Exercícios de Dilatação Volumétrica com resolução comentada

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Revise a teoria: resumo de Dilatação superficial e volumétrica.

Questões desta lista

Questão 1

UEMA 2026

É um fato conhecido do cotidiano que uma garrafa de água ou uma lata de cerveja, quando esquecidas no congelador, aumentam de volume, podendo causar danos irreversíveis ao recipiente, conforme ilustrado na imagem abaixo. Esse fenômeno está relacionado à dilatação anômala da água, caracterizado pelo processo atípico pelo qual a água aumenta de volume com a diminuição de sua temperatura, entre 0°C e 4°C.

Nunca esqueça a cerveja no congelador - Minúlua

Suponha que você coloque no congelador uma garrafa PET, completamente cheia com 2L de água, de modo que a água resfrie de 4°C até 0°C. Nesse resfriamento, você observa que o volume de água aumentou de 0,4mL devido à dilatação anômala da água. Desprezando a contração térmica da garrafa, e supondo constante o coeficiente de dilatação volumétrica da água nesse intervalo de temperatura, é correto afirmar que o seu valor numérico é dado por

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: E

Dados e definição das grandezas

O volume inicial de água é de 2 L. Como o cálculo será realizado com a variação de volume expressa em mililitros, é necessário converter esse volume para a mesma unidade:

2 L = 2000 mL.

A variação de volume observada é de 0,4 mL. Embora a temperatura tenha diminuído, o volume aumentou; portanto, a variação de volume é positiva.

A variação de temperatura é calculada pela diferença entre a temperatura final e a temperatura inicial:

Variação de temperatura \(\left(ΔT\right) :\)

\[T_{\text{final}} – T_{\text{inicial}} = 0 \circ C – 4 \circ C = – 4 \circ C\]

O sinal negativo indica que ocorreu um resfriamento, isto é, a temperatura final é menor que a temperatura inicial.

Aplicação da dilatação volumétrica

Para uma substância cujo coeficiente de dilatação volumétrica é constante, a variação de volume é dada por:

\[ΔV = V_{0} \cdot \gamma \cdot ΔT\]

Nessa relação, \(ΔV\) representa a variação de volume, \(V_{0}\) é o volume inicial, \(\gamma\) é o coeficiente de dilatação volumétrica e \(ΔT\) é a variação de temperatura. O coeficiente \(\gamma\) mede a variação relativa do volume por unidade de variação de temperatura e, por isso, sua unidade é °C−1.

Substituindo os valores fornecidos, usando mililitros para o volume e para a variação de volume:

\[0.4 = 2000 \cdot \gamma \cdot \left(- 4\right)\]

Multiplicando o volume inicial pela variação de temperatura, obtemos:

\[0.4 = – 8000 \cdot \gamma\]

Agora, isolando \(\gamma\), divide-se ambos os lados da igualdade por −8000:

\[\gamma = \frac{0.4}{- 8000} = – 0.00005 \circ C^{- 1}\]

Escrevendo esse resultado em notação científica:

\[\gamma = – 5 \times 10^{- 5} \circ C^{- 1}\]

O sinal negativo é coerente com o fenômeno descrito: como a temperatura diminui, \(ΔT\) é negativo, enquanto o volume aumenta, de modo que \(ΔV\) é positivo. Portanto, o coeficiente deve ser negativo.

Análise das alternativas

[E] Correta. O coeficiente calculado é \(- 5 \times 10^{- 5} \circ C^{- 1}\). O valor negativo expressa a dilatação anômala da água nesse intervalo: o volume aumenta quando a temperatura diminui.

[A], [B] e [D] Incorretas. Esses valores não correspondem ao resultado obtido, pois apresentam erro no cálculo numérico ou na potência de dez.

[C] Incorreta. Apesar de apresentar o sinal negativo, o valor numérico correto é 5, e não 2.

Logo, a alternativa correta é e) −5×10−5°C−1.

Questão 2

UECE 2025

Um cubo de lado L e densidade d flutua em um líquido, banho térmico, de densidade D>d com parte de seu volume submerso. O cubo é feito de material cujo coeficiente de dilatação linear é X, ao passo que o fluido apresenta coeficiente de dilatação volumétrica Y. O sistema cubo e fluido é aquecido de tal maneira que o cubo mantém inalterada a sua cota submersa, medida a partir da base inferior do cubo à superfície livre do líquido. Sabendo que a variação de temperatura sofrida pelo sistema é igual a T com XT<<1 e que, durante o processo de aquecimento, o cubo mantém sua forma paralelepipédica, a relação entre X e Y para que esta condição sobre a cota submersa ocorra é

(1+x)n≈1+nx para x⩽1

Ver resposta e resolução da questão 2

Resposta: A

Inicialmente, o cubo está em equilíbrio e flutua parcialmente. Isso significa que seu peso é igual à força de empuxo exercida pelo líquido. O peso do cubo é determinado pela densidade do material, pelo volume total do cubo e pela aceleração da gravidade. Já o empuxo corresponde ao peso do líquido deslocado, cujo volume é igual ao volume da parte submersa do cubo.

Como o cubo tem lado L, seu volume total é L3. Se h representa a altura submersa, o volume deslocado é a área da base, L2, multiplicada por essa altura. Portanto:

Na situação inicial, a altura submersa do cubo era de:

\[P = E\] \[dL^{\cancel{3}} \cancel{g} = \cancel{DL^{2}} h \cancel{g}\] \[h = \frac{dL}{D }\]

Nessa relação, dL3 representa a massa do cubo, enquanto DL2h representa a massa do líquido deslocado. A aceleração da gravidade aparece nos dois lados e, por isso, é cancelada. Assim, a altura inicialmente submersa é proporcional à razão entre a densidade do cubo e a densidade do líquido.

Durante o aquecimento, o lado do cubo aumenta devido à dilatação linear. Como o cubo mantém sua forma, suas três dimensões lineares sofrem o mesmo fator de dilatação. Consequentemente, seu volume aumenta aproximadamente três vezes o aumento linear relativo, pois os termos de ordem superior são desprezíveis em razão de XT ser muito menor que 1.

Densidade do cubo após o aquecimento:

\[V^{′} = V \left(1 + 3 X T\right)\] \[\frac{V^{′}}{\text{m}} = \frac{V}{m} \left(1 + 3 X T\right)\] \[\frac{1}{d^{′}} = \frac{1}{d} \left(1 + 3 X T\right)\] \[d^{′} = \frac{d}{1 + 3 X T}\]

A massa do cubo permanece constante durante o aquecimento, pois não há perda nem ganho de matéria. Como a densidade é a razão entre massa e volume, o aumento do volume faz a densidade diminuir. Por isso, a nova densidade do cubo é d dividida pelo fator de dilatação volumétrica aproximado.

Analogamente, a densidade do líquido será de:

\[D^{′} = \frac{D}{1 + Y T}\]

Para o líquido, o fator de aumento de volume é 1 + YT, pois Y já é o coeficiente de dilatação volumétrica. Assim, a densidade do líquido aquecido é obtida dividindo a densidade inicial D por esse fator.

A condição do problema é que a cota submersa permaneça inalterada. Portanto, a altura h continua sendo a mesma depois do aquecimento. O equilíbrio final ainda exige que o peso do cubo seja igual ao empuxo, agora usando as dimensões e as densidades após a variação de temperatura.

Para o equilíbrio na situação final, devemos ter:

\[P = E^{'}\] \[d^{'} L '^{\cancel{3}} \cancel{g} = D^{'} \cancel{L '^{2}} h \cancel{g}\] \[\frac{\cancel{d}}{1 + 3 XT} \cdot \cancel{L} \left(1 + XT\right) = \frac{\cancel{D}}{1 + YT} \cdot \frac{\cancel{d} \cancel{L}}{\cancel{D}}\] \[\frac{1 + XT}{1 + 3 XT} = \frac{1}{1 + YT}\] \[\cancel{1} + YT + XT + \underset{\approx 0}{\underbrace{XYT^{2}}} = \cancel{1} + 3 XT\] \[2 X \cancel{T} = Y \cancel{T}\] \[X = \frac{Y}{2}\]

Na passagem para a forma simplificada, foram cancelados os fatores comuns associados a d, D, L e à aceleração da gravidade. Em seguida, os denominadores foram eliminados por multiplicação cruzada. O termo que contém XYT2 é desprezado porque é de segunda ordem em relação aos pequenos produtos de dilatação, enquanto XT e YT são termos de primeira ordem.

Como a variação de temperatura não é nula, pode-se cancelar T na igualdade final. Obtém-se, assim, a relação necessária entre os coeficientes de dilatação linear do cubo e de dilatação volumétrica do líquido:

Resposta: alternativa a) X = Y/2.

Questão 3

FCMSCSP 2025

A calibração de uma proveta de vidro, de volume 500 mL, foi efetuada para a temperatura de 20°C.

(www.deltacom.br)

Considerando o coeficiente de dilatação linear desse vidro igual a Fórmula: 3,3 x 10^-6 C^-1. a diferença entre o volume de 500 Ml indicado pela proveta na temperatura de 25°C e o volume real do líquido nela contido, a essa mesma temperatura, é, aproximadamente,

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: E

O aquecimento provoca a dilatação do vidro da proveta. Como a proveta foi calibrada a 20 °C e a leitura de 500 mL é feita a 25 °C, é necessário determinar quanto o volume da proveta se altera nesse intervalo de temperatura.

Para uma dilatação pequena e aproximadamente uniforme, a variação volumétrica é dada por:

\[\Delta V = V_{0} \gamma \Delta \theta\]

Nessa expressão, \(\Delta V\) é a variação do volume da proveta, \(V_{0}\) é o volume inicial, \(\gamma\) é o coeficiente de dilatação volumétrica do vidro e \(\Delta \theta\) é a variação de temperatura.

O coeficiente de dilatação volumétrica é três vezes o coeficiente de dilatação linear. Além disso, a temperatura varia de 20 °C para 25 °C, portanto:

\[\Delta V = 500 \cdot 3 \cdot 3.3 \cdot 10^{- 6} \cdot \left(25 – 20\right)\]

O fator \(\left(25 – 20\right)\) corresponde à variação de temperatura, igual a 5 °C. Substituindo esse valor e efetuando a multiplicação, obtém-se:

\[\Delta V \cong 2.5 \cdot 10^{- 2} mL\]

Assim, a dilatação do vidro corresponde a aproximadamente 0,025 mL. Portanto, a diferença entre o volume indicado pela proveta e o volume real do líquido é aproximadamente 0,025 mL, correspondendo à alternativa e).

Questão 4

UEMA 2024

A grande ilha de São Luís encanta por sua beleza arquitetônica, lenda e história. São Luís é cercada por várias praias com águas mornas ao longo do ano. Esta capital maranhense, Patrimônio Cultural da Humanidade, desde 1997, sempre tem recebido muitos visitantes por suas ruas centenárias de paralelepípedos, casarões de azulejos coloniais e grandes cenários literários.

http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/346/ >. Acesso em: 01 de agosto de 2023.

Considere que um paralelepípedo das ruas da cidade seja de alumínio, que possui coeficiente de dilatação linear, α = 24×10−5∘ C−1, e que tenha, a 40°C, arestas iguais a 20,0 cm, 10,0 cm e 6,0 cm.

Qual será o volume, em cm3, do paralelepípedo a 0,0°C?

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: A

As arestas do paralelepípedo a 40 °C são 20,0 cm, 10,0 cm e 6,0 cm. Portanto, seu volume inicial é obtido pelo produto das três dimensões:

Volume a 40°C:

\[V_{1} = 20 \times 10 \times 6\] \[V_{1} = 1.200 cm^{3 } .\]

Assim, o volume inicial é 1.200 cm3. Como a temperatura diminui de 40 °C para 0 °C, o alumínio sofre contração térmica, isto é, seu volume diminui.

Para determinar a variação volumétrica, utiliza-se o coeficiente de dilatação volumétrica. Para um sólido isotrópico, esse coeficiente é aproximadamente três vezes o coeficiente de dilatação linear, pois o volume depende de três dimensões que se contraem proporcionalmente. Logo, o coeficiente volumétrico é \(3 \alpha\). A variação de temperatura é a temperatura final menos a inicial, portanto, \(0 – 40\), que é negativa e confirma a contração.

Contração:

\[ΔV = V_{1} \left(3 \alpha\right) \left(0 – 40\right)\]

Substituindo \(V_{1}\) por 1.200 cm3 e \(\alpha\) por \(24 \times 10^{- 5}\) °C−1, obtém-se:

\[ΔV = 1200 \left(72 \times 10^{- 5}\right) \left(- 40\right)\]

O valor \(72 \times 10^{- 5}\) corresponde a \(3 \alpha\), e o fator \(- 40\) representa a variação negativa de temperatura. O resultado da variação volumétrica é:

\[ΔV = – 34.56 cm^{3 } .\]

O sinal negativo indica que o volume diminuiu 34,56 cm3. Para encontrar o volume final, soma-se a variação ao volume inicial. Como a variação é negativa, essa soma equivale a uma subtração:

Volume final:

\[V = V_{1} + ΔV\] \[V = 1.200 – 34.56\] \[V = 1.165 , 44 cm^{3 } .\]

Portanto, o volume a 0,0 °C é aproximadamente 1.165,6 cm3, considerando o arredondamento adotado nas alternativas. A resposta correta é a alternativa a) 1165,6.

Questão 5

IME 2024

Desenho esquemático de um poste em formato de L, com haste vertical de comprimento L e haste horizontal superior de comprimento L dividido por 4, pontos A e B.

Inicialmente, um poste, fabricado com material de coeficiente de dilatação volumétrica γ, tem as dimensões indicadas na figura, estando o ponto A fixo. Ao ser submetido a um aumento de temperatura T, o ponto B é deslocado de:

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: D

Para determinar o deslocamento do ponto B, analisam-se separadamente as componentes horizontal e vertical da dilatação do poste. Como o ponto A permanece fixo, o ponto B se desloca devido às variações das dimensões do poste nas direções x e y.

O coeficiente fornecido é o coeficiente de dilatação volumétrica γ. Para um material isotrópico, o coeficiente de dilatação linear é dado por α = γ/3. Além disso, a variação de temperatura é representada por T.

Dilatação linear na direção x:

Nessa direção, o comprimento inicial indicado na figura é L/4. Aplicando a relação da dilatação linear, a variação de comprimento é proporcional ao coeficiente de dilatação linear, ao comprimento inicial e à variação de temperatura:

\[\begin{matrix}Δx & = αL_{x 0} Δθ \\ Δx & = \frac{\gamma}{3} \cdot \frac{L}{4} \cdot T \\ Δx & = \frac{γLT}{12 }\end{matrix}\]

Assim, substituindo α por γ/3, o comprimento inicial por L/4 e a variação de temperatura por T, obtém-se Δx = γLT/12.

Dilatação linear na direção y:

Na direção vertical, o comprimento inicial considerado é L. Portanto, utiliza-se novamente a expressão da dilatação linear, agora com esse comprimento:

\[Δy = αL_{y 0} Δθ\] \[Δy = \frac{\gamma}{3} \cdot L \cdot T\] \[Δy = \frac{yLT}{3 }\]

Logo, a componente vertical do deslocamento é obtida multiplicando o coeficiente linear γ/3 pelo comprimento inicial L e pela variação de temperatura T.

Deslocamento resultante do ponto B:

As componentes Δx e Δy são perpendiculares entre si. Portanto, o módulo do deslocamento resultante Δr é calculado pelo teorema de Pitágoras:

\[Δr = \sqrt{Δx^{2} + Δy^{2}}\] \[Δr = \sqrt{\left(\frac{γLT}{12}\right)^{2} + \left(\frac{γLT}{3}\right)^{2}}\] \[Δr = \frac{\sqrt{17} γLT}{12 }\]

Ao substituir as duas componentes na expressão do teorema de Pitágoras e simplificar, chega-se ao módulo do deslocamento do ponto B. Portanto, o deslocamento indicado é o da alternativa D.

Questão 6

FEMPAR · Medicina 2024

Nos pratos de uma balança de braços iguais são colocados dois recipientes de mesmas dimensões, de massas iguais, transparentes e termicamente indilatáveis, contendo volumes iguais de um mesmo líquido, como mostra a figura.

Desenho de uma balança de braços iguais com dois recipientes idênticos sobre os pratos. O recipiente à esquerda contém líquido na temperatura θ1 e o da direita θ2.

No prato da esquerda, o líquido está na temperatura θ1 e, no da direita, na temperatura θ2. Verifica-se que a balança só permanece em equilíbrio quando se coloca um contrapeso no prato da esquerda.

Nesse caso, as temperaturas θ1 e θ2 são tais que

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: A

Como os braços da balança têm o mesmo comprimento, o equilíbrio ocorre quando os torques produzidos pelos dois pratos são iguais. Como os recipientes têm massas iguais e contêm volumes iguais do mesmo líquido, a diferença inicial entre os pesos só pode estar relacionada às massas dos líquidos.

Foi necessário colocar um contrapeso no prato da esquerda para restabelecer o equilíbrio. Isso significa que, antes da colocação do contrapeso, o prato da esquerda estava mais leve que o da direita; portanto, a massa do líquido no recipiente da esquerda era menor.

Para uma mesma substância ocupando o mesmo volume, uma menor massa corresponde a uma menor densidade, pois a densidade é dada pela razão entre massa e volume. Nesse caso, a redução da densidade ocorre porque o líquido da esquerda sofreu maior dilatação térmica.

Assim, o líquido do recipiente da esquerda está a uma temperatura maior que o líquido do recipiente da direita. Logo:

\[\theta_{1} > \theta_{2}\]

Essa relação corresponde à alternativa A.

Questão 7

UEMG 2023

Um técnico de laboratório realizou um teste com uma amostra de petróleo, de coeficiente de dilação volumétrica 9⋅10−4 °C−1, enchendo totalmente um recipiente de vidro, de coeficiente de dilatação linear 9⋅10−6 °C−1, com a substância e elevou a temperatura do sistema até um valor T.

Nestas condições, é correto afirmar que:

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: B

Ao analisar os coeficientes de expansão térmica fornecidos, observa-se que o petróleo apresenta um coeficiente de dilação volumétrica significativamente superior ao coeficiente de dilatação linear do recipiente de vidro. Como o petróleo é um fluido e seu coeficiente é dado em termos volumétricos, enquanto o vidro é um sólido com expansão linear, a variação de volume da substância líquida será muito mais intensa do que a variação de volume do frasco contêiner quando submetidos ao mesmo aumento de temperatura.

Devido a essa disparidade nas taxas de expansão, o volume ocupado pelo petróleo crescerá além da capacidade de armazenamento do recipiente, resultando no transbordamento do líquido. Esse excedente que sai do frasco é tecnicamente classificado como dilatação aparente. A dilatação real do petróleo corresponde ao somatório da variação volumétrica sofrida pelo vidro com o volume que efetivamente transbordou.

Questão 8

UECE 2023

Em um laboratório industrial, existe um recipiente de vidro que está completamente cheio com um volume V de mercúrio a 20°C. Determine, aproximadamente, o percentual do volume de mercúrio que extravasa, em função de V, quando o conjunto é aquecido a 140°C.

Dados: Coeficiente de dilatação linear do mercúrio = 61,0×10−6∘ C−1

Coeficiente de dilatação linear do vidro = 9,0×10−6∘ C−1

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: B

Ao aquecer o conjunto de 20°C para 140°C, tanto o mercúrio quanto o recipiente de vidro sofrem dilatação. Como o recipiente estava completamente cheio inicialmente, o volume que extravasa corresponde à diferença entre o aumento de volume do mercúrio e o aumento da capacidade interna do recipiente:

\[ΔV_{\text{ext}} = ΔV_{m} – ΔV_{r}\]

Nessa expressão, ΔVext é o volume extravasado, ΔVm é a variação de volume do mercúrio e ΔVr é a variação do volume interno do recipiente. A variação de volume de um material é calculada por ΔV = VγΔθ, em que γ é o coeficiente de dilatação volumétrica e Δθ é a variação de temperatura.

Como os dados fornecem coeficientes de dilatação linear, utiliza-se a relação aproximada γ ≅ 3α para sólidos e líquidos quando o coeficiente informado é tratado dessa forma no problema. Assim, para o mercúrio e para o vidro:

\[ΔV_{\text{ext}} = V_{\gamma_{m}} Δθ – V_{\gamma_{r}} Δθ\]

O volume inicial do mercúrio e o volume interno inicial do recipiente são ambos iguais a V. Além disso, a variação de temperatura é:

\[ΔV_{\text{ext}} = V \cdot \left(3 \cdot 61 \cdot 10^{- 6} – 3 \cdot 9 \cdot 10^{- 6}\right) \cdot 120^{\circ}\]

Na substituição, o termo 3 · 61 · 10−6 representa o coeficiente de dilatação volumétrica aproximado do mercúrio, enquanto 3 · 9 · 10−6 representa o do vidro. A diferença entre esses termos indica que o mercúrio aumenta de volume mais do que a capacidade do recipiente. Como a temperatura aumenta 120°C, essa diferença é multiplicada por 120:

\[ΔV_{\text{ext}} = 18.72 \cdot 10^{- 3} \text{V}\]

Portanto, o volume extravasado corresponde a 18,72 · 10−3V. Para expressar esse volume como percentual do volume inicial, multiplica-se a razão por 100%:

\[\% \left( V\right)_{e x t} = 18.72 \cdot 10^{- 3} \text{V} \cdot 100 \% \cong 2 \% V\]

Assim, aproximadamente 2% do volume inicial de mercúrio extravasa. Portanto, a alternativa correta é b) 2%V.

Questão 9

UEA · SIS II 2023

No estudo da dilatação térmica dos líquidos devem ser considerados três fatores:

– a dilatação real do líquido (Dlíq );

– a dilatação aparente do líquido (Dap );

– a dilatação do recipiente (Drecip ).

A relação desses fatores está corretamente expressa em

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: B

Para compreender a dinâmica da dilatação térmica de substâncias líquidas, é fundamental analisar o comportamento conjunto do fluido e do seu invólucro. Quando um recipiente totalmente preenchido sofre um aumento de temperatura, tanto o líquido quanto o material que o contém tendem a expandir seus volumes.

A variação volumétrica efetiva observada, conhecida como dilatação aparente, corresponde ao montante de líquido que transborda durante esse processo térmico. Esse fenômeno ocorre porque a expansão do fluido é, em regra, superior à expansão do recipiente. Portanto, o volume que extravasa representa a diferença entre o quanto o líquido expandiu de fato e o quanto o recipiente se dilatou para acomodar essa nova dimensão.

Matematicamente, essa relação estabelece que a dilatação real do líquido é composta pela soma da sua dilatação aparente com a dilatação ocorrida no recipiente. Assim, a dilatação aparente é obtida subtraindo-se o aumento de volume do recipiente da expansão total do líquido.

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