{'}} = \frac{\frac{\sqrt{3}}{2} + \frac{\sqrt{3}}{2} \cdot \frac{1}{2}}{\frac{1}{2} + \frac{\sqrt{3}}{2} \cdot \frac{\sqrt{3}}{2}} = \frac{\frac{\sqrt{3}}{2} + \frac{\sqrt{3}}{4}}{\frac{1}{2} + \frac{3}{4}} = \frac{\frac{3 \sqrt{3}}{4}}{\frac{5}{4}}\]
Na última simplificação, o numerador é colocado sobre o denominador. Dividir por 5/4 equivale a multiplicar por 4/5, o que elimina os fatores 4:
\[\frac{t}{t^{'}} = \frac{3 \sqrt{3}}{5}\]
Portanto, a razão entre os tempos é \(\frac{3 \sqrt{3}}{5} .\) Assim, a alternativa correta é a) \(2 \sqrt{3}\)
Questão 5
Unisinos 2022Um bloco de massa 5 kg encontra-se em repouso sobre um plano com inclinação de 30° em relação à horizontal, preso a um dinamômetro, calibrado em newton, posicionado paralelo à superfície do plano, tal como ilustrado na figura abaixo. Não há atrito entre o bloco e a superfície do plano inclinado. Com base nas teorias da dinâmica newtoniana, analise as afirmações a seguir:
I. O módulo da força normal que a superfície do plano aplica no bloco é de 50 N.
II. A leitura do dinamômetro indica o valor de 25 N.
III. Caso o dinamômetro seja retirado e o bloco desça o plano, o módulo de sua aceleração será de \(\frac{5 \sqrt{3}}{2} \text{m} / s^{2} .\)
Sobre as proposições acima, pode-se afirmar que
Ver resposta e resolução da questão 5
Resposta: B
A figura representa um bloco em repouso sobre um plano inclinado sem atrito. As forças relevantes são o peso do bloco, a força normal exercida pelo plano e a força de tração exercida pelo dinamômetro, que está paralelo à superfície.

Para analisar o movimento, o peso do bloco é decomposto em duas componentes: uma perpendicular ao plano, responsável pela compressão do bloco contra a superfície, e outra paralela ao plano, responsável pela tendência de o bloco deslizar para baixo.
I. Incorreta. Na direção perpendicular ao plano, o bloco permanece em equilíbrio. Portanto, a força normal N tem o mesmo módulo da componente perpendicular do peso, representada por Py
\[N = P_{y} = m g cos 30^{\circ} = 50 \frac{\sqrt{3}}{2}\]
Nessa expressão, m = 5 kg é a massa, g = 10 m/s2 é a aceleração da gravidade e cos 30° = √3/2. Assim, o módulo da força normal é
\[\boxed{N = 25 \sqrt{3}}\]
Logo, a força normal não é igual a 50 N. A afirmativa I é incorreta.
II. Correta. Na direção paralela ao plano, o bloco também está em repouso. Como não há atrito, a tração exercida pelo dinamômetro deve equilibrar a componente do peso paralela ao plano, representada por Px
\[F = P_{x} = m g sen 30^{\circ} = 50 \frac{1}{2}\]
Como sen 30° = 1/2, a componente do peso paralela ao plano vale 25 N. Para manter o bloco em repouso, o dinamômetro exerce uma força de mesmo módulo e sentido contrário
\[\boxed{F = 25 \text{N}}\]
Portanto, a leitura do dinamômetro é 25 N, e a afirmativa II é correta.
III. Incorreta. Se o dinamômetro for retirado, deixa de existir a força que equilibrava a componente do peso paralela ao plano. Como não há atrito, a força resultante nessa direção será justamente essa componente tangencial do peso
\[F_{R} = P_{x}\]
Aplicando a segunda lei de Newton, FR = ma, e utilizando a expressão da componente paralela do peso, obtém-se
\[\cancel{m} a = \cancel{m} g sen 30 \circ = 10 \frac{1}{2}\]
A massa aparece nos dois membros e pode ser cancelada. Portanto, a aceleração do bloco é
\[a = 5 \text{m} / s^{2}\]
O valor apresentado na afirmativa III, \(\frac{5 \sqrt{3}}{2} \text{m} / s^{2} .\) não corresponde à aceleração determinada para o bloco. Assim, a afirmativa III é incorreta.
Conclui-se que somente a afirmativa II está correta. Portanto, a alternativa correta é b) apenas II está correta.
Questão 6
UFPR 2022Na(s) questão(ões), as medições são feitas por um referencial inercial. O módulo da aceleração gravitacional é representado por g. Onde for necessário, use g = 10 m/s2 para o módulo da aceleração gravitacional.
Um bloco de massa m constante foi colocado num plano inclinado de ângulo de inclinação θ, conforme mostra a figura a seguir.
Há atrito entre o plano inclinado e o bloco, sendo que o coeficiente de atrito estático vale μe e o coeficiente de atrito cinético vale μc O bloco está sujeito à ação gravitacional além da força de reação normal e da força de atrito geradas pelo plano inclinado. Na situação em que o bloco esteja estático, mas na iminência de começar a deslizar, de modo que a força de atrito estática é máxima, vale a relação:
Ver resposta e resolução da questão 6
Resposta: A
Como o bloco está em repouso, mas na iminência de começar a deslizar para baixo do plano, a força de atrito estático atua para cima do plano e atinge seu valor máximo. Nessa condição-limite, a força de atrito equilibra exatamente a componente do peso paralela ao plano inclinado:
\[F_{\text{at m}\acute{a}\text{x}} = P_{x}\]
\[\mu_{e } \cdot N = m \cdot g \cdot senθ\]
A primeira igualdade expressa o equilíbrio na direção paralela ao plano. A força de atrito estático máximo é dada por μeN, em que μe é o coeficiente de atrito estático e N é o módulo da força normal. Já a componente do peso paralela ao plano é mg senθ, pois o peso tem módulo mg e sua componente na direção do plano é obtida pelo seno do ângulo de inclinação.
Na direção perpendicular ao plano, o bloco também permanece em equilíbrio. Como não há aceleração nessa direção, a força normal possui módulo igual à componente perpendicular do peso. Essa componente é mg cosθ:
\[N = m \cdot g \cdot cos \theta\]
Substituindo essa expressão para a força normal na condição de iminência de movimento, obtém-se:
\[\mu_{e} \cdot \cancel{m \cdot g} \cdot cosθ = \cancel{m \cdot g} \cdot senθ\]
\[\mu_{e} = \frac{senθ}{cosθ}\]
\[\mu_{e} = tgθ\]
Na segunda etapa, os fatores m e g aparecem nos dois lados da igualdade e são cancelados. Em seguida, divide-se ambos os lados por cosθ, resultando na razão entre senθ e cosθ. Essa razão é, por definição, a tangente do ângulo θ.
Portanto, a relação procurada é μe = tgθ, correspondente à alternativa a).
Questão 7
FCMMG 2022Renato quer saber o tempo de reflexo entre ver e agir de sua mãe, pois ela é motorista e ele se preocupa com a segurança dela no trânsito.
Para tanto, realiza um experimento no qual ele mantém uma régua de 30 cm, suspensa verticalmente, segurando-a entre seus dedos pela extremidade superior, de maneira que o zero da régua esteja posicionado na extremidade inferior. Neste momento, pede a sua mãe para apoiar a mão direita sobre a beirada de uma mesa, abrindo levemente os dedos polegar e indicador na altura do zero da régua, sem tocá-la, mas prontos para segurá-la assim que a régua for abandonada, como mostra a foto abaixo (foto do autor). Sem prévio aviso, a régua é abandonada e a mãe de Renato pega a régua depois de cair 20 cm.

Certo dia, o carro dirigido pela mãe desce uma rua inclinada de 30° e quando atinge a velocidade de 18 km/h, ela vê um buraco adiante e pisa o freio.
Considerando que, antes da freada, o carro desce a rua sem atrito, que g vale 10 m/s2, que sen 30° = 0,50, que cos30° = 0,87 e que o tempo de reflexo da mãe é o mesmo que aconteceu com a queda da régua, a distância que o carro percorre entre a mãe ver o buraco e pisar o freio é de:
Ver resposta e resolução da questão 7
Resposta: A
O tempo de reação da mãe corresponde ao intervalo entre o instante em que ela percebe a queda da régua e o instante em que consegue segurá-la. Durante esse intervalo, a régua parte do repouso e cai uma distância de 20 cm, ou seja, 0,20 m. Como a queda é vertical e desprezando a resistência do ar, aplica-se a equação da queda livre:
\[h = \frac{1}{2} gt_{r}^{2}\]
Nessa expressão, h é a distância percorrida pela régua, g é a aceleração da gravidade e tr é o tempo de reação. Isolando o tempo de reação, obtém-se:
\[t_{r} = \sqrt{\frac{2 \text{h}}{g}} = \sqrt{\frac{2 \cdot 0.2}{10}} = \sqrt{0.04}\]
A substituição utiliza h = 0,2 m e g = 10 m/s2. Portanto:
\[t_{r} = 0.2 \text{s}\]
Assim, a mãe demora 0,2 s entre perceber o obstáculo e iniciar a frenagem.
Antes de frear, o carro desce o plano inclinado sem atrito. Na direção perpendicular à superfície da rua, a força resultante é nula, pois a força normal equilibra a componente perpendicular do peso. Na direção tangencial, paralela à rua, a força resultante é a componente do peso que aponta para baixo da rampa, representada por \(\left(\left(\overset{\rightarrow}{P}\right)_{x}\right) .\)
Aplicando o Princípio Fundamental da Dinâmica na direção tangencial, a força resultante é igual ao produto da massa pela aceleração:
\[F_{R} = P_{x}\]
A componente tangencial do peso é dada por m g sen θ. Logo:
\[\cancel{m} a = \cancel{m} g senθ\]
A massa aparece nos dois lados da igualdade e pode ser cancelada. Dessa forma, a aceleração do carro ao descer a rua depende apenas da gravidade e da inclinação:
\[a = g sen 30 \circ = 10 \cdot 0.5\]
Portanto:
\[a = 5 \text{m} / s^{2}\]
A velocidade inicial é informada em quilômetros por hora, mas as grandezas da equação devem estar em unidades do Sistema Internacional. Convertendo:
18 km/h = 5 m/s
Durante o tempo de reação, o carro continua descendo a rua e, portanto, continua acelerado. A distância percorrida nesse intervalo é calculada pela equação do movimento uniformemente variado:
\[d = v_{0} t_{r} + \frac{a}{2} t_{r}^{2}\]
Nessa equação, d é a distância percorrida durante a reação, v0 é a velocidade inicial, a é a aceleração do carro e tr é o tempo de reação. Substituindo v0 = 5 m/s, tr = 0,2 s e a = 5 m/s2:
\[d = 5 \left(0.2\right) + \frac{5}{2} \left(0.2\right)^{2} = 1 + 0.1\]
O primeiro termo, 5 · 0,2 = 1 m, corresponde à distância que o carro percorreria se mantivesse a velocidade inicial constante. O segundo termo, 0,1 m, representa o acréscimo de distância causado pela aceleração durante a descida. Assim:
\[d = 1.1 \text{m} .\]
Logo, entre o instante em que a mãe vê o buraco e o instante em que pisa no freio, o carro percorre 1,10 m. Portanto, a alternativa correta é a) 1,10 m.
Questão 8
FAMEMA 2022Um bloco de 60 kg é abandonado sobre um plano inclinado em 30° com a horizontal. Para mantê-lo em repouso, o bloco é preso a uma das extremidades de um fio que, após passar por uma roldana fixa, é puxado verticalmente para baixo, na outra extremidade, por um homem de 80 kg que está em repouso, de pé, sobre um piso horizontal, como ilustra a figura.
Considere o fio e a roldana ideais, os atritos desprezíveis, o trecho do fio entre o bloco e a roldana paralelo ao plano inclinado e g = 10 m/s2.
O módulo da força exercida pelo piso horizontal sobre o homem é
Ver resposta e resolução da questão 8
Resposta: C
O diagrama de forças reúne as forças que atuam no bloco e no homem. Como o fio e a roldana são ideais, a tensão tem o mesmo módulo em todos os trechos do fio. Assim, a tensão que puxa o bloco para cima ao longo do plano inclinado é igual à tensão que puxa o homem verticalmente para baixo.

Como o bloco permanece em repouso, sua aceleração é nula. O homem também está em repouso, portanto a aceleração do sistema é nula. Pela segunda lei de Newton, a força resultante sobre o sistema deve ser igual ao produto da massa pela aceleração. Nesse caso, como a aceleração é zero, a resultante é nula:
\[F_{R} = m \cdot a\]
Ao analisar o sistema formado pelo bloco e pelo homem, as duas forças de tensão são internas ao sistema: a tensão puxa o bloco em um sentido e o homem no sentido oposto. Por isso, elas se cancelam na soma das forças do sistema, como indicado pelas marcações sobre os termos T. Restam a componente do peso do bloco paralela ao plano, a força normal exercida pelo piso sobre o homem e o peso do homem:
\[P_{x} – \cancel{T} + \cancel{T} + N – P_{h} = 0\]
Para o bloco, a componente do peso na direção do plano inclinado é Px = mb⋅g⋅sen 30°. Ela aponta para baixo ao longo do plano. Para o homem, o peso é Ph = mh⋅g, dirigido para baixo, enquanto a força normal N exercida pelo piso é dirigida para cima. Substituindo essas expressões na equação da resultante nula, obtém-se:
\[m_{b} \cdot g \cdot sen 30^{\circ} + N – m_{h} \cdot g = 0\]
Nessa expressão, mb = 60 kg é a massa do bloco e mh = 80 kg é a massa do homem. Isolando N, transferimos para o outro lado os termos que representam a componente do peso do bloco e o peso do homem:
\[N = m_{h} \cdot g – m_{b} \cdot g \cdot sen 30^{\circ}\]
Colocando a aceleração da gravidade g em evidência, a expressão pode ser escrita de forma fatorada:
\[N = g \left(m_{h} – m_{b} \cdot sen 30^{\circ}\right)\]
Usando g = 10 m/s2, mh = 80 kg, mb = 60 kg e sen 30° = 0,5, fazemos a substituição numérica:
\[N = 10 \left(80 – 60 \cdot 0.5\right)\]
O produto 60⋅0,5 corresponde à componente do peso do bloco paralela ao plano, enquanto o valor 80 corresponde à massa do homem. Efetuando as operações dentro dos parênteses e multiplicando o resultado por 10, encontramos:
\[N = 500 \text{N}\]
Logo, o módulo da força exercida pelo piso horizontal sobre o homem é 500 N. Portanto, a alternativa correta é c).
Questão 9
EEAR 2022Um bloco homogêneo de massa (m) está colocado em um plano inclinado formando um ângulo θ com a horizontal, conforme a figura. Existem duas condições possíveis para esse bloco:
I) permanecer em equilíbrio estático sob ação de uma força de atrito estático, cujo coeficiente de atrito estático é μe; ou
II) descer o plano inclinado sob a ação de uma força de atrito dinâmico, cujo coeficiente de atrito dinâmico é μd
Adotando g para a intensidade da aceleração da gravidade no local, é correto afirmar que:
Ver resposta e resolução da questão 9
Resposta: Anulada
Na direção perpendicular ao plano, a força normal equilibra a componente perpendicular do peso. Como essa componente vale mg cos θ, temos:
A componente do peso paralela ao plano aponta para baixo e tem intensidade mg sen θ. No equilíbrio estático, o atrito estático deve equilibrá-la:
O atrito estático não pode superar seu valor máximo, μeN. Portanto, o equilíbrio exige:
Substituindo as expressões para o atrito necessário e para a normal, e cancelando mg, obtém-se:
Assim, μe = tg θ, como propõe a alternativa B, só ocorreria no limite entre permanecer em repouso e começar a deslizar. O enunciado não exige que o bloco esteja nesse limite. A igualdade μe = sen θ, apresentada na alternativa A, também não decorre da condição de equilíbrio.
Para o movimento, adotando como sentido positivo o sentido de descida, a força resultante paralela ao plano é a componente do peso menos o atrito dinâmico:
Com N = mg cos θ, a aceleração fica:
Se a intenção for dizer que o bloco acelera para baixo, é necessário que a força resultante também aponte para baixo. Nesse caso, μd < tg θ, condição que não aparece nas alternativas C ou D. A igualdade μd = tg θ, da alternativa D, corresponde a aceleração nula; o bloco poderia descer com velocidade constante, mas isso não é informado. Se μd > tg θ, como na alternativa C, a aceleração aponta para cima; ainda assim, um bloco que já esteja descendo pode continuar nesse sentido por algum tempo, enquanto perde velocidade.
Como o enunciado não especifica a aceleração nem a velocidade do bloco na situação de descida, não há uma única alternativa que decorra das condições apresentadas. A questão foi anulada.
Questão 10
Unichristus · Medicina 2021Um bloco de massa M desce em um plano inclinado com atrito, deslizando com velocidade constante v sob ação da força peso. Sabendo que a aceleração da gravidade tem módulo g e que o plano inclinado forma com a horizontal um ângulo θ, o coeficiente de atrito entre o bloco e o plano inclinado pode ser calculado por
(Obs.: Despreze a resistência do ar.)
Ver resposta e resolução da questão 10
Resposta: C
Como o bloco desliza com velocidade constante, sua aceleração é nula. Portanto, pela segunda lei de Newton, a força resultante na direção do plano inclinado também deve ser nula.

Na direção paralela ao plano, a componente do peso que tende a fazer o bloco descer é equilibrada pela força de atrito, que atua no sentido contrário ao movimento. A componente do peso paralela ao plano inclinado tem módulo
\[F_{\text{at}} = Mgsenθ\]
A força de atrito cinético é calculada pelo produto entre o coeficiente de atrito \[\mu\] e a força normal. Como não há outras forças perpendiculares ao plano, a força normal é igual à componente perpendicular do peso, cujo módulo é
\[Mg cosθ\]
Assim, igualando o módulo da força de atrito à componente do peso paralela ao plano, obtemos
\[\mu \cancel{Mg } cosθ = \cancel{Mg } senθ\]
Os fatores \[Mg\] aparecem nos dois lados da igualdade e podem ser cancelados. Resta, portanto,
\[\mu = \frac{senθ}{cosθ}\]
Pela definição da tangente, a razão entre o seno e o cosseno de um ângulo é igual à sua tangente. Logo,
\[\mu = tgθ\]
Portanto, o coeficiente de atrito entre o bloco e o plano inclinado é tgθ, correspondente à alternativa c.
